Política
Rio de Janeiro em Alerta: Ato pela Democracia Relembra 8 de Janeiro e Repudia Anistia a Golpistas
Em um ato realizado nesta quinta-feira (8) na Cinelândia, centro do Rio de Janeiro, centrais sindicais e movimentos sociais se reuniram para defender a democracia e marcar os três
Rio de Janeiro sedia ato em defesa da democracia, relembrando 8 de janeiro e rejeitando anistia a golpistas
Em um ato realizado nesta quinta-feira (8) na Cinelândia, centro do Rio de Janeiro, centrais sindicais e movimentos sociais se reuniram para defender a democracia e marcar os três anos dos atentados de 8 de janeiro de 2023. A data, considerada um ponto crítico na tentativa de golpe de Estado, foi lembrada por manifestantes que condenam veementemente qualquer forma de anistia aos envolvidos nos ataques às sedes dos Três Poderes em Brasília.
A mobilização, que ocorreu exatamente três anos após os eventos de 2023, serviu como um alerta sobre a necessidade de vigilância constante contra ameaças ao Estado Democrático de Direito. Participantes expressaram preocupação com a persistência de discursos e ações que buscam fragilizar as instituições democráticas brasileiras, reforçando a importância da resistência popular.
O evento também foi palco para críticas contundentes a quaisquer propostas que visem perdoar ou atenuar as penas dos golpistas. A defesa da justiça e a aplicação da lei foram pontos centrais, com os organizadores enfatizando que a condenação dos responsáveis é um recado histórico para que tais atos não se repitam no futuro do país.
Conforme informações divulgadas pelos participantes do ato, a manifestação na Cinelândia teve como objetivo principal reforçar os valores democráticos e a importância da memória histórica, especialmente no que diz respeito aos ataques de 8 de janeiro de 2023. O evento reuniu representantes de diversas entidades sindicais e sociais, que compartilharam discursos sobre a conjuntura política e a necessidade de união em defesa da Constituição.
Vigilância Democrática e Lições do Passado
Sandro César, presidente da Central Única dos Trabalhadores do Estado do Rio de Janeiro (CUT-RJ), destacou a importância simbólica da data para a manutenção da vigilância democrática. Ele classificou os eventos de 8 de janeiro como um movimento inominável dos golpistas, cujo objetivo era aviltar a democracia e o Estado Democrático de Direito, algo que, segundo ele, parecia distante, mas voltou a se manifestar no Brasil.
César ressaltou o papel das condenações impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) como um marco histórico e um ensinamento para as futuras gerações. Ele enfatizou que a punição de envolvidos, incluindo ex-presidentes e militares, serve como um precedente para demonstrar que a violação da Constituição e do pacto republicano e democrático terá consequências severas.
“Ex-presidente preso, generais golpistas presos e envolvidos no golpe presos. Isso é o que deve acontecer quando se viola a Constituição da República do País no sentido de a aviltar, de violar o pacto constitucional, o pacto republicano e democrático do Brasil. É um ensinamento importante para que as futuras gerações possam nunca mais imaginar ou tentar fazer algo do tipo”, afirmou o dirigente sindical, sublinhando a necessidade de que a justiça prevaleça.
A fala de César ecoou o sentimento de muitos presentes, que veem nos desdobramentos judiciais dos atos de 2023 um passo fundamental para a consolidação da democracia brasileira. A expectativa é que a responsabilização dos envolvidos sirva como um forte desincentivo a novas tentativas de ruptura institucional.
Rejeição à Anistia e Pressão ao Congresso
José Ferreira, presidente do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro (Seeb/Rio), foi enfático ao criticar qualquer iniciativa que vise conceder anistia aos golpistas. Ele alertou para estratégias que, sob o disfarce de outros termos, buscam o mesmo efeito de perdão, como a chamada “dosimetria”, que, segundo ele, nada mais é do que um genérico da anistia.
