Bahia

Ovo de Galinha Dispara e Assusta Consumidores em Salvador na Semana Santa: Histórico de Alta Persiste

A Semana Santa em Salvador, período tradicionalmente marcado por rituais religiosos e culinários específicos, volta a apresentar um cenário de preocupação para o bolso do consumido

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Ovo de Galinha Dispara e Assusta Consumidores em Salvador na Semana Santa: Histórico de Alta Persiste

A Semana Santa em Salvador, período tradicionalmente marcado por rituais religiosos e culinários específicos, volta a apresentar um cenário de preocupação para o bolso do consumidor. Um levantamento detalhado realizado pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI) aponta para uma tendência de alta nos preços de produtos essenciais para as celebrações, com o ovo de galinha despontando como um dos principais vilões da inflação no período.

A pesquisa, que analisou o comportamento de 20 itens típicos da época, utilizando dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para a Região Metropolitana de Salvador, abrangeu os meses que antecedem a Páscoa entre os anos de 2023 e 2026. Os resultados confirmam que a restrição ao consumo de carne vermelha durante a Quaresma e o aumento da procura por ingredientes regionais podem ser fatores determinantes para essa escalada de preços.

O ovo de galinha, item frequentemente utilizado como proteína substituta durante a Quaresma, tem um histórico de aumentos quase certeiros entre os meses de fevereiro e março. O estudo da SEI evidencia essa tendência, mostrando que o preço do ovo já registrou altas significativas em anos anteriores e, para 2026, a tendência de encarecimento já se confirmou no início do período quaresmal.

O Ovo de Galinha: Um Vilão Recorrente na Mesa da Páscoa

Conforme as informações divulgadas pela SEI, o ovo de galinha tem sido um componente constante de preocupação para os consumidores baianos durante a Semana Santa. Em 2023, por exemplo, o produto apresentou uma valorização expressiva, com um aumento de 7,69% em março e de 4,51% em abril. No ano seguinte, 2024, a alta do ovo ocorreu justamente no mês em que se celebrou a Páscoa.

A situação se tornou ainda mais acentuada em 2025, quando o preço do ovo disparou, registrando um aumento de quase 18% em fevereiro e de 12,05% em março. Para a Semana Santa de 2026, a tendência de alta já foi confirmada. Após uma queda em janeiro, o preço do ovo voltou a subir 4,15% em fevereiro, marcando o início do período da Quaresma com um sinal de alerta para o orçamento familiar.

Essa trajetória ascendente do preço do ovo de galinha se alinha com o comportamento tradicional do mercado durante a Quaresma, quando a busca por proteínas alternativas à carne vermelha aumenta consideravelmente. A SEI aponta essa dinâmica como um dos possíveis fatores para a elevação dos custos, impactando diretamente quem busca manter as tradições culinárias da Semana Santa.

Coentro e Corvina: Outros Itens na Mira da Inflação da Páscoa

Além do ovo de galinha, outros produtos típicos da culinária baiana e da Semana Santa também têm apresentado variações de preço que merecem atenção. O coentro, tempero fundamental em diversas receitas regionais, também figura no histórico de aumentos relevantes. Em 2023, por exemplo, seu preço oscilou bastante, com queda em março e subida em abril. Já em 2024, o coentro encareceu significativamente, com aumentos de 18,60% em fevereiro e 17,34% em março.

Em 2025, a tendência de alta para o coentro persistiu em todos os meses até abril. Em 2026, o produto iniciou o ano com um aumento de 3,02% em janeiro, seguido por uma leve redução de 3,30% em fevereiro. Apesar das flutuações, o coentro demonstra ser um item que exige acompanhamento pelo consumidor.

No segmento de pescados, a corvina tem sido outro destaque de alta. O peixe sofreu aumentos consecutivos de janeiro a abril em 2023. Em 2024, os aumentos ocorreram de janeiro a março, alcançando 6,92%. Este pescado continuou a subir nos três primeiros meses de 2025, atingindo seu pico em março com um crescimento de 6,04%. Para 2026, a corvina já iniciou o ano com alta de 2,55% em janeiro, mas registrou uma leve queda em fevereiro (-0,04%).

Azeite de Oliva e Farinha de Mandioca: Impactos de Longo Prazo

O azeite de oliva apresenta um quadro particular, pois seu preço não é influenciado apenas pela sazonalidade da Semana Santa, mas por uma sequência de aumentos contínuos ao longo de 2023 e 2024. O ano de 2026 começou com o azeite voltando a subir, com um acréscimo de 1,63% em fevereiro. Esse item, essencial em muitas preparações, tem se tornado cada vez mais um item de luxo para o consumidor médio.

A farinha de mandioca, ingrediente crucial para o preparo da tradicional farofa de azeite, também sofreu com o aumento de preços. Em 2023, o produto encareceu nos quatro primeiros meses do ano, fechando abril com uma alta de 6,71%. Já em 2024, o preço da farinha de mandioca recuou até o mês da Páscoa. Em 2025, houve queda em abril após uma alta em março. Em 2026, o produto subiu 1,81% em janeiro e permaneceu estável em fevereiro (-0,03%), indicando uma recuperação de preços após períodos de maior estabilidade.

Curiosamente, o chocolate em barra e os bombons industrializados não apresentaram grandes impactos inflacionários oficiais em Salvador durante a Páscoa nos anos analisados. Pelo contrário, registraram inclusive quedas de preço nos meses que antecederam o evento em anos passados. Para 2026, observa-se uma leve alta de 1% em fevereiro para esses produtos, sugerindo que a pressão inflacionária se concentra em outros itens mais tradicionais da culinária quaresmal.

Alternativas e Considerações para o Consumidor

Diante do cenário de alta nos preços de diversos produtos, o consumidor que busca opções mais acessíveis pode encontrar alternativas. A merluza, por exemplo, apresentou queda nos preços durante os meses cruciais de março (-2,20%) e abril (-2,19%) do ano passado. Além disso, iniciou 2026 mais barata, com quedas de 4,24% em janeiro e 0,62% em fevereiro. Isso torna a merluza uma opção viável para quem tem restrições orçamentárias mais acentuadas.

O estudo da SEI, elaborado com base no IPCA para a Região Metropolitana de Salvador, abrangeu o período de 2023 a 2026, analisando dados de janeiro até o mês em que a Semana Santa foi ou será realizada. A pesquisa, no entanto, não incluiu itens como ovo de Páscoa, vinho e quiabo, por falta de informações específicas no IPCA/IBGE para a capital baiana.

O relatório completo, com informações adicionais, está disponível no site da SEI, oferecendo aos consumidores e pesquisadores uma base sólida para entender as dinâmicas de preços na Bahia e planejar suas compras com mais consciência, especialmente em períodos de celebração e maior demanda.