Bahia

Estudantes Baianas Criam Bala de Mel com Plantas Medicinais para Aliviar Sintomas Respiratórios

Doenças respiratórias como gripes e resfriados são queixas frequentes na população, trazendo consigo sintomas incômodos como dor de garganta, tosse e espirros.

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Estudantes Baianas Criam Bala de Mel com Plantas Medicinais para Aliviar Sintomas Respiratórios

Doenças respiratórias como gripes e resfriados são queixas frequentes na população, trazendo consigo sintomas incômodos como dor de garganta, tosse e espirros. Em busca de soluções mais naturais e acessíveis para o alívio desses desconfortos, duas estudantes do Centro Estadual de Educação Profissional em Alimentos e Recursos Naturais Pio XII, em Jaguaquara, Bahia, desenvolveram um produto inovador: balas de mel fortificadas com extratos de plantas medicinais.

Dandara Bastos e Stefany Brito, com a orientação da professora Polyanna Oliveira, conceberam duas formulações distintas de balas, ambas à base de mel, uma matéria-prima conhecida por suas propriedades terapêuticas. A iniciativa visa oferecer uma alternativa complementar aos tratamentos convencionais, aproveitando os benefícios das plantas que possuem um histórico de uso popular e, em muitos casos, respaldo científico.

O projeto, que surgiu da observação da dependência de medicamentos industrializados e chás tradicionais, busca democratizar o acesso a tratamentos naturais. A ideia é que as balas de mel se tornem uma opção prática e saborosa para o cuidado com a saúde, especialmente durante os períodos de maior incidência de doenças respiratórias. O trabalho das estudantes já chamou a atenção em eventos científicos, abrindo portas para o empreendedorismo e a inovação.

Conforme informações divulgadas pelo projeto Bahia Faz Ciência, o desenvolvimento destas balas representa um avanço na busca por produtos funcionais e naturais, alinhados com a crescente demanda do mercado por soluções que promovam bem-estar de forma integrada.

A Ciência por Trás das Balas de Mel Medicinai

A pesquisa das jovens cientistas Dandara Bastos e Stefany Brito, ambas concluintes do curso técnico em Nutrição e Dietética, resultou em duas versões de balas de mel com propriedades medicinais. A primeira formulação combina o mel com extratos de guaco (Mikania glomerata) e gengibre (Zingiber officinale). O guaco é amplamente reconhecido por suas propriedades expectorantes e broncodilatadoras, sendo um aliado no combate à tosse e a bronquite. Já o gengibre, conhecido por suas ações anti-inflamatórias e antioxidantes, contribui para o alívio da dor de garganta e para o fortalecimento do sistema imunológico.

A segunda variação das balas leva em sua composição calêndula (Calendula officinalis) e erva-doce (Pimpinella anisum). A calêndula é valorizada por suas propriedades anti-inflamatórias e cicatrizantes, sendo útil no alívio de inflamações na garganta e na boca. A erva-doce, por sua vez, é tradicionalmente utilizada como calmante, expectorante e digestiva, auxiliando na redução da tosse e promovendo relaxamento, o que pode ser benéfico em quadros de mal-estar geral associados a gripes e resfriados.

A escolha dessas plantas não foi aleatória. Elas foram selecionadas com base em seu uso tradicional e em estudos científicos que comprovam seus benefícios para a saúde respiratória e geral. O mel, como base, potencializa a ação das plantas, além de conferir um sabor agradável e propriedades antibacterianas e antioxidantes.

Uma Alternativa Prática e Acessível à Saúde

Dandara Bastos explica que a motivação principal para o desenvolvimento das balas de mel foi a busca por uma forma mais prática e acessível de consumir ingredientes com benefícios à saúde. “O projeto nasceu da observação de que muitas pessoas recorrem apenas a remédios industrializados ou aos chás tradicionais para tratar problemas respiratórios. Pensamos em criar uma alternativa complementar mais prática, que pudesse auxiliar no cuidado com a saúde de forma natural”, relatou Dandara.

Essa visão de criar uma alternativa complementar se alinha com a tendência crescente de busca por produtos que atuem em sinergia com o corpo, sem necessariamente substituir tratamentos médicos quando estes são necessários. As balas de mel oferecem uma maneira discreta e conveniente de administrar os compostos bioativos das plantas medicinais, tornando o cuidado com a saúde mais integrado ao dia a dia.

