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Tragédia nas Rotas Migratórias: Mais de 3 Mil Vidas Perdidas em 2025 Tentando Chegar à Espanha

ONG denuncia mais de 3 mil mortes de migrantes em 2025 na busca por segurança na Espanha

Um cenário desolador se desenha nas rotas migratórias em direção à Espanha. De acordo com um relatório divulgado pela ONG “Caminando Fronteras”, mais de 3 mil pessoas perderam a vida em 2025 ao tentarem chegar ao país europeu. Este número, embora represente uma queda em relação ao ano anterior, expõe a brutalidade e os riscos inerentes a essas jornadas.

A maioria dessas tragédias ocorreu na rota atlântica, que liga a África ao arquipélago espanhol das Ilhas Canárias. Essa travessia é amplamente reconhecida como uma das mais perigosas do mundo, testando os limites da resistência humana e da esperança por uma vida melhor. A persistência dessas mortes evidencia a urgência de soluções humanitárias.

O relatório da “Caminando Fronteras”, baseado em chamados de socorro, relatos de familiares e dados oficiais, confirma uma tendência preocupante. Apesar da diminuição no número total de chegadas, novas rotas, ainda mais distantes e arriscadas, estão sendo exploradas por aqueles que buscam refúgio e novas oportunidades. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (29).

Rota Atlântica: O Corredor da Morte para Migrantes

A ONG “Caminando Fronteras” registrou um total de 3.090 mortes até o dia 15 de dezembro de 2025. Deste número alarmante, a grande maioria das perdas ocorreu na desafiadora rota atlântica em direção às Ilhas Canárias. Esta rota, que parte do continente africano, é conhecida por suas condições extremas e pela fragilidade das embarcações utilizadas, tornando cada travessia uma aposta de vida ou morte.

Queda nas Chegadas, Aumento da Periculosidade

Os dados oficiais do Ministério do Interior espanhol corroboram a tendência de queda nas chegadas irregulares. Entre 1º de janeiro e 15 de dezembro de 2025, a Espanha recebeu 35.935 migrantes irregulares, o que representa uma redução de 40,4% em comparação com o mesmo período do ano anterior, quando o número foi de 60.311. Quase metade dessas chegadas se concentrou na rota das Ilhas Canárias.

Apesar da diminuição geral, a ONG destaca que uma “nova rota migratória, mais distante e perigosa, foi aberta”, com partidas originadas de países como a Guiné-Conacri. Essa expansão para trajetos mais longos e complexos demonstra a desesperança que leva as pessoas a arriscarem tudo em busca de segurança e dignidade.

Vítimas Jovens e Novas Rotas no Mediterrâneo

O relatório da “Caminando Fronteras” também revela a triste realidade de que entre os que perderam a vida em 2025, estavam 192 mulheres e 437 crianças. A vulnerabilidade dessas vítimas ressalta a dimensão humanitária da crise migratória. A ONG também chamou a atenção para um aumento na migração irregular entre a Argélia e as ilhas de Ibiza e Formentera, no Mar Mediterrâneo espanhol, indicando a diversificação e a periculosidade das novas rotas exploradas.

A Busca por Segurança e os Riscos da Jornada

A jornada para chegar à Espanha, seja pelas Ilhas Canárias ou pelo Mediterrâneo, continua sendo uma empreitada de altíssimo risco. A falta de alternativas seguras e a instabilidade em seus países de origem empurram milhares de pessoas a enfrentar mares perigosos e condições precárias. A persistência dessas mortes em 2025 é um chamado urgente para a comunidade internacional agir e buscar soluções que garantam a segurança e a dignidade de todos os migrantes.