Economia
Greve na Petrobras: FUP e FNP divergem sobre fim da paralisação, entenda os motivos da divisão
Petroleiros divididos: FUP propõe fim da greve, FNP insiste na paralisação
A greve dos petroleiros na Petrobras, que já dura nove dias, expõe um racha entre as principais federações que representam a categoria. A Federação Única dos Petroleiros (FUP) votou por encaminhar o fim da paralisação, enquanto a Federação Nacional dos Petroleiros (FNP) defende a continuidade do movimento grevista. Essa divergência acende um debate interno sobre os próximos passos e a efetividade das negociações com a empresa.
A decisão da FUP, que representa a maioria dos trabalhadores, baseia-se na avaliação de que a contraproposta apresentada pela Petrobras no último domingo (21) trouxe avanços significativos. Entre os pontos acordados, destacam-se a garantia de que não haverá punições aos grevistas, o abono de 50% dos dias parados e a opção de desconto dos demais dias em banco de horas, sem reflexos negativos.
Por outro lado, a FNP, que congrega um número menor de trabalhadores, mas com forte atuação em algumas bases, considera as concessões da Petrobras insuficientes para encerrar a greve. A federação argumenta que as reivindicações centrais da categoria ainda não foram plenamente atendidas, justificando a manutenção da paralisação.
Avanços e concessões: o que diz a FUP
A FUP, em comunicado oficial, informou que seu conselho deliberativo aprovou o indicativo de aceitação da contraproposta da Petrobras e a suspensão da greve. A federação considera que o movimento grevista alcançou importantes conquistas econômicas, sociais e estruturais no Acordo Coletivo de Trabalho. Entre elas, estão o pagamento de abono, reajustes nos vales alimentação e refeição, a criação de um auxílio alimentação mensal e a redução da participação dos trabalhadores nos custos de transporte e deslocamento.
A FUP também destacou avanços em relação ao plano de saúde, um dos pontos sensíveis da negociação. As unidades que ainda estão em greve permanecem paralisadas até a realização das assembleias locais, que estão ocorrendo conforme o calendário de cada sindicato. Um exemplo dessa adesão à suspensão ocorreu na Refinaria Henrique Lage (Revap), em São José dos Campos (SP), onde 89% dos petroleiros votaram pela suspensão do movimento.
FNP mantém a resistência e busca novas assembleias
A FNP, representando cerca de 26 mil funcionários de quatro sindicatos, divergiu da decisão da FUP e decidiu, em sessão plenária, manter os trabalhadores de braços cruzados. O secretário-geral da FNP, Eduardo Henrique Soares da Costa, afirmou que uma nova assembleia está marcada para após o dia 26, e que a greve continua forte, rejeitando as propostas atuais da Petrobras.
Nas redes sociais, a FNP tem mobilizado a categoria, reforçando que as assembleias dos grevistas são soberanas a qualquer deliberação sindical. A federação busca consolidar o apoio para pressionar a Petrobras a apresentar uma proposta mais satisfatória, que contemple integralmente as reivindicações da categoria.
Principais reivindicações e o futuro do Petros
A greve chegou a paralisar nove refinarias, 28 plataformas de produção marítima, 16 terminais operacionais, além de outras instalações importantes da Petrobras. As principais bandeiras de luta incluem melhorias no plano de cargos e salários, a solução para os Planos de Equacionamento de Déficit (PEDs) da Petros, o fundo de pensão da categoria, e a defesa da Petrobras como empresa pública, com um modelo de negócios voltado ao seu fortalecimento.
Sobre a questão do Petros, a diretoria executiva da Petrobras enviou uma carta compromisso aos sindicatos, indicando que uma solução demandará um processo que pode durar até 8 meses. A Petrobras, por sua vez, confirmou ajustes na proposta de acordo coletivo, buscando o entendimento com a categoria e a suspensão da greve, mas assegurou que a paralisação não causou impacto à produção e que o abastecimento ao mercado segue garantido, com equipes de contingência mobilizadas.