Ferreira mencionou o veto do presidente Lula a um projeto de lei que poderia abrir caminho para a anistia, mas ressaltou que a matéria pode retornar ao Congresso Nacional. Por isso, a importância de manter a pressão popular nas ruas para que o parlamento rejeite qualquer benefício aos que, em sua visão, tentaram roubar a democracia do país.
“Não podemos aceitar anistia para os golpistas, nem essa estratégia que eles fingem dizer que não é anistia, a dosimetria, que nada mais é do que um genérico da anistia. O Lula vetou o projeto, mas vai voltar para o Congresso e precisamos estar nas ruas para pressionar o parlamento contra esse benefício aos que querem roubar a democracia”, declarou o sindicalista, convocando a sociedade civil a se manter mobilizada.
A posição de Ferreira reflete a preocupação de diversos setores da sociedade civil organizada, que veem na anistia um risco à estabilidade democrática e um desrespeito às instituições. A luta contra a impunidade e pela manutenção da ordem constitucional foi um dos lemas centrais do ato.
A Importância da Mobilização Contínua e Alternativas Sociais
João Pedro, militante do movimento de juventude Juntos (antifascista, anticapitalista e ecossocialista) e do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL-RJ), destacou a necessidade de uma mobilização constante diante dos ataques recorrentes da extrema direita. Ele enfatizou que a data serve como um lembrete da importância de estar sempre atento e ativo na defesa dos direitos democráticos.
O militante ressaltou que iniciar o ano com mobilização é fundamental para resistir e, mais do que isso, para apresentar alternativas concretas para a crise social e política do país. A ideia é demonstrar que é possível construir uma sociedade diferente, superando os desafios e horizontes impostos pela conjuntura atual.
“Nessa data importante, lembramos da necessidade de estarmos sempre mobilizados. Precisamos ficar atentos sobre os constantes ataques da extrema direita que temos vivenciado”, disse João Pedro. Ele complementou: “É fundamental começar o ano com mobilização. É necessário resistir, mas também apresentar uma alternativa para a crise. Mostrar que é possível construir uma outra sociedade, que é possível superar os horizontes que estão colocados para nós hoje”.
A perspectiva apresentada por João Pedro aponta para a necessidade de não apenas reagir às ameaças, mas também de construir ativamente um projeto de futuro que fortaleça a democracia e promova justiça social, econômica e ambiental. A juventude, representada por ele, assume um papel ativo na luta por um país mais justo e igualitário.
O Contexto dos Ataques de 8 de Janeiro e o Balanço do STF
Há três anos, milhares de manifestantes, em sua maioria apoiadores do então presidente Jair Bolsonaro, marcharam pela Esplanada dos Ministérios em Brasília. Após romperem bloqueios policiais, invadiram e depredaram as sedes do Congresso Nacional, do Palácio do Planalto e do Supremo Tribunal Federal (STF). O objetivo declarado era impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, eleito democraticamente.
Três anos após os ataques, o STF divulgou um balanço atualizado sobre as condenações. Segundo dados divulgados nesta segunda-feira (8) pelo gabinete do ministro Alexandre de Moraes, relator dos processos, 1.399 pessoas foram condenadas por envolvimento nos atos golpistas. Desse total, 179 pessoas estão presas, sendo 114 em regime fechado após o trânsito em julgado das condenações.
Adicionalmente, 50 pessoas cumprem prisão domiciliar e há outras 15 prisões preventivas em andamento. As condenações incluem figuras de destaque, como o ex-presidente Jair Bolsonaro e 28 ex-integrantes de seu governo, que foram responsabilizados por planejar uma tentativa de golpe para impedir a posse de Lula. Cinco ex-integrantes da cúpula da Polícia Militar do Distrito Federal também foram condenados por omissão, por terem permitido o acesso dos manifestantes à Praça dos Três Poderes.
Esses números refletem o extenso trabalho do Judiciário na apuração e punição dos responsáveis pelos ataques que abalaram as instituições democráticas do Brasil. A divulgação do balanço reforça a atuação do STF no combate à impunidade e na defesa da ordem constitucional, servindo como um alerta para futuras tentativas de desestabilização do regime democrático.


