Política
Lula descarta privatização dos Correios e anuncia reestruturação profunda para salvar estatal
Presidente Lula descarta privatização dos Correios e detalha plano de reestruturação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva descartou categoricamente a privatização dos Correios, afirmando que a venda da estatal não ocorrerá durante sua gestão. Em vez disso, o governo federal trabalha em um plano ambicioso de reestruturação para garantir a saúde financeira e a produtividade da empresa.
Lula reconheceu as dificuldades financeiras enfrentadas pela empresa, mas atribuiu os problemas a uma “gestão equivocada” em governos anteriores. Ele enfatizou que o objetivo é tornar os Correios “totalmente de pé e produtivos para o país”, mesmo que isso envolva mudanças significativas na gestão e na estrutura da companhia.
A declaração foi feita em entrevista à imprensa no Palácio do Planalto, onde o presidente detalhou as estratégias para revitalizar os Correios. Conforme apurado e divulgado por diversos veículos de comunicação, o governo busca alternativas para sanear as contas da empresa, sem recorrer à venda.
Parcerias estratégicas e modelo de economia mista em estudo
O presidente Lula abriu a possibilidade de “construção de parcerias” com empresas privadas, tanto nacionais quanto internacionais, para impulsionar os Correios. Ele mencionou o interesse de “empresas italianas querendo vir aqui discutir com o Correio”, além de outras companhias brasileiras. No entanto, ele reiterou que a **privatização está fora de cogitação**, mas que a empresa pode se tornar uma “empresa de economia mista”, onde o Estado mantém o controle acionário, mas permite a participação de capital privado.
Reconhecimento de problemas e busca por soluções financeiras
A necessidade de reestruturação se deve, em parte, à crescente concorrência no setor de comércio eletrônico, que impactou as receitas dos Correios. O novo presidente da estatal, Emmanoel Rondon, já apresentou medidas iniciais para garantir a sustentabilidade e modernização da empresa. Entre as ações, estão negociações com bancos para a obtenção de um empréstimo de R$ 20 bilhões.
O governo federal também está em negociação para fornecer o aval necessário para esses empréstimos, com o Tesouro Nacional avaliando a liberação de recursos. Segundo o Ministério da Fazenda, o montante total de ajuda financeira poderá ficar abaixo dos R$ 6 bilhões inicialmente cogitados. Qualquer suporte financeiro, contudo, estará **condicionado à implementação efetiva do plano de reestruturação**.
Equilíbrio financeiro: meta para empresas públicas
Lula destacou a importância de as empresas públicas manterem um equilíbrio financeiro, mesmo que não visem o lucro máximo. “Uma empresa pública não precisa ser a rainha do lucro, mas ela não pode ser a rainha do prejuízo. Ela tem que se equilibrar”, afirmou. Essa declaração reforça o compromisso do governo em garantir a eficiência e a sustentabilidade das estatais sob sua gestão.
Mecanismo para reorganização de contas de estatais
Em meio à crise nos Correios, o governo federal implementou um mecanismo para auxiliar empresas estatais federais não dependentes (que possuem receitas próprias) a reorganizar suas contas sem serem automaticamente classificadas como dependentes do Tesouro Nacional. Recentemente, um decreto alterou normas sobre a transição entre esses tipos de empresas, facilitando a recuperação financeira de estatais em dificuldades.


