Política
Debate na Globo: Lula e Flávio Bolsonaro trocam acusações sobre “nove dedos”, Bolsa Família e SUS
Lula e Flávio Bolsonaro trocam acusações sobre "nove dedos", Bolsa Família e SUS O cenário político brasileiro esteve em evidência durante um acalorado debate na TV Globo, onde os
Debate na Globo: Lula e Flávio Bolsonaro trocam acusações sobre “nove dedos”, Bolsa Família e SUS
O cenário político brasileiro esteve em evidência durante um acalorado debate na TV Globo, onde os candidatos Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) protagonizaram um embate marcado por trocas de acusações e defesas de propostas.
O ponto alto da discussão foi a reação indignada de Lula após uma fala de Flávio Bolsonaro, que utilizou a expressão “dá com uma mão e tira com nove dedos” para criticar o adversário. A menção remete à perda do dedo mínimo da mão esquerda de Lula em um acidente de trabalho na juventude, episódio que gerou uma forte reação do petista.
O debate, que abordou temas cruciais como políticas sociais, endividamento e o Sistema Único de Saúde (SUS), evidenciou as profundas divergências entre os candidatos e suas visões para o país, gerando repercussão entre os eleitores e analistas políticos.
Conforme informações divulgadas pela mídia, o debate na TV Globo entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) foi marcado por uma manifestação indignada do atual presidente após uma fala do adversário.
Reação a “Nove Dedos” e Acusações Mútuas
A tensão no debate se elevou quando Flávio Bolsonaro afirmou que o presidente “dá com uma mão e tira com nove dedos”. Lula, visivelmente contrariado, rebateu enfaticamente a declaração, que faz referência à perda de seu dedo mínimo aos 17 anos em um acidente de trabalho. O petista declarou: “Ele disse uma grande asneira e eu não vou levar para casa. Ele me chamou de nove dedos. Se tem alguém que sabe o que é o mundo do trabalho sou eu. Se tem alguém que perdeu o dedo com 17 anos, fui eu. Não vou permitir que um miliciano me chame de nove dedos, não vou permitir! Você vai ter que pedir desculpa. Porque o povo trabalhador está vendo. Milhões de trabalhadores se acidentam por irresponsabilidade patronal que obriga a gente a trabalhar em jornada que a gente tem que ir trabalhar”.
Em resposta à pressão de Lula, Flávio Bolsonaro pediu desculpas: “Lula, se eu te ofendi, eu te peço desculpa de verdade. Não queria te ofender. Peço desculpa de verdade”. No entanto, o senador do PL retomou os ataques ao governo, cobrando desculpas à população por questões como o aumento do número de pessoas em situação de rua.
“Agora eu quero saber se você vai pedir desculpas os moradores de rua que dobraram diante do seu governo. E combate a pobreza esse que você faz?”, questionou Bolsonaro, que também repudiou ser chamado de miliciano por Lula. A discussão sobre a população em situação de rua trouxe dados do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua, que indicavam 365,8 mil pessoas nessa condição em dezembro de 2025, um aumento de 55% em relação a 2022, e não 100% como mencionado por Bolsonaro. Pesquisadores alertam que o crescimento pode estar atrelado a diferenças metodológicas na contagem e à inclusão de pessoas vulneráveis em políticas sociais.
Políticas Sociais: Bolsa Família e Licença-Maternidade em Pauta
O debate também se aprofundou em políticas sociais. Lula questionou Flávio Bolsonaro sobre seu voto contrário à ampliação da licença-maternidade quando era deputado estadual. Flávio reconheceu o voto, mas declarou ter mudado de posição: “Eu votei acreditando que isso poderia dificultar que as mulheres conseguissem arrumar emprego, eu estava errado. Hoje, depois que eu casei, depois que eu tenho duas filhas, mais do que nunca, eu sei da importância da mãe estar perto do filho, por até mais de 180 dias se possível”.
Lula criticou a justificativa, afirmando que a resposta não foi objetiva. O petista também atacou a forma como Flávio Bolsonaro se referiu ao Bolsa Família, citando postagens antigas em que chamou o programa de “bolsa-farelo”. “É a falta de respeito com o povo pobre desse país”, rebateu Lula. Em contrapartida, Flávio Bolsonaro assegurou que manterá e ampliará os benefícios sociais, incluindo o Bolsa Família.
Endividamento e Dívida Pública: Visões Divergentes
O endividamento das famílias brasileiras e a dívida pública foram outros pontos de confronto. Flávio Bolsonaro questionou Lula sobre o alto endividamento da população e da dívida pública, atribuindo ao governo os juros elevados e as dificuldades financeiras. “Lula, por que que você está deixando as famílias brasileiras tão endividadas? Já que uma vez que a dívida governo cresce, a dívida das famílias cresce junto”, disse Flávio, citando uma dívida de R$ 11 trilhões, referindo-se à Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG).
O candidato do PL apresentou sua proposta de, caso eleito, utilizar a Caixa Econômica Federal para comprar e renegociar dívidas de bancos. Lula, por sua vez, respondeu que a iniciativa de renegociar dívidas já havia sido encaminhada por seu governo ao Senado. “Ele está copiando uma coisa que eu já mandei pro Senado”, afirmou o presidente, destacando que seu governo já realizou medidas de renegociação e perdão de dívidas, como uma operação de R$ 15 bilhões que beneficiou 4,5 milhões de pessoas.
SUS e Gestão da Pandemia: Ataques e Defesas
O Sistema Único de Saúde (SUS) e a gestão da pandemia de COVID-19 também foram temas centrais. Lula questionou Flávio Bolsonaro sobre declarações atribuídas a um membro de sua equipe econômica que indicariam falta de investimento no SUS. “Como é que você quer melhorar a saúde desse país negando o plano de saúde mais importante que tem em qualquer país com mais de 100 milhões de habitantes?”, perguntou Lula, criticando também a gestão da pandemia pelo governo Bolsonaro e as mortes decorrentes da doença.
“O SUS é o responsável por evitar que morresse mais gente da covid depois da irresponsabilidade do governo do pai dele”, declarou Lula, mencionando também declarações de Bolsonaro sobre vacinação e criticando a falta de uma resposta organizada baseada em especialistas. Flávio Bolsonaro, em sua defesa, prometeu manter e ampliar os investimentos no SUS, mas criticou a gestão atual, as filas de atendimento e o financiamento da saúde. “O tesouraço vai ser na corrupção do atual governo, o tesouraço vai ser na burocracia, o tesouraço vai ser nos impostos que você deu, foram mais de 30 que você criou ou aumentou”, afirmou. O candidato também mencionou o endividamento das Santas Casas e a necessidade de aumentar a tabela de procedimentos do SUS.
A troca de acusações e a apresentação de propostas durante o debate na TV Globo revelaram as diferentes visões dos candidatos sobre o futuro do Brasil, especialmente em áreas sensíveis como saúde, assistência social e economia, deixando claro o desafio para os eleitores na definição de seus votos.


