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Janeiro Branco: Creasi Intensifica Debate Sobre Saúde Mental e Depressão em Idosos na Bahia
Creasi Intensifica Debate Sobre Saúde Mental e Depressão em Idosos na Bahia A campanha Janeiro Branco, dedicada à promoção da saúde mental em todo o Brasil, ganha destaque especial
Janeiro Branco: Creasi Intensifica Debate Sobre Saúde Mental e Depressão em Idosos na Bahia
A campanha Janeiro Branco, dedicada à promoção da saúde mental em todo o Brasil, ganha destaque especial nas ações do Centro de Referência Estadual de Atenção à Saúde do Idoso (Creasi) na Bahia. A iniciativa visa conscientizar a população idosa, seus familiares e cuidadores sobre a prevenção do adoecimento psíquico, com um foco particular na depressão, que afeta significativamente essa faixa etária.
O Creasi tem promovido uma série de atividades educativas e de orientação, reforçando a importância de hábitos saudáveis e do acompanhamento profissional. A programação inclui dicas sobre dieta equilibrada, prática de exercícios físicos, fortalecimento de vínculos sociais e o manejo de doenças crônicas, além de incentivar a busca por ajuda em casos de sintomas de depressão e ansiedade.
Essas ações se somam ao atendimento humanizado que o Creasi já oferece ao longo do ano, especialmente para idosos frágeis ou em risco de fragilização, e com declínio funcional estabelecido. A saúde mental é um componente crucial para a qualidade de vida e funcionalidade dos idosos, e sua identificação precoce é fundamental.
De acordo com dados da última Pesquisa Nacional de Saúde realizada pelo IBGE, a depressão é a principal causa de adoecimento mental no Brasil. A faixa etária de 60 a 64 anos apresenta a maior proporção de casos, com 13,2%, sendo que as mulheres (14,7%) são mais afetadas do que os homens (5,1%).
Fatores que Contribuem para a Depressão na Terceira Idade
A psicóloga Maria Luiza Silva aponta que diversos fatores, tanto internos quanto externos, podem favorecer o desenvolvimento da depressão em idosos. O declínio físico natural da idade é um dos principais contribuintes. A perda de vitalidade, o surgimento de doenças crônicas que limitam a mobilidade e a consequente dependência de terceiros para tarefas diárias, antes realizadas com autonomia, podem gerar sentimentos de frustração e desvalorização.
A solidão e a falta de suporte familiar também desempenham um papel crucial. Muitas vezes, um único familiar assume a responsabilidade pelo cuidado do idoso, o que pode levar a um sobrecarregamento e, em alguns casos, ao adoecimento do próprio cuidador. Essa dinâmica pode intensificar o isolamento do idoso, exacerbando sentimentos depressivos.
Fatores socioeconômicos e ambientais também impactam negativamente a saúde mental dos idosos. Condições precárias de vida, como baixa qualidade de moradia, alimentação inadequada e privações, contribuem para o quadro de adoecimento mental. A violência, em suas diversas formas – psicológica ou física – vivenciada no ambiente doméstico, agrava ainda mais a situação, podendo levar a quadros depressivos severos.
Em situações extremas, a depressão não tratada pode evoluir para pensamentos suicidas. Na Bahia, dados do Painel de Monitoramento da Mortalidade indicam que, em 2025, 91 pessoas com idade entre 60 e mais de 80 anos faleceram devido a lesões autoprovocadas intencionalmente, evidenciando a gravidade do problema e a necessidade de atenção especializada.
A Importância da Identificação Precoce e do Acompanhamento Profissional
A psicóloga Fabiana Feldman ressalta a importância de observar atentamente as manifestações da depressão em pacientes idosos, que podem diferir daquelas apresentadas por adultos mais jovens. É fundamental avaliar se o idoso está se isolando socialmente, se perdeu o interesse em atividades que antes lhe davam prazer, se passa a maior parte do tempo deitado, sem conseguir realizar tarefas cotidianas como cozinhar ou cuidar de netos, ou se desenvolveu dores crônicas como consequência do adoecimento mental.
