Saúde

INCA Inicia Estudo Pioneiro de Rastreamento de Câncer de Pulmão no SUS com Apoio da AstraZeneca

INCA lança estudo para rastreamento de câncer de pulmão no SUS, visando redução de mortes e diagnósticos tardios. dor que promete revolucionar o combate ao câncer de pulmão no Brasil.

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INCA lança estudo para rastreamento de câncer de pulmão no SUS, visando redução de mortes e diagnósticos tardios.

O Instituto Nacional de Câncer (INCA) deu início a um estudo inovador que promete revolucionar o combate ao câncer de pulmão no Brasil. A pesquisa avalia a viabilidade de implementar um programa de rastreamento da doença dentro do Sistema Único de Saúde (SUS).

Em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro e com financiamento da biofarmacêutica AstraZeneca, o objetivo é criar uma diretriz nacional para a detecção precoce, com a meta clara de diminuir os índices de mortalidade associados a este tipo de câncer.

A iniciativa é fundamental, visto que, segundo o INCA, cerca de 85% dos casos de câncer de pulmão estão diretamente ligados ao consumo de derivados de tabaco. A pesquisa, que terá duração de dois anos, pretende coletar dados cruciais para embasar futuras políticas públicas de saúde. Conforme divulgado pelo INCA, evidências internacionais apontam que o rastreamento com tomografia computadorizada de baixa dose (TCBD) em populações de alto risco pode reduzir significativamente a proporção de diagnósticos em estágios avançados.

Estudo inédito do INCA busca evidências para programa nacional de rastreamento

Conduzido pelo INCA, o estudo terá um período de dois anos e envolverá a participação de, no mínimo, 397 pacientes, com possibilidade de expansão. A seleção dos participantes será feita em colaboração com a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro, através do seu Programa de Cessação de Tabagismo, que conta com aproximadamente 50 mil usuários.

O critério de elegibilidade para os participantes segue as recomendações de consensos médicos de sociedades renomadas, como a Sociedade Brasileira de Cirurgia Torácica e a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia. Serão incluídos indivíduos entre 50 e 80 anos, que sejam fumantes ou ex-fumantes (com cessação nos últimos 15 anos) e que apresentem um histórico de consumo de 20 cigarros por dia, durante 20 anos.

Tomografia de baixa dose: ferramenta chave para detecção precoce

A tomografia computadorizada de baixa dose (TCBD) é a tecnologia central neste estudo de rastreamento. Estudos indicam que o uso da TCBD pode reduzir a mortalidade por câncer de pulmão em até 20%. Quando essa abordagem é combinada com programas de cessação do tabagismo, o impacto na redução da mortalidade pode chegar a impressionantes 38%, conforme publicado no Jornal Brasileiro de Pneumologia.

A importância dessa estratégia é ainda maior no contexto brasileiro, onde o rastreamento ainda não faz parte das diretrizes nacionais. A meta é transformar a realidade atual, onde cerca de 84% dos casos são diagnosticados em estágios avançados, levando a uma taxa de sobrevida em cinco anos de apenas 5,2%, de acordo com estimativas do próprio INCA.

Parceria público-privada e o desafio do tabagismo entre jovens

O médico epidemiologista do INCA, Arn Migowski, liderará o estudo e ressaltou a importância de detectar o câncer de pulmão antes mesmo do surgimento de sintomas. Ele destacou que o objetivo é testar a aplicabilidade e a eficácia do protocolo no cenário real do SUS, avaliando a adesão dos pacientes e os riscos envolvidos, para que, se bem-sucedido, possa ser ampliado nacionalmente.

Danilo Lopes, diretor médico da AstraZeneca, enfatizou o papel das parcerias público-privadas na pesquisa e no fortalecimento do SUS. Ele afirmou que a empresa busca ir além da oferta de medicamentos, com o compromisso de mudar a história do câncer de pulmão no país. O presidente da Aliança Brasileira de Combate ao Câncer de Pulmão, Gustavo Prado, alertou para o recente aumento no consumo de tabaco, especialmente entre jovens, impulsionado pelos dispositivos eletrônicos como os vapes, reforçando a necessidade de intensificar as estratégias de prevenção com linguagem adequada para esse público.

Câncer de pulmão: um dos maiores desafios de saúde pública no Brasil

O câncer de pulmão se consolida como a principal causa de morte por câncer no Brasil. Em 2024, foram registradas 32.465 óbitos relacionados a brônquios e pulmão, superando a soma de mortes por câncer de próstata e mama. As estimativas do INCA projetam cerca de 781 mil novos casos de câncer anualmente no triênio 2026-2028, consolidando a doença como um dos maiores desafios de saúde pública nacional.

A alta taxa de mortalidade está intrinsecamente ligada ao diagnóstico tardio, com aproximadamente 84% dos casos sendo identificados em fases avançadas. Essa realidade impacta diretamente na taxa de sobrevida, que fica em torno de 5,2% em cinco anos. O estudo do INCA representa um passo crucial para reverter esse quadro, oferecendo esperança através da detecção precoce e do tratamento oportuno no âmbito do SUS.