Bahia
Guia de Acessibilidade para Museus é Lançado na Bahia Durante Mostra do Prêmio Pierre Verger
Guia Inovador Promove Acessibilidade Visual em Museus O Museu de Arte da Bahia (MAB) foi palco, na última sexta-feira (27), do lançamento do Guia Digital para Acessibilidade de Pes
Guia Inovador Promove Acessibilidade Visual em Museus
O Museu de Arte da Bahia (MAB) foi palco, na última sexta-feira (27), do lançamento do Guia Digital para Acessibilidade de Pessoas com Deficiência Visual nos Museus. A iniciativa, que integra a programação da 10ª edição do Prêmio Nacional de Fotografia Pierre Verger, busca oferecer ferramentas práticas para que pessoas cegas ou com baixa visão possam fruir e compreender exposições de arte de forma mais plena e autônoma.
Desenvolvido pelo audiodescritor e assessor de artes visuais da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb), Juniro Formiga, o guia reúne técnicas essenciais para a inclusão, abordando desde a orientação de mobilidade até a descrição detalhada de imagens e obras de arte. O material estará disponível gratuitamente em formato digital e audiolivro no site da Funceb.
O lançamento contou com um bate-papo com especialistas e uma visita guiada à exposição do prêmio, demonstrando a aplicação das novas diretrizes de acessibilidade. A expectativa é que o guia se torne um recurso valioso para profissionais da cultura e para o público em geral, ampliando o alcance e o impacto das instituições museológicas.
Conforme informações divulgadas pela Ascom/Funceb, o evento sublinha o compromisso com a democratização do acesso à cultura e a valorização da diversidade no ambiente museológico.
Ferramentas Práticas para Inclusão e Fruição Artística
O Guia Digital para Acessibilidade de Pessoas com Deficiência Visual nos Museus foi concebido para ser um recurso prático e acessível, com linguagem simples e recursos visuais como letras ampliadas e contraste de cores. Seu objetivo principal é capacitar tanto as equipes que atuam nos museus quanto outros profissionais ligados à área cultural, como gestores, jornalistas, mediadores, pesquisadores e estudantes.
O material, com 68 páginas, aborda desde a terminologia correta para se referir a pessoas com deficiência até técnicas detalhadas para a descrição de imagens, tanto estáticas, como fotografias e obras de arte, quanto dinâmicas, como vídeos. Essas descrições são aplicáveis não apenas em exposições físicas, mas também nas redes sociais, ampliando o alcance digital das instituições culturais.
“O guia apresenta práticas acessíveis que contribuem para a inclusão de pessoas com deficiência visual, a exemplo de orientação de mobilidade, sobre como conduzir uma pessoa cega ou com baixa visão durante uma exposição e técnicas de descrição de imagens”, explica Juniro Formiga, autor do guia. Ele detalha que, na ausência de recursos como a audiodescrição, o mediador pode utilizar o conhecimento adquirido no guia para fornecer um mínimo de informação acessível.
Além da descrição de imagens, o guia explora a linguagem cinematográfica aplicada a vídeos, a descrição pessoal para apresentações mais inclusivas e técnicas de orientação e mobilidade. O foco é ensinar como um guia vidente pode acompanhar adequadamente uma pessoa com deficiência visual em espaços museológicos, garantindo segurança e autonomia.
Diálogo e Experiências: A Voz das Pessoas com Deficiência Visual
O evento de lançamento incluiu um momento de diálogo enriquecedor, com um bate-papo mediado pelo próprio autor, Juniro Formiga. Participaram do encontro a multiartista e consultora em audiodescrição Ira Vilaronga, e a consultora em audiodescrição Kátia Sales, ambas com deficiência visual. Elas atuaram como consultoras na elaboração do guia, trazendo suas perspectivas e experiências.
Vilaronga e Sales compartilharam com o público suas vivências como pessoas com deficiência visual e baixa visão, destacando a importância do guia para a promoção da inclusão. Elas também abordaram como as políticas públicas voltadas para este tema têm transformado a experiência de acesso à cultura, reconhecendo a relevância da acessibilidade como um direito fundamental.
O bate-papo proporcionou uma oportunidade única para que o público compreendesse a fundo as necessidades e os desafios enfrentados por pessoas com deficiência visual em ambientes culturais. A troca de saberes entre os especialistas e o público presente reforçou a importância de iniciativas como o guia lançado, que visam a criação de espaços mais acolhedores e democráticos.
A presença e a contribuição de Ira Vilaronga e Kátia Sales foram fundamentais para validar as práticas propostas no guia, assegurando que as técnicas desenvolvidas atendam às reais necessidades da comunidade com deficiência visual. Suas falas ressaltaram a importância de ouvir e incluir as pessoas com deficiência em todas as etapas de criação de soluções voltadas para elas.
Exposição Pierre Verger: Um Exemplo de Acessibilidade na Prática
Após o debate, os participantes foram convidados para uma visita guiada à exposição coletiva que celebra a 10ª edição do Prêmio Nacional de Fotografia Pierre Verger. A mostra, em cartaz na Galeria 5 do MAB, reúne obras dos 16 artistas contemplados e serve como um laboratório prático para a aplicação das técnicas de acessibilidade discutidas.
A exposição se destaca por incorporar diversos recursos de inclusão. Além de legendas em braille, que permitem a leitura por pessoas cegas e com baixa visão, a mostra conta com tradução em Libras (Língua Brasileira de Sinais) para os textos informativos, e audiodescrição. Esta última é acessível por meio de um QR Code, que o visitante pode escanear com seu smartphone para ouvir a descrição detalhada das imagens e do ambiente.
A iniciativa de integrar recursos de acessibilidade desde a concepção da exposição demonstra um avanço significativo na forma como as instituições culturais pensam a experiência do público. A presença simultânea de legendas em braille, Libras e audiodescrição em uma mesma mostra é um indicativo de que a inclusão está se tornando uma prioridade, e não apenas um complemento.
A observação direta de como essas ferramentas funcionam na prática, dentro de um ambiente expositivo real, permite aos visitantes e profissionais da área uma compreensão mais profunda de seu impacto. A exposição Pierre Verger, portanto, não é apenas uma vitrine de talentos fotográficos, mas também um modelo de como a arte pode ser acessível a todos.
O Guia como Catalisador de Mudanças Culturais
O Guia Digital para Acessibilidade de Pessoas com Deficiência Visual nos Museus transcende a mera oferta de um manual técnico. Ele se configura como um catalisador para a transformação das práticas culturais, incentivando a adoção de uma abordagem mais inclusiva e consciente em todos os níveis do setor.
A disponibilização gratuita do material, em formato digital e audiolivro, visa democratizar o acesso ao conhecimento sobre acessibilidade, permitindo que um número maior de instituições e profissionais possa se beneficiar dessas informações. A Funceb, ao realizar o prêmio e apoiar a criação do guia, reforça seu papel na promoção da cultura e da inclusão no estado.
A expectativa é que a publicação inspire a criação de novas políticas públicas e ações afirmativas no campo da cultura, garantindo que museus e outros espaços culturais se tornem ambientes verdadeiramente acessíveis e acolhedores para todas as pessoas, independentemente de suas capacidades visuais. O prêmio Pierre Verger, com essa iniciativa, consolida-se como um marco na promoção da acessibilidade na arte.
O lançamento deste guia representa um passo importante na jornada contínua para garantir que a arte e a cultura sejam bens acessíveis a todos os cidadãos. A iniciativa reforça a ideia de que a acessibilidade não é um favor, mas um direito, e que sua implementação enriquece a experiência cultural para toda a sociedade.