Esses sinais indicam um sofrimento psíquico que pode comprometer significativamente a autonomia e a qualidade de vida do idoso. Os profissionais da Atenção Primária à Saúde, responsáveis pelo acompanhamento contínuo dos pacientes, têm um papel vital na identificação desses agravos. Quando um declínio na saúde mental é constatado, o encaminhamento para serviços especializados é essencial.
O Creasi facilita esse acesso através do TeleCreasi, utilizando a plataforma Telessaúde para o encaminhamento de pacientes. Essa integração entre os níveis de atenção à saúde garante que os idosos recebam o suporte necessário para lidar com questões de saúde mental, promovendo um envelhecimento mais saudável e digno.
O Papel do SUS no Cuidado com a Saúde Mental de Idosos
O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece uma rede de apoio robusta para o tratamento psicológico e psiquiátrico gratuito para a população, incluindo os idosos. O acesso a esses serviços geralmente se inicia nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e nas Unidades de Saúde da Família (USF), que realizam o encaminhamento para psicólogos e psiquiatras da rede.
Além disso, os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) oferecem atendimento especializado com equipes multidisciplinares, proporcionando um cuidado integral e humanizado. Esses centros são fundamentais para o tratamento de transtornos mentais mais complexos e para o acompanhamento contínuo dos pacientes, promovendo a reinserção social e a melhora da qualidade de vida.
Outra importante fonte de apoio emocional é o Centro de Valorização da Vida (CVV), que oferece atendimento 24 horas por dia, sete dias por semana, através do telefone 188 ou pelo chat online. O CVV proporciona um espaço seguro para que as pessoas possam conversar sobre seus sentimentos e dificuldades, recebendo escuta qualificada e apoio incondicional, sem julgamentos.
Na Bahia, diversas instituições de ensino superior, tanto públicas quanto privadas, dispõem de Clínicas-Escola de Psicologia que oferecem atendimento gratuito ou a baixo custo para a comunidade. A Universidade Federal da Bahia (UFBA), por exemplo, conta com o Serviço de Psicologia (IPSS), que estende seus serviços à população em geral, reforçando o compromisso com a saúde mental e o bem-estar da sociedade.
Estratégias de Prevenção e Promoção da Saúde Mental
A campanha Janeiro Branco reforça a importância de um conjunto de práticas que contribuem para a manutenção da saúde mental em todas as idades, mas que ganham contornos ainda mais relevantes na terceira idade. Uma dieta balanceada, rica em nutrientes, é fundamental para o bom funcionamento do cérebro e para a prevenção de doenças que podem afetar o humor e o bem-estar.
A prática regular de exercícios físicos, adaptados às condições de cada idoso, não só fortalece o corpo, mas também libera endorfinas, neurotransmissores associados à sensação de prazer e bem-estar, auxiliando no combate à depressão e à ansiedade. Atividades como caminhadas leves, alongamentos e hidroginástica são excelentes opções.
O fortalecimento dos laços sociais é outro pilar essencial. Manter contato com amigos, familiares e participar de atividades em grupo, como clubes de idosos ou grupos de convivência, combate a solidão e promove um senso de pertencimento. A interação social estimula a mente e contribui para a manutenção da saúde cognitiva e emocional.
O gerenciamento de doenças crônicas, como diabetes, hipertensão e cardiopatias, é igualmente importante. Acompanhamento médico regular, adesão ao tratamento e adoção de hábitos de vida saudáveis são cruciais para evitar complicações que possam impactar a saúde mental. Doenças crônicas podem gerar dor, limitações e preocupações constantes, fatores que, se não bem administrados, podem desencadear quadros depressivos.
Por fim, é fundamental que a sociedade como um todo esteja atenta aos sinais de sofrimento psíquico em idosos e incentive a busca por ajuda profissional. O estigma em torno das doenças mentais ainda é uma barreira significativa, e a conscientização promovida por campanhas como o Janeiro Branco é vital para encorajar as pessoas a procurarem o apoio necessário sem receio ou vergonha. O cuidado com a saúde mental é um direito e uma necessidade para um envelhecimento com qualidade de vida e dignidade.


