Saúde
Vacina Brasileira Contra Dengue: Proteção por 5 Anos Confirmada em Estudo Inédito do Butantan
Vacina brasileira contra a dengue mantém alta eficácia por até 5 anos, aponta estudo do Butantan Uma descoberta promissora para a saúde pública brasileira foi divulgada pelo Instit
Vacina brasileira contra a dengue mantém alta eficácia por até 5 anos, aponta estudo do Butantan
Uma descoberta promissora para a saúde pública brasileira foi divulgada pelo Instituto Butantan: a vacina nacional contra a dengue, Butantan-DV, garante proteção eficaz por, no mínimo, cinco anos após sua aplicação. O imunizante, que já está sendo aplicado em profissionais de saúde, demonstrou resultados significativos em um estudo recente.
A pesquisa confirmou que nenhum indivíduo vacinado desenvolveu dengue grave ou necessitou de hospitalização devido à doença durante o período de acompanhamento. Essa constatação reforça a importância da vacina como ferramenta de combate a uma das arboviroses mais preocupantes no país.
Os dados foram publicados na renomada revista científica Nature Medicine e são fruto do acompanhamento de mais de 16 mil pacientes, sendo cerca de 10 mil vacinados e quase 6 mil recebendo placebo. O estudo, que também avaliou a segurança da vacina, não identificou preocupações a longo prazo, sendo a Butantan-DV bem tolerada pela maioria dos participantes. Conforme informação divulgada pelo Instituto Butantan, a eficácia da vacina contra as formas graves da dengue, ou a infecção acompanhada de sinais de alerta, atingiu 80,5%.
Dose única: um diferencial estratégico
A diretora médica do Butantan, Fernanda Boulos, destacou o pioneirismo da vacina Butantan-DV como a primeira do mundo contra a dengue administrada em uma única dose. Essa característica é fundamental, pois vacinas que exigem múltiplas doses frequentemente enfrentam desafios de adesão, com muitos pacientes não completando o esquema vacinal.
“Vacinas que precisam de duas ou mais doses, a gente tem vários dados que mostram que muitas pessoas não voltam para completar o esquema. Então, essa demonstração de que uma única dose mantém a proteção alta é muito importante”, explicou Boulos. Ela ressaltou, contudo, que o acompanhamento continuará para determinar a necessidade futura de doses de reforço, possivelmente após 10 ou 20 anos.
Eficácia por faixa etária e em quem já teve dengue
A eficácia geral da vacina contra a dengue foi de 65%. No entanto, o índice sobe para 77,1% entre as pessoas que já contraíram a doença anteriormente. Essa informação é crucial, pois sugere uma resposta imune potencialmente mais robusta em indivíduos com histórico prévio de infecção.
O estudo também revelou variações na eficácia entre diferentes faixas etárias. Observou-se uma maior efetividade em adultos e adolescentes quando comparada a crianças. Por essa razão, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro da Butantan-DV apenas para pessoas entre 12 e 59 anos, embora a vacina tenha sido testada em crianças a partir de 2 anos.
Ampliação para crianças e idosos em andamento
A Anvisa reconhece a segurança dos dados em crianças, mas a menor eficácia a longo prazo nesse grupo, comparada aos adultos, motivou a restrição inicial. “Eles reconhecem que os dados de segurança para crianças estão corretos, mas como depois de cinco anos, a eficácia entre as crianças cai mais do que entre os adultos, nós precisamos saber se elas vão precisar de reforço”, detalhou Fernanda Boulos.
O Butantan já planeja, em colaboração com a Anvisa, um estudo adicional focado em crianças para viabilizar a inclusão deste público no futuro. Paralelamente, testes estão sendo conduzidos em idosos, com resultados esperados para o próximo ano. A pesquisa busca entender se o sistema imunológico envelhecido dos idosos responde de forma eficaz à vacina.
Segurança e importância estratégica para o Brasil
Juarez Cunha, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIM), enfatizou a importância da inclusão de idosos, grupo com alta taxa de mortalidade por dengue. Ele também reiterou os resultados positivos quanto à segurança da vacina. “Ele nos mostra que a vacina se mantém protetora por um prazo bastante longo, e é extremamente segura. E esse também é um aspecto fundamental”, afirmou.
A capacidade de desenvolver uma vacina nacional de ponta, eficaz e segura, é vista como um trunfo estratégico para o Brasil. “Em termos estratégicos é fundamental que a gente tenha uma pesquisa nacional conseguindo chegar a esses produtos de ponta, eficazes e seguros. Possibilita que a gente consiga abastecer mais fácil o nosso Programa Nacional de Imunizações e também é um ativo de negociação com outros países”, destacou Cunha.
A prioridade absoluta do Butantan é abastecer o Sistema Único de Saúde (SUS). Contudo, após a demanda nacional ser atendida, a instituição pública visa negociar a venda de doses para outros países, especialmente na América Latina, que também enfrentam epidemias de dengue.


