Política
Após 25 anos, acordo Mercosul-UE é “vitória do diálogo” para Lula e marco histórico para o multilateralismo global
Lula celebra acordo Mercosul-UE como "vitória do diálogo" e marco histórico para o multilateralismo após 25 anos de negociaçãoO presidente Luiz Inácio Lula da Silva expressou sua s
Lula celebra acordo Mercosul-UE como “vitória do diálogo” e marco histórico para o multilateralismo após 25 anos de negociação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva expressou sua satisfação com a recente aprovação do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia. A notícia foi confirmada pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que anunciou a aprovação por ampla maioria dos Estados-membros.
Nas redes sociais, Lula classificou o feito como um resultado positivo para a diplomacia e a cooperação internacional. Ele ressaltou que o acordo representa um triunfo para o diálogo e a negociação, reafirmando a importância da colaboração entre países e blocos econômicos.
A celebração do acordo pelo presidente Lula não é apenas uma questão de política externa, mas também um reflexo de sua atuação pessoal na articulação para a finalização do pacto. Lula havia colocado a conclusão deste acordo como uma prioridade durante a presidência brasileira do Mercosul no final do ano passado, demonstrando o empenho do governo em avançar nas relações comerciais.
Conforme informações divulgadas pelo portal do governo, Lula destacou que o acordo traz benefícios mútuos para os dois blocos e serve como um importante sinal em favor do comércio internacional. Ele também enfatizou o caráter histórico da decisão para o multilateralismo, lembrando a longa jornada de negociações que se estendeu por um quarto de século até a sua conclusão.
Um marco para o multilateralismo e o comércio global
O presidente Lula descreveu o dia como “histórico para o multilateralismo”, sublinhando que a aprovação do Acordo Mercosul-União Europeia, após 25 anos de negociações, consolida um dos maiores tratados de livre comércio do mundo. A decisão europeia une dois blocos que, em conjunto, representam uma população de 718 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto (PIB) combinado de impressionantes US$ 22,4 trilhões.
O conceito de multilateralismo, enfatizado por Lula, refere-se à prática de cooperação entre múltiplos países para a promoção de interesses comuns nas relações internacionais. Esta abordagem se contrapõe ao unilateralismo, onde um país age isoladamente, e ao bilateralismo, que envolve a associação de apenas dois países. A aprovação do acordo é vista, portanto, como um fortalecimento dessa filosofia de cooperação global.
A negociação que culminou neste acordo foi complexa e envolveu diversas etapas e desafios ao longo de duas décadas e meia. A persistência das partes envolvidas e a capacidade de superar divergências foram cruciais para se chegar a um consenso que pudesse ser ratificado por ambos os blocos. O resultado é um tratado de livre comércio de grande envergadura, com potencial para redefinir fluxos comerciais e investimentos.
A dimensão econômica do acordo é colossal. A união de um mercado consumidor tão vasto com um poder econômico significativo abre novas perspectivas para empresas e consumidores em ambos os lados do Atlântico. A expectativa é de que a redução de barreiras tarifárias e não tarifárias impulsione o comércio de bens e serviços, além de estimular investimentos diretos estrangeiros.
A importância estratégica do acordo reside também na sua capacidade de promover a integração regional e de fortalecer a posição de ambos os blocos no cenário econômico mundial. Ao consolidar um mercado ampliado, Mercosul e União Europeia ganham maior poder de barganha em negociações futuras e na definição de regras comerciais globais.
Passos para a ratificação e entrada em vigor
Com a aprovação confirmada pelo lado europeu, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, está apta a viajar ao Paraguai. A visita, prevista para a próxima semana, tem como objetivo ratificar o acordo com os países-membros do Mercosul. O Paraguai, que assumiu a presidência rotativa pro-tempore do bloco em dezembro de 2022, terá um papel central neste momento.
O bloco sul-americano, composto por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, também precisará dar os seus passos internos para a ratificação. O documento final deverá ser submetido aos parlamentos de cada país-membro. A entrada em vigor do acordo, no entanto, possui um mecanismo de adoção individual, o que significa que não é necessário aguardar a aprovação simultânea de todos os parlamentos dos quatro estados para que ele comece a produzir efeitos.
Este processo de ratificação individual agiliza a implementação do acordo, permitindo que os países que concluem suas aprovações internas comecem a usufruir dos benefícios mais rapidamente. Contudo, a plena efetivação do tratado dependerá da conclusão dos trâmites em todos os países do Mercosul, garantindo um regime comercial uniforme para todo o bloco.
