Política

Lula é alvo de protesto em Lisboa; manifestantes de direita criticam visita e o chamam de “Lula Ladrão”

Lula é recebido com faixas e gritos de "Lula Ladrão" durante visita a Portugal O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrentou protestos em Lisboa, na manhã desta terça-feira

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Protesto em Lisboa: Lula é recebido com faixas e gritos de “Lula Ladrão” durante visita a Portugal

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrentou protestos em Lisboa, na manhã desta terça-feira (20), durante sua visita oficial a Portugal. Manifestantes ligados a grupos de direita organizaram um ato em frente ao Palácio de Belém, onde Lula se reuniu com autoridades portuguesas, expressando desaprovação à presença do líder brasileiro no país europeu.

A manifestação, liderada pelo deputado português André Ventura, líder do partido oposicionista Chega, reuniu um grupo de pessoas que empunharam cartazes e faixas com mensagens ofensivas, como “Lula Ladrão”, e associando o presidente brasileiro à corrupção. Gritos contra o PT e o Supremo Tribunal Federal (STF) também ecoaram durante o protesto, evidenciando a polarização política em torno da figura de Lula.

A recepção de Lula em Portugal tem sido marcada por um intenso debate político, com o governo português defendendo os laços históricos e diplomáticos com o Brasil, enquanto setores da oposição criticam abertamente a visita e as credenciais morais do presidente brasileiro. A situação reflete as divisões políticas internas em Portugal e a forma como a imagem de líderes estrangeiros é percebida no cenário internacional.

Conforme informações divulgadas pela imprensa portuguesa, o protesto ocorreu momentos antes de Lula participar de um almoço com o presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, no Palácio de Belém, local que foi palco da manifestação.

André Ventura lidera protesto e compara Lula a líderes indesejáveis

O deputado português André Ventura, figura central na organização do protesto, utilizou a ocasião para tecer duras críticas à visita de Lula e à postura das autoridades portuguesas. Em declarações à imprensa, Ventura afirmou que o partido Chega se posiciona como porta-voz da indignação popular contra a corrupção.

“Cada vez que Lula da Silva vem cá, o Chega faz o que as pessoas dignas deviam fazer, que é protestar, dizer que nós não queremos corrupção, que o presidente do Brasil não pode andar pela Europa toda a dizer que nós temos é que abrir mais as portas mesmo aos criminosos”, declarou Ventura, demonstrando a veemência de suas críticas.

O líder do Chega foi além, estabelecendo comparações que visavam descredibilizar a recepção oficial a Lula. Ele questionou a diplomacia portuguesa ao receber o presidente brasileiro, sugerindo que outros líderes com históricos controversos também seriam inadmissíveis em solo português. “Nós hoje também não receberíamos em Portugal o presidente da Coreia do Norte ou outros, que são assassinos e que são corruptos”, afirmou, defendendo a ideia de que “na política não pode valer tudo”.

Quando questionado por jornalistas sobre a possibilidade de receber Lula em Portugal caso ocupasse cargos de liderança no país, o parlamentar foi categórico ao afirmar que “é de evitar” a presença de “corruptos” em território português. Essa declaração reforça a posição do partido Chega em relação à integridade de líderes políticos e à soberania nacional em decidir quem deve ser recebido oficialmente.

Críticas à recepção oficial e defesa de “brasileiros que trabalham”

A insatisfação com a visita de Lula não se limitou às declarações de André Ventura. Outros integrantes do partido Chega também manifestaram seu descontentamento com a recepção oficial dispensada ao presidente brasileiro pelo governo de Portugal. A crítica se estendeu à própria decisão das autoridades portuguesas em acolher Lula em um contexto de acusações de corrupção.

O líder parlamentar do Chega, Pedro Pinto, expôs a visão do partido sobre a imigração e a presença de brasileiros em Portugal. Segundo Pinto, o partido defende a entrada e permanência no país apenas de cidadãos brasileiros que “trabalham” e “vêm por bem”, sugerindo que “outros podem ir embora”. Essa declaração sugere uma linha de pensamento que busca segregar e controlar o fluxo migratório com base em critérios de conduta e intenção.

A fala de Pinto pode ser interpretada como uma tentativa de associar a presença de brasileiros em Portugal a questões de segurança e ordem pública, alinhando-se a um discurso mais restritivo em relação à imigração. A crítica ao presidente Lula, nesse contexto, ganha contornos de uma crítica mais ampla a determinados perfis de brasileiros que, segundo o partido, não seriam bem-vindos ao país.

Apoio a Lula em Lisboa e agenda internacional do presidente

Enquanto um grupo se manifestava contra a presença de Lula em Lisboa, um contraponto foi organizado por apoiadores do presidente brasileiro. Um grupo favorável a Lula realizou uma manifestação de apoio, organizada pelo diretório do PT em Lisboa. Os participantes exibiram bandeiras do Brasil, de Portugal e do Partido dos Trabalhadores, além de cartazes com mensagens de apoio, como “Lula 2026” e imagens do presidente.

Essa demonstração de apoio evidencia que a figura de Lula divide opiniões também entre a comunidade brasileira residente em Portugal e seus simpatizantes locais. A polarização política que marca o Brasil se estende para além das fronteiras, refletindo-se em eventos diplomáticos e encontros com a comunidade.

A visita de Lula a Portugal faz parte de uma agenda internacional mais ampla do presidente, que incluiu passagens pela Espanha e Alemanha. Durante sua estadia na Europa, Lula tem buscado fortalecer laços diplomáticos, discutir acordos comerciais e abordar temas de interesse global, como a sustentabilidade e a cooperação internacional. A agenda inclui encontros com chefes de Estado, primeiros-ministros e líderes empresariais.

A visita a Lisboa, em particular, tinha como objetivo reforçar as relações bilaterais entre Brasil e Portugal, países com profundos laços históricos e culturais. O encontro com o primeiro-ministro português, Luís Montenegro, e o almoço com o presidente Marcelo Rebelo de Sousa, no Palácio de Belém, foram momentos chave para a articulação política e a busca por alinhamentos em diversas áreas.

Controvérsia sobre expulsão de delegado da PF nos EUA

Em outro ponto de sua agenda europeia, antes de viajar para Lisboa, Lula comentou com a imprensa em Hannover, na Alemanha, sobre a expulsão de um delegado da Polícia Federal que atuava nos Estados Unidos. O delegado estava em parceria com as autoridades americanas no Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos (ICE).

A expulsão ocorreu após o delegado ser acusado de manipular sistemas de imigração. O objetivo da suposta manipulação seria justificar a prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem, que foi detido na cidade de Orlando, na Flórida, na semana anterior. A declaração de Lula sobre o caso indica uma preocupação com a atuação de agentes públicos brasileiros no exterior e possíveis irregularidades em operações conjuntas.

Este episódio adiciona uma camada de complexidade à imagem e às ações do governo brasileiro no cenário internacional, levantando questões sobre a conduta de seus representantes e a colaboração com agências estrangeiras. A fala de Lula sobre o caso demonstra a importância que o governo atribui à legalidade e à transparência em suas relações com outros países, mesmo em situações que envolvem investigações e prisões.

A visita de Lula a Portugal, portanto, ocorre em um contexto multifacetado, marcado por recepções oficiais, protestos de oposição e discussões sobre a atuação do Brasil no cenário global. Os eventos em Lisboa refletem a polarização política no Brasil e a forma como a figura do presidente é recebida em outros países, especialmente por setores conservadores e de direita.