Política
Pré-candidatos de direita marcam presença na Agrishow enquanto Lula busca reduzir rejeição do agronegócio
A Agrishow, principal vitrine de tecnologia agropecuária da América Latina, em Ribeirão Preto (SP), se tornou um palco estratégico para pré-candidatos à Presidência da República em
Pré-candidatos de direita marcam presença na Agrishow enquanto Lula busca reduzir rejeição do agronegócio
A Agrishow, principal vitrine de tecnologia agropecuária da América Latina, em Ribeirão Preto (SP), se tornou um palco estratégico para pré-candidatos à Presidência da República em 2024. A presença de nomes como Flávio Bolsonaro (PL) e Tarcísio de Freitas (Republicanos) reforça o alinhamento da direita com o setor agrícola, um dos pilares da economia brasileira.
O evento, que se estende por vários dias, atrai não apenas empresas e produtores, mas também políticos que buscam demonstrar proximidade e compromisso com as demandas do agronegócio. A visita desses pré-candidatos, alguns deles com forte ligação com o ex-presidente Jair Bolsonaro, sinaliza a importância do setor no cenário eleitoral.
Em contraponto, a ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na abertura da feira, apesar do anúncio de uma linha de crédito de R$ 10 bilhões, levanta questões sobre a capacidade do governo federal em reduzir a rejeição que o setor ainda demonstra em relação ao petista, especialmente em ano de eleição municipal e com vistas a 2026.
Conforme informações divulgadas, o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), compareceram à Agrishow nesta segunda-feira (27). A presença dos aliados na maior feira de tecnologia agrícola da América Latina reforça o alinhamento da direita com um dos setores mais importantes da economia brasileira.
Agrishow: Palco de Campanhas e Alinhamentos Políticos
Desde o ano passado, as feiras agrícolas se consolidaram como destinos estratégicos para pré-candidatos ao Palácio do Planalto. A Agrishow não foge à regra, recebendo também a expectativa de visita dos presidenciáveis Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD), previstos para os dias 28 e 29 de maio, respectivamente. Esses encontros visam capitalizar o apoio de um setor produtivo influente.
Na edição anterior da Agrishow, Tarcísio de Freitas era visto como um potencial nome da centro-direita para disputar a presidência contra a reeleição de Lula. No entanto, com a entrada de Flávio Bolsonaro no cenário eleitoral nacional, Tarcísio redefiniu sua estratégia. Ele chega ao evento agrícola desta segunda-feira como pré-candidato à reeleição ao governo de São Paulo e se posiciona como aliado estratégico do filho “01” de Jair Bolsonaro, visando a vitória no maior colégio eleitoral do país.
A presença de Flávio Bolsonaro em eventos do agronegócio não é novidade. Na semana passada, ele visitou a Norte Show, em Sinop (MT), um dos principais estados do país em produção agropecuária. Durante o evento, o pré-candidato do PL desfilou em uma caminhonete, interagiu com os visitantes e discursou sobre a necessidade de investimentos federais em infraestrutura, como ferrovias e estradas de qualidade. Segundo ele, tais investimentos são cruciais para aumentar a competitividade do produtor rural e reduzir seus custos.
“O agro precisa de previsibilidade, crédito e segurança para continuar produzindo”, afirmou Flávio Bolsonaro, destacando pontos que o setor considera fundamentais para seu desenvolvimento e que frequentemente são pautas de discussão em eventos como a Agrishow.
Governo Federal Anuncia Crédito Bilionário, Mas Lula Evita Palco Principal
Enquanto Flávio Bolsonaro, Romeu Zema e Ronaldo Caiado marcam presença frequente em feiras agropecuárias, especialmente com a proximidade do ano eleitoral, o presidente Lula (PT) ainda enfrenta desafios para diminuir a rejeição do setor. A busca pela reeleição em outubro depende, em parte, de uma melhor interlocução com o agronegócio.