A expectativa é que a fase de ratificação transcorra sem maiores percalços, dada a ampla aprovação obtida na Europa e o compromisso reiterado dos líderes do Mercosul em finalizar o acordo. No entanto, é possível que debates internos em cada país possam surgir, envolvendo setores específicos da economia que possam sentir impactos imediatos da abertura comercial.
A estrutura do acordo prevê a eliminação gradual de tarifas sobre uma vasta gama de produtos, além da harmonização de normas técnicas e sanitárias, facilitando o comércio e reduzindo custos para as empresas. A liberalização abrangerá tanto produtos industriais quanto agrícolas, com particular atenção às regras de origem e à proteção de indicações geográficas.
O papel do Brasil e a visão de Lula para o comércio internacional
O presidente Lula teve uma atuação proativa na articulação para que o acordo fosse concluído. Sua gestão buscou ativamente finalizar as negociações no final do ano passado, quando o Brasil ocupava a presidência temporária do Mercosul. Para o presidente, a conclusão deste acordo era uma prioridade estratégica, alinhada com sua visão de um Brasil mais inserido no comércio global e atuante no fortalecimento de blocos regionais.
A visão de Lula para o comércio internacional se baseia na ideia de que a cooperação e a integração são mais benéficas do que o isolacionismo. Ele defende que acordos como este entre Mercosul e UE não apenas geram oportunidades econômicas, mas também promovem a troca cultural, o desenvolvimento sustentável e a estabilidade política. A crença é que um comércio internacional mais justo e inclusivo pode ser um motor para o desenvolvimento.
O governo brasileiro tem buscado fortalecer o Mercosul como um bloco coeso e com maior projeção internacional. A assinatura deste acordo é vista como um passo fundamental nessa direção, conferindo maior peso econômico e político ao bloco sul-americano no cenário global. A articulação com a União Europeia, um dos maiores parceiros comerciais do mundo, reforça essa estratégia.
O discurso de Lula sobre a “vitória do diálogo” reflete uma política externa que valoriza a diplomacia e a busca por consensos. Em um mundo marcado por tensões e conflitos, a capacidade de negociar e chegar a acordos multilaterais é vista como um diferencial importante para a construção de um ambiente internacional mais pacífico e colaborativo.
A expectativa é que a retomada e a conclusão deste acordo impulsionem a agenda comercial brasileira, abrindo novos mercados para produtos nacionais e atraindo investimentos. A modernização das relações comerciais e a adaptação às novas demandas globais, como a sustentabilidade e a digitalização, também estarão no centro das atenções nos próximos anos.
Impactos e expectativas do acordo Mercosul-UE
O acordo entre Mercosul e União Europeia abrange uma vasta gama de setores, com potencial para gerar impactos significativos em diversas cade areas da economia. A liberalização comercial visa facilitar o acesso de produtos agrícolas do Mercosul ao mercado europeu, ao mesmo tempo em que abre o mercado sul-americano para bens industriais e serviços da UE.
Setores como o agronegócio brasileiro, por exemplo, podem se beneficiar da redução de tarifas para exportação de carne, grãos e outros produtos. Por outro lado, a indústria automotiva e de bens de capital da Europa poderá encontrar novas oportunidades no Mercosul. A negociação buscou equilibrar os interesses de ambos os blocos, considerando as sensibilidades de cada setor.
A dimensão ambiental e de sustentabilidade também foi um ponto de atenção nas negociações. O acordo inclui compromissos relacionados à proteção do meio ambiente e ao desenvolvimento sustentável, alinhados com as metas globais de combate às mudanças climáticas. A União Europeia, em particular, tem um forte foco em práticas sustentáveis, e o acordo reflete essa preocupação.
Para o consumidor, o acordo pode significar acesso a uma maior variedade de produtos a preços potencialmente mais competitivos. A concorrência ampliada tende a estimular a inovação e a eficiência das empresas, o que, em última instância, beneficia o consumidor final. No entanto, é importante monitorar os impactos sobre setores produtivos locais que possam enfrentar maior concorrência.
A conclusão do acordo representa um avanço considerável na integração econômica entre a América do Sul e a Europa. Após 25 anos de negociações, a consolidação deste pacto envia uma mensagem positiva sobre a capacidade de diálogo e cooperação em um mundo cada vez mais complexo. O sucesso da implementação será crucial para a concretização dos benefícios esperados e para o fortalecimento das relações entre os dois blocos.


