Saúde

Chikungunya em Dourados: Ministro Eloy Terena declara situação crítica em Dourados e anuncia R$ 3,1 milhões em recursos

Ministro Eloy Terena declara situação crítica e anuncia R$ 3,1 milhões em recursos O novo ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, classificou a situação da chikungunya em Dourad

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Chikungunya em Dourados: Ministro Eloy Terena declara situação crítica e anuncia R$ 3,1 milhões em recursos

O novo ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, classificou a situação da chikungunya em Dourados, Mato Grosso do Sul, como **crítica**. O município está em estado de emergência devido ao elevado número de casos da doença, que tem impactado de forma mais severa as comunidades indígenas locais.

Durante visita ao município nesta sexta-feira (3), Terena enfatizou a necessidade de uma resposta conjunta e sem negacionismo. “Quando se trata de saúde, de vidas humanas, a responsabilidade é global”, afirmou, sinalizando o compromisso do governo federal em enfrentar o problema.

A visita e as declarações do ministro ocorrem em um momento de alta preocupação com a disseminação da chikungunya. Conforme informações divulgadas, o governo federal destinou uma verba significativa para ações emergenciais na cidade. O foco principal das medidas é o combate ao mosquito transmissor e o aprimoramento do atendimento aos pacientes afetados.

Avanço da Chikungunya e Impacto nas Comunidades Indígenas

Desde janeiro até o início de abril, o estado de Mato Grosso do Sul registrou 1.764 casos confirmados de chikungunya, incluindo 37 gestantes, com outros 1.893 casos em análise. Dourados concentra a maior parte dos casos prováveis no estado, com 759 registros.

A situação se agrava nas comunidades indígenas da Reserva Indígena de Dourados, onde ocorreram cinco dos sete óbitos registrados no estado. Entre as vítimas fatais, destacam-se dois bebês com menos de quatro meses de vida, evidenciando a vulnerabilidade dos mais jovens.

Medidas Emergenciais e Recursos Federais

Em resposta à emergência, o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional reconheceu o estado de calamidade em Dourados em 30 de março, após decreto municipal de 27 de março. O governo federal anunciou uma série de medidas para combater o mosquito Aedes aegypti e interromper o ciclo de transmissão da doença.

Na última quinta-feira (2), foi destinado um montante de R$ 3,1 milhões em recursos públicos para Dourados. Desse total, R$ 1,3 milhão se destina a ações de socorro e assistência humanitária, R$ 974,1 mil para limpeza urbana e gestão de resíduos, e R$ 855,3 mil para vigilância, assistência e controle da chikungunya.

Força-Tarefa e Contratação de Agentes

Eloy Terena informou que os recursos já estão disponíveis nos governos estaduais e municipais para a contratação emergencial de bens e serviços. Representantes do Ministério da Saúde detalharam que 50 agentes de combate a endemias serão contratados provisoriamente e capacitados, com 20 iniciando as atividades neste sábado (4).

Esses novos agentes, somados a 40 militares do Ministério da Defesa, integrarão a força-tarefa que atuará no atendimento à população e no combate aos focos do mosquito. “A gente vai entrar com ações contundentes de controle vetorial para reduzir esta pressão nos serviços [de saúde]”, garantiu Daniel Ramos, representante do Ministério da Saúde.

Desafios na Coleta de Lixo e Monitoramento Contínuo

O ministro Eloy Terena também ressaltou a situação peculiar da Reserva Indígena de Dourados, cercada pela área urbana em crescimento. Ele cobrou da prefeitura uma atenção maior à coleta de lixo nas aldeias, como medida essencial para eliminar criadouros do Aedes aegypti.

“Temos que aperfeiçoar a questão dos resíduos sólidos, do lixo. É preciso atender de igual forma não só o contexto urbano, como as comunidades indígenas”, destacou Terena, que planeja reuniões com representantes municipais e estaduais para discutir projetos estruturais de coleta de lixo nas comunidades indígenas.

Juliana Lima, representante da Força Nacional do SUS, descreveu o cenário como “muito dinâmico”, dificultando a afirmação de uma melhora ou piora na situação das aldeias Bororó e Jaguapiru. O monitoramento diário e o registro dos casos são cruciais para direcionar os atendimentos prioritários.