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China Realiza Manobras Militares Agressivas em Torno de Taiwan: Tensão com EUA e Japão Aumenta
China intensifica pressão militar sobre Taiwan com exercícios inéditos em áreas estratégicas.
As Forças Armadas da China iniciaram nesta segunda-feira (29) manobras militares conjuntas em larga escala ao redor da ilha de Taiwan. A operação, descrita por Pequim como um “alerta severo” contra “forças separatistas” e “interferência externa”, envolve tropas da Aeronáutica e da Marinha.
Os exercícios, que se estenderão até terça-feira (30), ocorrem em um momento de crescente tensão geopolítica, especialmente após a China manifestar profunda insatisfação com recentes vendas de armas dos Estados Unidos a Taiwan e com declarações de apoio à ilha por parte do Japão.
Taiwan, que se considera autogovernada desde 1949, reagiu com firmeza, colocando suas forças em estado de alerta e classificando o governo chinês como “o maior destruidor da paz”. As manobras chinesas, conforme informação divulgada pelo Ministério dos Transportes de Taiwan, deverão causar o desvio de centenas de voos nacionais e internacionais ao longo do dia.
Exercícios visam simular bloqueio e ataque a alvos estratégicos.
O coronel Shi Yi, porta-voz do Comando do Teatro Oriental do Exército de Liberação Popular da China, detalhou que os exercícios abrangerão o Estreito de Taiwan e áreas ao norte, sudoeste, sudeste e leste da ilha. O foco principal será em patrulhas de prontidão de combate ar-mar, “tomada conjunta da superioridade abrangente” e bloqueios de portos-chave.
Segundo Shi, esta é a primeira vez que o comando chinês menciona publicamente como objetivo a “dissuasão multidimensional fora da cadeia de ilhas”. As operações incluirão o uso de caças, bombardeiros e drones, coordenados com lançamentos de foguetes de longo alcance, com o intuito de testar a capacidade de realizar ataques de precisão contra alvos terrestres móveis.
Taiwan reage e critica ações chinesas como ameaça à paz regional.
O Ministério da Defesa de Taiwan confirmou a realização de “exercícios de resposta rápida” e assegurou que as forças estão em “alto grau de prontidão para defender a ilha”. Em nota separada, o ministério afirmou ter mobilizado “forças apropriadas” para treinamentos de prontidão para combate, condenando veementemente as ações chinesas.
Karen Kuo, porta-voz do gabinete da presidente de Taiwan, declarou que a operação chinesa “mina a estabilidade e a segurança do Estreito de Taiwan e da região do Indo-Pacífico, além de desafiar abertamente o direito e a ordem internacionais”. Ela ressaltou que Taiwan condena a intimidação militar chinesa.
Sanções americanas e apoio japonês intensificam o conflito.
As manobras ocorrem em um contexto de escalada de tensões, após Pequim impor sanções contra 20 empresas norte-americanas ligadas à defesa e 10 executivos. A medida foi uma retaliação à aprovação de vendas de armas pelos Estados Unidos a Taiwan, em um pacote avaliado em mais de US$ 10 bilhões, o maior já concedido pelos americanos ao território autogovernado.
A lei federal dos Estados Unidos obriga Washington a auxiliar Taipei em sua defesa, um ponto cada vez mais controverso com a China. As tensões militares também foram agravadas por declarações da primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, que indicou a possibilidade de envolvimento do Exército japonês em caso de ação chinesa contra Taiwan.
Impacto no tráfego aéreo e histórico de conflitos.
Os exercícios militares chineses impactarão mais de 100 mil passageiros em voos internacionais e cerca de 6 mil em voos domésticos nesta terça-feira, segundo o Ministério dos Transportes de Taiwan. As autoridades estão implementando rotas alternativas para garantir a segurança do tráfego aéreo.
China e Taiwan são governadas separadamente desde 1949, após a guerra civil chinesa. Pequim considera a ilha autogovernada como parte de seu território soberano, enquanto Taiwan opera com seu próprio governo democrático. A China tem ampliado o alcance e a escala de seus exercícios militares na região nos últimos anos, enviando aeronaves e embarcações navais em direção à ilha quase diariamente.
Recentemente, o prefeito de Taipei, Chiang Wan-an, expressou o desejo de que o Estreito de Taiwan seja associado à paz e prosperidade, em contraste com “ondas revoltas e ventos uivantes”, durante uma visita a Xangai, evidenciando a complexidade das relações na região.


