Saúde

Malária Yanomami: Óbitos caem 80,8% em 2 anos após emergência em saúde; desnutrição e vacinação também mostram melhora

Redução drástica de mortes por malária no Território Yanomami é destaque em novo informe do Ministério da Saúde. feira (8), detalhando melhorias expressivas na saúde dos povos indígenas do Território Yanomami, em Roraima.

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Redução drástica de mortes por malária no Território Yanomami é destaque em novo informe do Ministério da Saúde.

O Ministério da Saúde divulgou um relatório promissor nesta quarta-feira (8), detalhando melhorias expressivas na saúde dos povos indígenas do Território Yanomami, em Roraima. Os dados comparam o cenário atual com o início da Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional (ESPIN), declarada em janeiro de 2023 para combater uma grave crise humanitária.

Um dos indicadores mais positivos é a queda de 80,8% nos óbitos por malária. Essa redução expressiva é fruto de um esforço concentrado de ações de saúde pública e do fortalecimento do acesso a exames e tratamentos na região, que sofreu com a invasão de garimpeiros.

Os resultados apresentados refletem o compromisso do governo em proteger a vida e promover a saúde dos povos indígenas, garantindo atenção integral e respeitando suas especificidades culturais. Conforme informação divulgada pelo Ministério da Saúde, os dados constam no Informe nº 9 do Centro de Operações de Emergências Yanomami (COE).

Aumento de exames e queda na desnutrição infantil

O informe também aponta um aumento de 75,9% no número de exames para detecção ativa da malária, saltando de 144.986 para 257.930 testes realizados em 2025. Paralelamente, os óbitos por desnutrição apresentaram uma queda significativa de 53,2% entre 2023 e 2025.

O acompanhamento nutricional das crianças menores de cinco anos também obteve avanços. O percentual de crianças com peso adequado aumentou de 45,4% para 53,8%. Além disso, o número de crianças em acompanhamento passou de 70,1% para 85,1%, e a desnutrição grave teve redução, com a taxa de muito baixo peso caindo de 24,2% para 15,2% no período.

Fortalecimento da vacinação e controle de infecções respiratórias

Na área de imunização, houve um aumento de 40% no número de doses aplicadas em 2025 em comparação com 2023, passando de 31.999 para 44.754. O percentual de crianças menores de um ano com esquema vacinal completo mais que dobrou, subindo de 27% para 60,6%.

Entre as crianças de até cinco anos, o avanço na vacinação foi de 47,4% para 78,3%, demonstrando o fortalecimento das ações de rotina. Os atendimentos por infecções respiratórias agudas também cresceram 254% no período, mas a letalidade da doença reduziu em 76%, com uma queda de 16,7% no número de óbitos.

Melhorias na infraestrutura e força de trabalho

Para sustentar esses avanços, o número de profissionais de saúde no território mais que triplicou, de 690 para mais de 2.130 trabalhadores. A infraestrutura também recebeu investimentos, com 261 intervenções em sistemas de abastecimento de água e a instalação de mais de 1.400 filtros para garantir água segura.

Foram implantados 61 sistemas de energia solar e realizadas melhorias em unidades de saúde. O Centro de Referência em Saúde Indígena (CRSI) em Surucucu, após reforma, já realizou 4.374 atendimentos ambulatoriais, incluindo exames laboratoriais e de ultrassonografia, atendendo 48 comunidades e centralizando remoções na região.

A secretária de Saúde Indígena do Ministério, Lucinha Tremembé, destacou que os resultados são fruto do fortalecimento da presença do Estado e da atenção integral à saúde, com respeito às especificidades culturais dos povos Yanomami.