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Jogos de Inverno: Brasil encerra campanha histórica no esqui alpino com melhor resultado em slalom e estreia no bobsled

Brasil faz história nos Jogos de Inverno: Foco no esqui alpino e estreia promissora no bobsled A participação brasileira nos Jogos de Inverno de Milão e Cortina, na Itália, atingiu

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Brasil faz história nos Jogos de Inverno: Foco no esqui alpino e estreia promissora no bobsled

A participação brasileira nos Jogos de Inverno de Milão e Cortina, na Itália, atingiu um marco significativo no esqui alpino masculino. Lucas Pinheiro Braathen, que já havia conquistado o ouro no slalom gigante, viu sua disputa no slalom ser interrompida por uma queda na primeira descida, impedindo-o de brigar por mais uma medalha. A campanha histórica do país na modalidade se encerrou com a melhor colocação de um brasileiro em provas de slalom, demonstrando o crescente potencial do esporte.

Apesar do revés de Braathen, a delegação verde e amarela segue em evidência nos Jogos. A jovem Alice Padilha, de apenas 18 anos, assume o protagonismo nesta quarta-feira (18) ao competir no slalom feminino, representando a nova geração do esqui alpino brasileiro. Paralelamente, o Brasil deu início à sua jornada no bobsled, com a dupla Edson Bindilatti e Luís Bacca buscando consolidar sua posição na prova 2-man.

Esses resultados marcam um momento de expansão e visibilidade para os esportes de inverno no Brasil, quebrando barreiras e inspirando novas gerações a se dedicarem a modalidades tradicionalmente menos populares no país. A diversidade de atletas e a busca por excelência em diferentes disciplinas reforçam a ambição brasileira de deixar sua marca no cenário internacional dos esportes de neve.

Conforme informações divulgadas pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB), a participação histórica no esqui alpino masculino dos Jogos de Inverno de Milão e Cortina, na Itália, chegou ao fim nesta segunda-feira (16), com as disputas do slalom. Ouro na versão “gigante”, Lucas Pinheiro Braathen se desequilibrou e caiu na primeira das duas descidas que precisava fazer, o que o deixou fora da briga por medalha, assim como Christian Soevik. Único atleta do país a finalizar a prova, Giovanni Ongaro ficou na 27ª colocação, a melhor de um brasileiro nesta disciplina.

Alice Padilha: Aposta brasileira no slalom feminino

Nesta quarta-feira (18), a partir das 6h (horário de Brasília), a atenção se volta para o esqui alpino feminino, com a estreia da jovem carioca Alice Padilha. Aos 18 anos, ela é a mais jovem integrante da delegação brasileira e terá a missão de competir na desafiadora prova de slalom. Sua participação representa a renovação e o futuro do esporte no país.

A prova de slalom exige precisão e agilidade dos atletas. Eles enfrentam um percurso com mastros fincados na neve, chamados “portas”, pelos quais devem passar. A dificuldade reside na proximidade dessas portas, que são separadas por cerca de 13 metros, exigindo múltiplas curvas fechadas e rápidas. Os competidores realizam duas descidas, e o vencedor é determinado pela menor somatória de tempos.

A competição de slalom masculino foi vencida pelo suíço Loic Meillard, que já havia conquistado o bronze no slalom gigante. A prata ficou com o austríaco Fabio Gstrein e o bronze com o norueguês Henrik Kristoffersen. A performance de Padilha será acompanhada de perto por entusiastas e pela comunidade esportiva brasileira.

Lucas Braathen: Do ouro ao desafio na neve intensa

Após a espetacular conquista do ouro no slalom gigante no último sábado (14), Lucas Braathen retornou a Bormio, nos Alpes italianos, como um dos favoritos a mais uma medalha olímpica. O esquiador, nascido em Oslo, Noruega, mas que representa o Brasil desde 2025 em homenagem ao país de sua mãe, enfrentou condições climáticas adversas.

A neve intensa e a baixa visibilidade tornaram o percurso do slalom extremamente desafiador. Braathen, que demonstrava grande confiança e preparo, acabou se complicando com as condições da pista e sofreu uma queda na metade da primeira descida, comprometendo sua chance de medalha. Apesar do resultado inesperado, sua performance geral nos Jogos já garantiu um lugar na história.

Em depoimento ao COB, Lucas expressou a ambição que move sua participação: “Eu e o Brasil não estávamos aqui nos Jogos Olímpicos de Inverno só para participar. Estávamos aqui para fazer a diferença, trazer nossas cores, outra mentalidade, outra cultura e celebrar essa diversidade do Brasil e do esporte. Vejo que a gente tem vários atletas brasileiros que provavelmente vão crescendo a cada ano, isso é algo muito lindo. E tudo isso representa meu propósito na vida”.

Giovanni Ongaro: A melhor marca brasileira no slalom

Giovanni Ongaro foi o único brasileiro a completar a prova de slalom masculino, alcançando a 27ª posição e estabelecendo a melhor marca de um compatriota nesta disciplina em Jogos de Inverno. Nascido em Clusone, na Itália, Ongaro tem mãe brasileira e representa o Brasil, demonstrando a forte conexão do país com atletas de origem diversa.

Na primeira descida, Ongaro completou o percurso em 1min04s66. Na segunda, ele aprimorou seu tempo, registrando 1min02s21, totalizando 2min06s87. O resultado supera o 39º lugar obtido por Maya Harrison no slalom feminino em Sochi, em 2014, consolidando a evolução do esqui alpino brasileiro.

Apesar de não ter atingido seu melhor desempenho na primeira etapa, Giovanni celebrou sua performance na segunda descida: “Não fiquei tão feliz pela primeira descida, porque não consegui esquiar muito veloz. Mas a segunda descida foi boa e fiquei feliz por ela. Agora vou celebrar com minha família e os fãs brasileiros e italianos”, declarou ao COB.

A prova de slalom masculino contou com a participação de 96 atletas, mas apenas 44 conseguiram finalizar a primeira parte do percurso, evidenciando a alta dificuldade da competição. A consistência de Ongaro em concluir ambas as descidas e obter sua melhor marca pessoal reforça o potencial brasileiro na modalidade.

Estreia no bobsled: Dupla brasileira busca consolidação

Além do esqui alpino, o Brasil também fez sua estreia nos Jogos de Inverno na modalidade bobsled, na prova 2-man. A dupla formada pelo baiano Edson Bindilatti e o paulista Luís Bacca iniciou sua participação com o objetivo de ganhar experiência e buscar um bom resultado.

A disputa do bobsled é composta por quatro descidas, divididas em dois dias. O tempo total acumulado determina a classificação. Após as duas primeiras baterias, Edson e Luís ocupam a 24ª posição, com o tempo total de 1min53s76. A liderança provisória pertence aos alemães Johannes Lochner e Georg Fleischhauer, com 1min49s90.

A terceira descida está agendada para esta terça-feira (17), às 15h (horário de Brasília). Para ter a chance de competir na quarta e última bateria, a dupla brasileira precisa alcançar, no mínimo, a 20ª posição. A meta é evoluir a cada descida e aprender com a experiência.

Edson Bindilatti ressaltou a importância da competição como aprendizado: “O push [largada do bobsled, em que os atletas correm empurrando o trenó] continua sendo competitivo. Acho que agora é ver os vídeos, entender mais o que fizemos, o que erramos, o que podemos melhorar. É tentar ser melhor ainda amanhã [terça]. Isso aqui é um treino de luxo para o nosso 4-man”, afirmou ao COB. A dupla também disputará a prova 4-man nos próximos sábado (21) e domingo (22).