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Polícia da Austrália: Pai e Filho Agiram Sozinhos no Ataque Terrorista em Praia de Sydney, Sem Ligação com Grupo Militante
Polícia Australiana Conclui que Pai e Filho Agiram Sozinhos em Ataque Terrorista em Praia de Sydney, Sem Evidências de Ligação com Grupo Militante
A Polícia da Austrália divulgou nesta terça-feira (29) informações cruciais sobre o atentado terrorista ocorrido na praia de Bondi, em Sydney, que chocou o mundo no último dia 14 de dezembro. As autoridades afirmam que os suspeitos, pai e filho, agiram sozinhos e não há qualquer evidência de que fizessem parte de uma célula militante maior.
O ataque, que coincidiu com o primeiro dia do Hanukkah, resultou na morte de 16 pessoas, incluindo um dos atiradores, e deixou quarenta feridos, entre eles dois policiais. A investigação inicial cogitou a possibilidade de inspiração por ideologias do Estado Islâmico, devido à descoberta de bandeiras caseiras do grupo no carro dos suspeitos e a uma viagem recente à ilha filipina de Mindanao, conhecida por sua militância.
No entanto, conforme anunciado pela comissária da Polícia Federal Australiana, Krissy Barrett, não foram encontrados indícios de treinamento formal durante a viagem de novembro à região das Filipinas. As conclusões apresentadas são preliminares, e as autoridades australianas e filipinas seguem colaborando na investigação deste trágico evento. Conforme informação divulgada pela polícia, o ataque em Bondi foi classificado como um incidente terrorista.
Suspeitos Identificados e Acusações Formais
Os responsáveis pelo ataque foram identificados como Sajid Akram, de 50 anos, que possuía licença para armas e foi morto em confronto com a polícia, e seu filho, Naveed Akram, de 24 anos. Naveed, que foi detido após ser baleado pelos policiais, acordou de um coma e agora enfrenta 59 acusações criminais, incluindo 15 homicídios, crimes de terrorismo e explosivos.
O ataque em Bondi, que vitimou pessoas de 10 a 87 anos, incluindo uma menina que faleceu no hospital, gerou comoção nacional e internacional. Entre as vítimas fatais estão o rabino Eli Schlanger, de 41 anos, e um cidadão israelense. Um colaborador do Jerusalem Post, Arsen Ostrovsky, também foi ferido no incidente.
Reforma nas Leis de Armas e Reações Internacionais
O pior tiroteio em massa da Austrália em quase três décadas levou a reformas imediatas nas já rigorosas leis de controle de armas do país. Imagens chocantes circularam nas redes sociais, mostrando um homem desarmando um dos atiradores, um ato de bravura que salvou inúmeras vidas, segundo o primeiro-ministro de Nova Gales do Sul, Chris Minns. O herói, um vendedor de frutas de 43 anos, foi atingido por dois disparos, mas se recupera bem.
O diretor-geral da inteligência australiana (ASIO), Mike Burgess, afirmou que o nível de ameaça terrorista no país permanece como “provável”, indicando uma chance de 50% de ocorrência de um ato terrorista. Um objeto suspeito, possivelmente um artefato explosivo, foi encontrado e removido de um carro próximo à praia.
O ataque em Bondi foi veementemente condenado por líderes mundiais. O Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, declarou que “o antissemitismo não tem lugar neste mundo”. O Secretário-Geral da ONU, António Guterres, classificou o episódio como um “ataque hediondo e mortal”. O presidente israelense, Isaac Herzog, descreveu o ocorrido como “cruel contra os judeus”.
Comunidade Judaica em Alerta e Solidariedade
A ministra das Relações Exteriores da Austrália, Penny Wong, expressou que “o terrorismo, o antissemitismo, a violência e o ódio não têm lugar na Austrália”. A Confederação Israelita do Brasil (Conib) também manifestou “profunda consternação e solidariedade à comunidade judaica da Austrália”. No Reino Unido, a polícia reforçou o policiamento em comunidades judaicas em antecipação às celebrações do Hanukkah.
A Polícia de Nova Gales do Sul confirmou que a investigação concluiu pela não participação de um terceiro suspeito no ataque. As autoridades seguem analisando itens suspeitos encontrados nas proximidades e mantêm uma área de exclusão estabelecida. O governo australiano, por meio do primeiro-ministro Anthony Albanese e da ministra Penny Wong, expressou condolências às famílias das vítimas e solidariedade à comunidade judaica.


