Bahia
Vendas do Varejo na Bahia Mantêm Estabilidade em Novembro, Abaixo da Média Nacional
Vendas do Varejo na Bahia Registram Estabilidade em Novembro, Indicando Recuperação Lenta As vendas do comércio varejista na Bahia apresentaram uma modesta estabilidade de 0,2% em
Vendas do Varejo na Bahia Registram Estabilidade em Novembro, Indicando Recuperação Lenta
As vendas do comércio varejista na Bahia apresentaram uma modesta estabilidade de 0,2% em novembro de 2025, quando comparadas ao mês imediatamente anterior. Esse resultado colocou o desempenho estadual abaixo da média nacional, que alcançou um crescimento de 1,0% no mesmo período. A análise dos dados revela um cenário de recuperação gradual, mas que ainda enfrenta desafios.
Em contrapartida, na comparação anual, as vendas na Bahia demonstraram uma variação positiva de 2,8% em relação a novembro de 2024. Esse movimento de expansão se mantém pela oitava vez consecutiva, superando o índice nacional de 1,3%. No acumulado do ano até novembro, a Bahia registrou um crescimento de 2,2%, enquanto o Brasil acumulou 1,5%.
Os dados são provenientes da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e analisados pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), uma autarquia ligada à Secretaria do Planejamento do estado. A análise detalhada desses números oferece um panorama sobre a saúde do setor varejista e os fatores que influenciam seu desempenho.
Confiança do Consumidor e Fatores Econômicos Influenciam o Desempenho
A estabilidade observada nas vendas varejistas baianas em novembro pode ser atribuída, em parte, à melhora na expectativa do consumidor. Segundo dados da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) do FGV IBRE registrou um aumento de 1,3 ponto, atingindo 89,8 pontos. Esse avanço foi impulsionado pela manutenção do fortalecimento do mercado de trabalho e por um alívio na pressão inflacionária.
Adicionalmente, o período de novembro é tradicionalmente aquecido para o setor, com contratações temporárias para as festas de fim de ano. No entanto, a conjuntura econômica ainda apresenta obstáculos significativos. A elevada taxa de juros e os altos níveis de endividamento e inadimplência das famílias continuam a atuar como um freio no consumo. A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), elaborada mensalmente pela Fecomércio-BA, aponta um cenário preocupante.
O percentual de famílias endividadas na Bahia atingiu 76,2% em novembro, um recorde histórico na série com mais de 15 anos, superando os 74,6% registrados em outubro. A inadimplência também seguiu em trajetória ascendente, crescendo pelo quarto mês consecutivo e alcançando 27,1% das famílias baianas. Esses indicadores demonstram a fragilidade financeira de uma parcela considerável da população, impactando diretamente o poder de compra.
Black Friday e Fatores de Crescimento Anual nas Vendas Varejistas
O crescimento das vendas varejistas na Bahia, quando comparado a novembro de 2024, pode ser explicado por uma combinação de fatores. A antecipação do pagamento de parcelas do décimo terceiro salário, o alívio na inflação e a estratégia da Black Friday, utilizada pelos lojistas para atrair consumidores, contribuíram para o resultado positivo.
Setores associados ao Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV) relataram crescimento nas vendas durante a semana de preços baixos, impulsionado pelo lançamento de novos produtos, descontos mais agressivos e condições especiais de pagamento. Contudo, o impacto total da Black Friday em 2025 não atingiu as expectativas mais otimistas, com um crescimento que, embora positivo, não superou o desempenho do varejo no mesmo mês do ano anterior, que registrou 5,4% de alta.
A força da data promocional, apesar de impulsionar as vendas pontualmente, não foi suficiente para compensar as dificuldades estruturais que afetam o consumo a médio e longo prazo, como o endividamento e a inflação persistente em alguns setores. A análise detalhada por segmento revela quais atividades mais se beneficiaram.
Setores que Impulsionaram o Crescimento Anual e o Comércio Ampliado
Na análise das atividades varejistas, o aumento verificado em novembro de 2025, em comparação com o ano anterior, foi impulsionado principalmente por três segmentos. Os Combustíveis e lubrificantes registraram um crescimento expressivo de 8,5%. O setor de Hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo apresentou alta de 2,2%, demonstrando a resiliência do consumo de itens essenciais.
Já o segmento de Móveis e eletrodomésticos obteve um crescimento de 6,2%. A menor pressão de preços em alguns desses itens é apontada como um fator chave para justificar o bom desempenho. A estabilização ou até mesmo a queda em alguns preços contribuiu para a recuperação da demanda nesses setores específicos, atraindo consumidores que buscavam realizar compras de maior valor.
No que se refere ao comércio varejista ampliado, que engloba o varejo restrito mais as atividades de Veículos, motocicletas, partes e peças, Material de construção e Atacado especializado em produtos alimentícios, bebidas e fumo, as vendas se mantiveram praticamente estáveis (-0,2%) em relação ao mês anterior. Na comparação com novembro de 2024, o crescimento foi de 1,8%, um resultado que não foi suficiente para reverter a trajetória negativa do acumulado do ano, que registra uma queda de 0,3%.
Ainda no varejo ampliado, o indicador foi positivamente influenciado pela atividade de Atacado especializado em produtos alimentícios, bebidas e fumo, que apresentou um crescimento de 7,4% em relação ao ano anterior. Esse resultado é atribuído à deflação observada nos preços de itens da cesta básica, como arroz e feijão, que tornaram esses produtos mais acessíveis e impulsionaram as vendas no atacado. A política de preços e a oferta desses produtos no mercado foram determinantes para esse desempenho.


