Bahia
Cesta Básica de Salvador Sobe 2,69% em Dezembro, Mas Fecha 2025 com Queda Anual de 0,41%
Cesta Básica de Salvador apresenta elevação de 2,69% em dezembro, mas encerra o ano de 2025 com redução acumulada de 0,41% A Cesta Básica de Salvador registrou um aumento de 2,69%
Cesta Básica de Salvador apresenta elevação de 2,69% em dezembro, mas encerra o ano de 2025 com redução acumulada de 0,41%
A Cesta Básica de Salvador registrou um aumento de 2,69% em seu custo no mês de dezembro de 2025, atingindo o valor de R$ 557,62. Este acréscimo, equivalente a R$ 14,98 em relação ao mês anterior, foi influenciado principalmente pela alta em diversos itens essenciais, especialmente aqueles que compõem o almoço tradicional da cidade.
Apesar da alta mensal, o levantamento realizado pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI) revela um cenário contrastante quando analisado o acumulado do ano. De janeiro a dezembro de 2025, a cesta apresentou uma ligeira redução de 0,41%, indicando que os aumentos pontuais foram compensados por quedas em outros períodos.
A pesquisa, que abrangeu 3.513 cotações em 92 estabelecimentos comerciais de Salvador, incluindo supermercados, açougues, padarias e feiras livres, destaca a volatilidade dos preços ao longo do ano. Dos doze meses de 2025, sete registraram elevações no custo da cesta básica.
Conforme informações divulgadas pela SEI, os fatores climáticos e a dinâmica da oferta de determinados produtos foram os principais responsáveis pela elevação dos preços em dezembro. A cebola, em particular, despontou como o item com maior impacto na alta, refletindo a redução na oferta regional.
Aumento Mensal e Principais Vilões do Custo
Em dezembro de 2025, 16 dos 25 produtos que compõem a Cesta Básica de Salvador tiveram seus preços elevados. A cebola liderou disparada, com um aumento expressivo de 66,17%. Outros itens que registraram altas significativas foram a banana prata (9,25%), o flocão de milho (8,47%) e o macarrão (5,15%).
A lista de produtos com preços em alta também inclui o óleo de soja (4,99%), carne de primeira (4,76%), leite (2,97%), maçã (2,76%), queijo prato (2,71%) e tomate (2,22%). A batata inglesa (2,00%), o pão francês (1,48%), o arroz (1,13%), a carne de segunda (0,97%), a farinha de mandioca (0,83%) e a carne de sertão (0,18%) completam o grupo de produtos que encareceram.
Em contrapartida, oito produtos apresentaram redução em seus valores. A cenoura liderou as quedas com uma retração de 4,73%, seguida pela linguiça calabresa (4,20%) e o café moído (2,45%). O feijão (2,20%), o queijo muçarela (1,58%), o açúcar cristal (1,51%), a manteiga (0,59%) e o frango (0,38%) também ficaram mais baratos.
O ovo de galinha permaneceu estável, sem variação percentual em seu preço.
Impacto dos Fatores Climáticos e da Oferta
O economista Denilson Lima, em sua análise sobre os resultados, aponta que os “fatores climáticos e, especialmente, os níveis da oferta de alguns produtos foram as principais variáveis que corroboraram para o aumento do Custo da Cesta Básica de Salvador no mês de dezembro de 2025”. Ele destaca a cebola como o principal agente dessa alta.
Lima explica que “o preço da cebola se elevou significativamente no mês em análise devido à redução na oferta regional em Irecê (BA) e no Vale do São Francisco (BA/PE)”. A ocorrência de chuvas nessas regiões, segundo o economista, restringiu a disponibilidade do produto, intensificando o cenário de diminuição da oferta no Nordeste.
A dinâmica da oferta e demanda, influenciada por condições climáticas adversas, é um fator recorrente na flutuação dos preços de alimentos. A dependência de certas regiões produtoras e as variações sazonais podem gerar impactos diretos no custo de vida das famílias, especialmente em centros urbanos como Salvador.
Composição da Cesta e Impacto no Orçamento Familiar
A análise da SEI detalha o impacto dos subgrupos de produtos. O subconjunto de ingredientes relativos ao almoço soteropolitano – composto por feijão, arroz, carnes, farinha de mandioca, tomate e cebola – apresentou uma alta de 3,31% em dezembro e foi responsável por 33,16% do valor total da cesta.
Por outro lado, o subgrupo de gêneros alimentícios próprios da refeição matinal soteropolitana – formado por café, leite, açúcar, pão, manteiga, queijos e flocão de milho – registrou um aumento de 1,09% e contribuiu com 35,52% do valor da cesta no mês.
O tempo de trabalho necessário para adquirir a Cesta Básica também é um indicador importante do impacto econômico sobre os trabalhadores. Em dezembro de 2025, um trabalhador soteropolitano precisou dedicar 89 horas e 42 minutos de seu tempo para obter os itens da cesta.
Isso representa o comprometimento de 40,78% do valor líquido de um salário mínimo. Considerando um salário mínimo de R$ 1.404,15, após o desconto de 7,50% para a Previdência Social, o custo da cesta básica consome uma parcela significativa da renda do trabalhador, evidenciando os desafios financeiros enfrentados por muitas famílias.
Cenário Anual: Queda Leve, Mas Persistente Volatilidade
Apesar da elevação em dezembro, o fechamento do ano de 2025 trouxe um alívio pontual para o bolso do soteropolitano, com a Cesta Básica encerrando o período com uma redução acumulada de 0,41%. Este resultado sugere que, ao longo dos doze meses, os preços de alguns itens podem ter se estabilizado ou até mesmo diminuído em comparação com o início do ano.
No entanto, a análise dos meses de aumento demonstra a persistente volatilidade dos preços dos alimentos. A concentração de altas em sete dos doze meses indica que as condições de mercado, incluindo fatores climáticos, custos de produção e logística, continuam a exercer pressão sobre o custo de vida.
A divulgação desses dados pela SEI reforça a importância do acompanhamento contínuo dos preços de alimentos essenciais. As variações impactam diretamente o poder de compra da população e exigem atenção de órgãos públicos e consumidores para a adoção de medidas que possam mitigar os efeitos da inflação sobre os orçamentos familiares.
O desempenho da Cesta Básica em Salvador reflete tendências que podem ser observadas em outras capitais brasileiras, onde a segurança alimentar e o acesso a produtos básicos são temas de constante debate e preocupação social e econômica.


