Política
Lula e Macron reforçam laços em defesa, ciência e comércio; acordo Mercosul-UE em foco
Lula e Macron estreitam relações em Nova Delhi, focando em defesa, ciência e comércio Em um encontro bilateral estratégico à margem da Cúpula sobre Impacto da Inteligência Artifici
Lula e Macron estreitam relações em Nova Delhi, focando em defesa, ciência e comércio
Em um encontro bilateral estratégico à margem da Cúpula sobre Impacto da Inteligência Artificial em Nova Delhi, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente francês, Emmanuel Macron, alinharam agendas em áreas cruciais como defesa, ciência e tecnologia, e comércio.
A reunião, ocorrida nesta quinta-feira (19), destacou a importância da cooperação entre Brasil e França para o desenvolvimento mútuo e para a abordagem de desafios globais. Ambos os líderes reconheceram que o intercâmbio comercial entre os países, apesar de ter atingido um recorde de US$ 10,3 bilhões, ainda está aquém do potencial das duas economias.
Além dos temas bilaterais, a conversa entre Lula e Macron abrangeu questões de relevância internacional, incluindo paz, segurança e a governança da inteligência artificial. O convite de Macron para que Lula participe da Cúpula do G7 na França, em junho, sinaliza o fortalecimento da relação diplomática.
Diálogo bilateral e desafios transfronteiriços
Conforme informações divulgadas pelo Palácio do Planalto, a conversa entre Lula e Macron abordou a intensificação da cooperação em defesa, um setor com potencial de crescimento significativo. A área de ciência e tecnologia também foi um ponto central, com foco em colaboração para o avanço e a aplicação responsável de novas tecnologias.
No âmbito comercial, apesar do recorde alcançado, ambos os presidentes concordaram que há espaço para expandir as trocas. A análise conjunta aponta para a necessidade de estratégias mais eficazes para superar as barreiras e impulsionar o fluxo de bens e serviços entre Brasil e França.
Um aspecto importante da discussão foi a integração transfronteiriça e os esforços conjuntos para combater o crime organizado. O foco recaiu sobre o combate ao narcotráfico, ao garimpo ilegal e a outras formas de criminalidade que afetam a região de fronteira entre o Amapá e a Guiana Francesa, demandando ações coordenadas entre os dois países.
Inteligência Artificial e a agenda global
A participação de Lula na Cúpula sobre Impacto da Inteligência Artificial, em Nova Delhi, sublinhou a relevância que o Brasil atribui à discussão sobre a segurança, governança e colaboração global no desenvolvimento e uso desta tecnologia transformadora.
A inteligência artificial foi um dos temas centrais na agenda global discutida por Lula e Macron. A troca de ideias sobre como garantir que o desenvolvimento e a aplicação da IA sejam benéficos para a humanidade, respeitando direitos e promovendo a inclusão, foi fundamental.
O convite de Emmanuel Macron para que o presidente brasileiro participe da Cúpula do G7, que ocorrerá em Evian, na França, entre os dias 15 e 16 de junho, demonstra o reconhecimento da importância da liderança brasileira em fóruns internacionais e a busca por um diálogo mais amplo sobre os rumos da economia e da geopolítica mundial.
Acordo Mercosul-União Europeia: Brasil e Croácia em sintonia
Em uma agenda paralela, o presidente Lula reuniu-se com o primeiro-ministro da Croácia, Andrej Plenković, para discutir a implementação do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia.
Ao contrário da posição de Macron, que expressou reservas em relação ao acordo, Lula e Plenković compartilharam a expectativa de que o instrumento possa entrar em vigor o quanto antes. Ambos enfatizaram a importância estratégica do acordo em um contexto global de crescente unilateralismo e protecionismo comercial, conforme destacado em nota da Presidência brasileira.
Após mais de duas décadas de negociações, o acordo foi formalmente assinado em janeiro deste ano, em Assunção, Paraguai. Ele visa criar a maior zona de livre comércio do mundo, com a eliminação gradual de tarifas de importação para mais de 90% do comércio bilateral, abrangendo bens industriais e agrícolas.
Apesar do apoio de setores industriais, o acordo enfrenta resistência de agricultores europeus, incluindo os franceses, que temem a concorrência de produtos sul-americanos. A eliminação de tarifas alfandegárias é um dos pontos de maior preocupação para esses setores.
A internalização do acordo depende da aprovação pelos congressos nacionais de cada país do Mercosul e pelo Parlamento Europeu. No entanto, a possível análise do acordo pelo Tribunal de Justiça da União Europeia pode atrasar essa etapa final em até dois anos, adicionando um elemento de incerteza ao processo.
Outros encontros e agendas internacionais
Durante sua estadia em Nova Delhi, o presidente Lula também teve um encontro com o presidente do Sri Lanka, Anura Kumara Dissanayake. A pauta incluiu a análise dos cenários econômicos de ambos os países e a necessidade de aumentar o comércio bilateral.
Ambos os líderes concordaram em elaborar uma pauta abrangente de cooperação, que deverá incluir os setores de turismo, agricultura e comércio, visando fortalecer os laços econômicos. Em 2025, o comércio bilateral entre Brasil e Sri Lanka atingiu US$ 188 milhões, um valor inferior ao recorde de US$ 210 milhões registrado em 2016.
Lula aproveitou a oportunidade para convidar o presidente cingalês a visitar o Brasil em uma data a ser definida, reforçando o interesse em aprofundar as relações diplomáticas e comerciais entre as nações.
O presidente brasileiro chegou a Nova Delhi na quarta-feira (18) e sua agenda na capital indiana inclui a participação em um fórum empresarial e uma visita de Estado com o primeiro-ministro Narendra Modi, com a expectativa de assinatura de diversos acordos.
Após sua visita à Índia, que se estende até sábado (21), Lula seguirá para Seul, na Coreia do Sul. Entre os dias 22 e 24 de fevereiro, o presidente brasileiro terá encontros com o presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, e com executivos de importantes empresas sul-coreanas, ampliando sua agenda internacional e buscando novas oportunidades de cooperação e investimento.