A praticidade das balas é um diferencial importante. Diferentemente dos chás, que exigem preparo, ou de xaropes, que podem ter um sabor menos agradável para alguns, as balas são de fácil consumo a qualquer hora e lugar. Isso as torna ideais para pessoas com rotinas agitadas, estudantes, trabalhadores e até mesmo para crianças que possam ter dificuldade em ingerir líquidos medicados.

Potencial de Empreendedorismo e Inovação

A professora Polyanna Oliveira, que atua como orientadora e incentiva a participação dos jovens no fazer científico, enxerga um grande potencial de empreendedorismo no produto criado pelas estudantes. “Vemos potencial tanto para solicitar patente quanto para empreender, já que o mercado busca cada vez mais produtos naturais e funcionais. A ideia é que, futuramente, a bala possa se tornar uma fonte de renda extra ou até principal”, afirmou a professora.

O mercado de produtos naturais e funcionais tem apresentado um crescimento expressivo nos últimos anos. Consumidores estão cada vez mais conscientes sobre a importância da saúde e buscam alternativas que promovam o bem-estar de forma preventiva e terapêutica. As balas de mel com plantas medicinais se encaixam perfeitamente nesse cenário, oferecendo um produto inovador que une tradição, ciência e praticidade.

O potencial de patenteamento sugere que a formulação e o processo de fabricação das balas podem apresentar características únicas que as diferenciam de produtos existentes no mercado. Isso reforça o caráter inovador da pesquisa desenvolvida pelas estudantes e abre caminhos para a proteção intelectual da invenção. A possibilidade de se tornar uma fonte de renda, seja extra ou principal, demonstra a viabilidade econômica do projeto.

Próximos Passos e Expansão do Projeto

O projeto ganhou destaque no Encontro Estudantil, promovido pela Secretaria da Educação, em Salvador, o que impulsionou a dupla a planejar os próximos passos para aprimorar a ideia inovadora. “As próximas etapas envolvem o aprofundamento dos testes, possíveis ajustes na formulação, análises mais detalhadas sobre conservação e aceitação do produto, além de estudos voltados à viabilidade de comercialização”, garantiu Dandara Bastos.

O aprofundamento dos testes é crucial para validar cientificamente a eficácia das balas no alívio dos sintomas respiratórios e para garantir a segurança do consumo. Ajustes na formulação podem ser necessários para otimizar a concentração dos princípios ativos das plantas, o sabor e a textura das balas. A análise de conservação é fundamental para determinar o prazo de validade do produto e as condições ideais de armazenamento, garantindo que ele mantenha suas propriedades ao longo do tempo.

A aceitação do produto pelo público consumidor é outro ponto chave. Testes de degustação e pesquisa de mercado ajudarão a entender as preferências dos consumidores em relação ao sabor, doçura e embalagem. Por fim, os estudos de viabilidade de comercialização abrangerão aspectos como custos de produção, precificação, canais de distribuição e estratégias de marketing, preparando o terreno para que as balas de mel possam, de fato, chegar ao mercado e beneficiar um número maior de pessoas.

Bahia Faz Ciência: Promovendo a Inovação no Estado

A iniciativa das estudantes Dandara Bastos e Stefany Brito faz parte de um contexto maior de incentivo à ciência e inovação no estado da Bahia. O projeto Bahia Faz Ciência, da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), estreou em julho de 2019 com o objetivo de dar visibilidade a pesquisas e trabalhos desenvolvidos por cientistas baianos.

A série de reportagens busca mostrar como a ciência, a tecnologia e a inovação desenvolvidas no estado contribuem para a melhoria da qualidade de vida da população em diversas áreas, como saúde, educação e segurança. As matérias são divulgadas semanalmente, às segundas-feiras, para a mídia baiana e estão disponíveis no site e nas redes sociais da Secti.

Projetos como o das estudantes do Centro Pio XII exemplificam o potencial criativo e científico presente nas instituições de ensino do estado. Ao fomentar a pesquisa e a inovação desde cedo, a Bahia se posiciona como um polo de desenvolvimento tecnológico e científico, capaz de gerar soluções para desafios locais e globais. Para quem conhece algum assunto que possa virar pauta, as recomendações podem ser feitas através do e-mail ascom@secti.ba.gov.br.