Em um esforço para sinalizar apoio ao setor, o governo federal anunciou, no domingo (26), a criação de uma nova linha de crédito de R$ 10 bilhões destinada à modernização de máquinas e implementos agrícolas. O anúncio foi feito durante a abertura da Agrishow. Contudo, o presidente Lula optou por não participar do evento.
Quem representou o governo federal na cerimônia de abertura foi o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). A escolha de Alckmin, ex-governador tucano de São Paulo, é vista como estratégica, dado seu histórico de melhor interlocução com o empresariado paulista e com o setor agropecuário. A presença de Alckmin busca suprir a ausência de Lula e transmitir uma mensagem de compromisso do governo com o agronegócio.
Alckmin detalhou que os R$ 10 bilhões serão disponibilizados em até três semanas, com foco em juros mais baixos para o financiamento de tecnologia e a substituição de máquinas antigas. Além disso, o vice-presidente informou que o governo federal está elaborando um programa específico para a renegociação de dívidas rurais, uma demanda antiga do setor.
“O governo vai tratar dessa questão. Para quem está inadimplente e até para quem está adimplente, vai ter um empenho na renegociação das dívidas”, declarou Alckmin à Agência Brasil, enfatizando o empenho do Executivo em oferecer soluções financeiras aos produtores rurais.
O Setor Agrícola e sua Influência no Cenário Político
O agronegócio representa uma parcela significativa do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e possui forte representação política. A sua opinião e o seu voto são disputados por todas as correntes políticas, mas historicamente o setor tem demonstrado maior afinidade com candidaturas de centro-direita e direita. A presença de pré-candidatos como Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas na Agrishow reforça essa percepção.
A escolha de Tarcísio de Freitas em focar sua atuação política no estado de São Paulo, atuando como aliado de Flávio Bolsonaro na disputa presidencial, demonstra uma estratégia clara de consolidar o apoio do eleitorado conservador e do setor produtivo. A sua reeleição como governador paulista seria um trunfo para a articulação política da direita em 2026.
Por outro lado, a dificuldade do governo Lula em se conectar com o agronegócio reflete um desafio persistente. Embora o governo federal tenha implementado políticas de crédito e esteja buscando formas de renegociar dívidas, a percepção de parte do setor é de que há uma distância entre as propostas e a realidade do produtor rural. A ausência do presidente em eventos de grande relevância para o setor pode ser interpretada como um sinal dessa desconexão.
O Papel da Infraestrutura e do Crédito para o Agronegócio
As demandas do agronegócio vão além do crédito e da renegociação de dívidas. A infraestrutura logística, como ferrovias e rodovias em bom estado, é apontada como um fator crucial para a competitividade do setor. O discurso de Flávio Bolsonaro sobre a necessidade de investimentos em infraestrutura ressoa com as demandas dos produtores, que buscam reduzir custos de transporte e aumentar a eficiência de suas operações.
A previsibilidade e a segurança jurídica também são pontos frequentemente levantados pelo setor. Em um ambiente de negócios complexo e volátil, a estabilidade das políticas públicas e a clareza nas regras são essenciais para o planejamento e o investimento de longo prazo.
A linha de crédito anunciada pelo governo federal, no valor de R$ 10 bilhões, representa um esforço para atender às demandas por financiamento para modernização. Os juros mais baixos e a disponibilização rápida dos recursos podem ter um impacto positivo na adoção de novas tecnologias e na renovação de equipamentos, contribuindo para a eficiência e a sustentabilidade da produção agrícola.
A renegociação de dívidas rurais, anunciada por Alckmin, também é uma medida importante, especialmente em períodos de adversidade climática ou flutuações de mercado. A possibilidade de renegociar dívidas, tanto para inadimplentes quanto para adimplentes, oferece um respiro financeiro e a chance de ajustar os passivos à nova realidade econômica.
A Agrishow, portanto, não é apenas uma feira de negócios e exibição de tecnologia, mas também um importante termômetro político. A presença dos pré-candidatos e as ações do governo federal refletem a disputa pela atenção e pelo voto do setor agrícola, um segmento com grande relevância econômica e política no Brasil.


