Saúde

Unifesp Cria Centro de Diagnóstico Molecular Pioneiro para Combater Câncer com Tecnologia de Ponta

Unifesp lança centro de diagnóstico molecular para diagnóstico de câncer e pesquisas em oncologia, imunologia e neurociências.

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A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) está prestes a inaugurar o Laboratório Interdisciplinar de Multiômica Espacial, um marco na saúde pública brasileira. A iniciativa, prevista para o fim deste mês, visa revolucionar o diagnóstico e o tratamento do câncer.

Com foco em análise de tecidos humanos, o centro utilizará uma plataforma de ponta para entender o funcionamento molecular das células, permitindo identificar alterações no DNA mesmo em amostras muito pequenas. Essa tecnologia promete diagnósticos mais rápidos e precisos, abrindo caminho para terapias personalizadas.

O laboratório se configura como o primeiro centro avançado de pesquisa e diagnóstico molecular público do país, operando de forma integrada. A iniciativa é financiada pela Fapesp com um investimento inicial de R$ 5 milhões e busca convênio com o SUS, ampliando seu alcance para a rede pública de saúde. Conforme informação divulgada pela Unifesp, o novo centro representa um avanço considerável na capacidade de avaliação do câncer, tornando o diagnóstico pessoal e adaptado a cada paciente.

Tecnologia Avançada para Diagnósticos Personalizados

A plataforma multiômica, composta pelos módulos GeoMx e nCounter, é o coração do novo laboratório. Este equipamento inovador possibilita a análise detalhada das estruturas moleculares dos tecidos. A professora Soraya Smaili, da Escola Paulista de Medicina da Unifesp, destaca que essa capacidade de observação permite entender as alterações no DNA das células cancerígenas, mesmo em fragmentos minúsculos de tecido.

“É um avanço considerável na capacidade de avaliação de um câncer. O diagnóstico passa a ser pessoal, avaliando estruturas presentes em cada paciente, de forma rápida e detalhada. Isso permite uma resposta terapêutica que também é pessoal”, explica Smaili. Essa abordagem personalizada é fundamental para o sucesso no tratamento de diversos tipos de câncer.

Primeiro Centro Público de Pesquisa e Diagnóstico Molecular no Brasil

O Laboratório Interdisciplinar de Multiômica Espacial será pioneiro ao se tornar o primeiro centro avançado de pesquisa e diagnóstico molecular público no Brasil. Inicialmente, o local abrigará 27 projetos de pesquisa, proporcionando treinamento avançado e impulsionando descobertas na área oncológica. Pesquisadores da própria Unifesp, da USP, da Santa Casa de São Paulo, do Icesp e dos hospitais São Camilo e A.C. Camargo já estão envolvidos.

O grande diferencial deste centro é o acesso a uma tecnologia de ponta que ainda não está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) para o diagnóstico de câncer. O foco na avaliação de marcadores genômicos específicos permitirá o mapeamento detalhado de pequenas variações, como em células sanguíneas, acelerando a compreensão e o combate à doença.

Impacto na Detecção Precoce e Sobrevida

A nova tecnologia abre portas para a detecção precoce de cânceres agressivos, mesmo antes da realização de biópsias. Pacientes com histórico familiar da doença poderão iniciar tratamentos preventivos mais cedo, aumentando as chances de sucesso contra tumores raros e de rápida progressão, como os de pâncreas e pulmão.

“Além disso, aumenta consideravelmente as chances de cura e a sobrevida dos indivíduos diagnosticados, ao mesmo tempo em que reduz as probabilidades de desenvolvimento de metástases e outras complicações graves decorrentes da patologia”, afirma Janete Cerruti, pesquisadora e professora da Unifesp e uma das coordenadoras do projeto. O objetivo é tornar este laboratório um centro de referência em pesquisa aliada ao diagnóstico genômico e molecular.

Análise de Marcadores Específicos para um Diagnóstico Preciso

Enquanto o diagnóstico convencional de câncer se baseia em exames clínicos e biópsias, o teste genômico oferece uma abordagem mais aprofundada. Ele busca biomarcadores moleculares específicos, como a presença dos genes BRCA1/BRCA2, cruciais para o câncer de mama, ou mutações no gene BRAF, associadas ao câncer de pele. Essas informações detalhadas indicam a presença de alterações e o estágio de desenvolvimento da doença, incluindo a possibilidade de metástases.

A equipe multidisciplinar, coordenada pela professora Soraya Smaili, conta com a colaboração de renomados especialistas, como Miriam Galvonas Jasiulionis, Janete Cerutti, Rui Maciel, Michelle Samora, Angela Waitzberg, Lucas Leite e Adolfo G Erustes, além de diversos pesquisadores associados. A expectativa é que, com o pleno funcionamento do laboratório, a Unifesp consolide sua posição como referência em saúde pública e pesquisa de ponta no país.