Política
Massa na Paulista: Ato pela reeleição de Lula reúne milhares em São Paulo com foco em democracia e direitos trabalhistas
Avenida Paulista se torna palco de grande manifestação em apoio à reeleição de Lula Em um domingo de forte mobilização política, a Avenida Paulista, em São Paulo, foi tomada por mi
Avenida Paulista se torna palco de grande manifestação em apoio à reeleição de Lula
Em um domingo de forte mobilização política, a Avenida Paulista, em São Paulo, foi tomada por milhares de pessoas em um ato em defesa da democracia e em apoio à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à reeleição presidencial. A manifestação, batizada de Marcha Pela Democracia, demonstrou a força dos movimentos sociais e de comunidades de admiradores de artistas pop, que se uniram em um chamado conjunto.
O evento, que contou com a participação ativa do próprio candidato, Lula, reverberou a importância da atual conjuntura política, com o presidente destacando a semana como decisiva para o futuro do país. A diversidade de participantes, que incluiu torcidas organizadas de futebol, a Parada do Orgulho LGBT+ e movimentos estudantis, evidenciou a amplitude do apoio ao petista.
A organização independente da marcha, que partiu de grupos sociais e fandoms de artistas como Lady Gaga, BTS, Beyoncé e Taylor Swift, sublinha a capacidade de articulação da sociedade civil em torno de pautas democráticas e políticas. O ato não apenas serviu como demonstração de força eleitoral, mas também como um espaço de debate sobre questões cruciais em pauta no Congresso Nacional.
As informações sobre a manifestação e as declarações do candidato foram divulgadas por diversos veículos de comunicação.
Semana decisiva e o futuro dos direitos trabalhistas em debate
Em declarações à imprensa antes do início do ato, Lula enfatizou o caráter crucial da semana que se iniciava para o desfecho da eleição presidencial. Um dos pontos centrais de sua fala foi a votação prevista no Senado sobre o fim da escala de trabalho 6×1, agendada para a quarta-feira subsequente. O candidato ressaltou a importância dessa decisão para o cotidiano de milhões de trabalhadores brasileiros.
“Vai se provar como é que o partido do meu adversário (o PL) vai votar: se ele vai querer manter os trabalhadores trabalhando seis dias e descansando um, ou se ele vai votar para o trabalhador ter os dois dias de descanso”, afirmou Lula, conectando a pauta trabalhista ao embate político. A proposta do fim da escala 6×1 é vista como um avanço na qualidade de vida e no bem-estar dos empregados.
Lula também comentou sobre as tentativas da oposição de adiar a votação no Senado para após o segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro. O presidente classificou tal manobra como uma estratégia para enganar a população. Para ele, a definição da data da votação já estabelece um compromisso que a oposição deve honrar, demonstrando sua posição de forma clara.
“Já está marcada a data da votação, portanto, a única coisa que a oposição pode fazer é a seguinte: demonstrar se vão ter coragem de votar contra ou a favor”, declarou Lula, desafiando os opositores a se posicionarem abertamente sobre a questão.
Críticas ao “tesouraço” e propostas para segurança pública
O candidato Lula voltou a criticar o plano de corte de gastos anunciado por seu adversário, Flávio Bolsonaro (PL), apelidado de “tesouraço”. Lula alertou que a medida proposta pelo oponente poderia impactar negativamente as camadas mais vulneráveis da população, como os mais pobres e aposentados.
Ele comparou a proposta a medidas adotadas em outros países, como a Argentina sob o governo de Javier Milei, indicando um risco de aprofundamento da miséria. “O tesouraço dele possivelmente seria o mesmo tesouraço do (presidente da Argentina, Javier) Milei, ou seja, cortar direito do povo pobre, cortar direito do aposentado, cortar direito daqueles que precisam ganhar um pouco mais, e levar o povo outra vez para a situação de miséria neste país”, discursou.
Lula reafirmou seu compromisso em impedir que retrocessos sociais ocorram no Brasil. “Isso a gente não permite de forma alguma que volte a acontecer no Brasil”, garantiu o candidato, posicionando-se contra políticas que possam prejudicar os mais necessitados.
Paralelamente, Lula mencionou o avanço esperado no Congresso Nacional da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da Segurança Pública. A PEC visa a criação do Ministério da Segurança Pública, com o objetivo de fortalecer a atuação do governo federal no combate à criminalidade. A proposta busca centralizar esforços e estratégias para lidar com a violência no país.
“A gente poderá dizer ao povo brasileiro o seguinte: para o povo trabalhador, para a comunidade, para o território, proteção; para os bandidos, prisão, porque o governo vai fazer uma intervenção na segurança pública, coisa que a Constituição não permite até agora”, explicou Lula sobre os objetivos da futura pasta.
Discurso em frente ao MASP: críticas à gestão anterior e promessas de avanço
Em seu discurso, realizado em cima de um carro de som posicionado em frente ao icônico Museu de Arte de São Paulo (MASP), Lula fez duras críticas à administração do ex-presidente Jair Bolsonaro, com especial enfoque na gestão da pandemia de COVID-19.
Ele relembrou momentos difíceis da crise sanitária, citando a falta de oxigênio e o alto número de mortes. Lula também criticou a postura do ex-presidente diante da ciência e da medicina, mencionando a promoção de tratamentos sem comprovação científica. “Vocês sabem o que a família bolsonarista fez neste país. Vocês sabem o que é um presidente rir de pessoas que estavam morrendo asfixiadas por falta de oxigênio”, disse.
O candidato também destacou as realizações de sua própria gestão nas áreas de educação e prometeu um forte impulso para os setores de tecnologia e segurança pública no país. Ele apresentou dados sobre o aumento no número de pessoas com diploma universitário no mercado de trabalho desde 2003, quando assumiu a presidência pela primeira vez.
“Quando nós chegamos na presidência, em 2003, o Brasil tinha apenas 4,8 milhões de pessoas com diploma universitário no mercado de trabalho. Hoje, o Brasil já tem 26 milhões, e nós queremos 50 milhões, 100 milhões”, projetou Lula, demonstrando a ambição de expandir o acesso à educação superior.
Apelo ao voto e mobilizações em outras capitais
Lula também abordou a questão da alta abstenção registrada no primeiro turno das eleições, que atingiu 21,08%. Ele fez um apelo especial aos eleitores com mais de 70 anos para que compareçam às urnas e participem ativamente da escolha do próximo governo, ressaltando a importância de cada voto para a consolidação da democracia.
“Se essa pessoa não quer votar por ela, ela tem filho, filha, neto, bisneto e tem a pátria dela para cuidar. E não pode permitir que os bandidos voltem a governar este país”, argumentou o candidato, buscando mobilizar esse segmento do eleitorado.
Além do ato em São Paulo, apoiadores de Lula realizaram manifestações em diversas outras capitais do Brasil no mesmo domingo. Em Alagoas, a Praça Sete Coqueiros, em Maceió, foi palco de um ato similar. No Rio de Janeiro, as orlas de Copacabana e de Icaraí, em Niterói, também registraram mobilizações.
Em Belo Horizonte, a Caminhada Rosa uniu a defesa dos direitos das mulheres à campanha pela candidatura do PT. Em Goiânia, manifestantes se reuniram na Praça Universitária. Salvador também teve atos em apoio à reeleição de Lula, na orla e no Pelourinho. Em Brasília, feiras e ruas foram o cenário de manifestações pró-Lula.
Esses atos reforçam a estratégia de campanha de Lula em dialogar com diferentes setores da sociedade e em diferentes regiões do país, buscando consolidar seu apoio e engajar o eleitorado para o segundo turno das eleições presidenciais.


