Política
Alcolumbre pode ser a chave para barrar indicação de Jorge Messias ao STF, diz senador
A possível nomeação de Jorge Messias, atual advogado-geral da União, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) tem gerado debates intensos nos bastidores políticos.
Alcolumbre pode ser a chave para barrar indicação de Jorge Messias ao STF, diz senador
A possível nomeação de Jorge Messias, atual advogado-geral da União, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) tem gerado debates intensos nos bastidores políticos. Embora a percepção geral aponte para um cenário favorável à aprovação, com apoio tanto da base governista quanto da oposição, um movimento específico nos corredores do Senado Federal pode alterar o curso dessa indicação. A articulação, segundo o senador Plínio Valério (PSDB-AM), estaria centrada na figura do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
Valério, em entrevista ao programa Café com a Gazeta, da Gazeta do Povo, expressou otimismo quanto à possibilidade de reverter o apoio a Messias, caso Alcolumbre realmente se posicione contra a indicação. A influência do presidente do Senado sobre outros parlamentares é vista como um fator decisivo para angariar os votos necessários para a reprovação.
A resistência de Alcolumbre ao nome de Messias não é novidade. Desde 2025, o presidente do Senado já demonstrava preferência por outro nome, o do ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Essa divergência de interesses pode ser o ponto de inflexão que a oposição busca para barrar a nomeação. A oposição, segundo Valério, já contaria com cerca de 32 votos contrários, e a adesão de Alcolumbre poderia ser o empurrão que faltava para atingir os 41 votos necessários para a reprovação da indicação, em um universo de 81 senadores.
A influência de Alcolumbre e a resistência à nomeação
O senador Plínio Valério destacou o poder de convencimento de Davi Alcolumbre sobre alguns senadores, o que poderia ser crucial para a articulação contra a nomeação de Jorge Messias. “Há um sinal: percebemos o Davi Alcolumbre trabalhando contra [a indicação de Messias]. Se o Davi estiver realmente trabalhando contra, somando aos nossos votos, a indicação periga não ser aprovada”, afirmou Valério na entrevista.
A oposição tem visto o movimento de Alcolumbre como uma oportunidade de frear os avanços do governo Lula em relação à composição do STF. A resistência, de acordo com o parlamentar, remonta a 2025, quando Alcolumbre defendia a indicação de Rodrigo Pacheco para uma vaga na Corte. Essa preferência anterior sugere uma relação de longa data e possíveis afinidades políticas que podem ser exploradas.
Valério relembrou que, até o período pré-Carnaval, a situação de Messias parecia consolidada. No entanto, a decisão de adiar a votação após o feriado parece ter dado um novo fôlego à articulação contrária. “Deixaram para depois do feriado e, na volta, notamos que ele ganhou fôlego”, disse o senador, indicando que a expectativa é de que o debate sobre a nomeação se intensifique nas próximas semanas.
O papel do Senado como “freio” ao STF
Em sua análise, Plínio Valério, que protocolou um pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes em 2019, criticou a atuação dos atuais ministros do STF. Ele descreveu um cenário de atuação isolada e sem controle mútuo entre os magistrados. “São dez cabeças onde cada um faz o que quer e o outro não se incomoda. Não há mais nem sorteio para ver com qual ministro o processo vai cair; parece que um levanta o dedo e diz: ‘esse é meu’, e o outro aceita”, pontuou.
Diante desse quadro, Valério defende que a única instituição capaz de exercer um contraponto efetivo ao poder do STF é o próprio Senado Federal. “Só o Senado, e unicamente o Senado, é a instituição que pode dar um freio nessa situação”, declarou o senador durante a entrevista. Ele enfatiza que a esperança e a decisão final sobre o equilíbrio de poderes residem nas mãos da população, através da eleição de senadores que não se intimidem diante da força da Corte.
A declaração de Valério ressalta a importância do processo de sabatina e votação no Senado para a composição do STF. A aprovação de um indicado não é automática e depende da avaliação individual e coletiva dos senadores, que têm o poder de vetar ou aprovar a escolha do Presidente da República. A articulação política em torno da indicação de Jorge Messias demonstra como o Senado pode atuar como um importante “filtro” nas nomeações para a mais alta corte do país.
O cenário político em torno da indicação de Messias
A indicação de Jorge Messias para o STF é vista como um movimento estratégico do governo Lula para consolidar sua influência na Corte. Messias, como advogado-geral da União, tem um histórico de atuação alinhada ao governo, o que poderia reforçar uma tendência de decisões favoráveis ao executivo. No entanto, a sua aprovação depende de uma maioria qualificada no Senado, o que abre espaço para negociações e articulações políticas.
A oposição, por sua vez, tem buscado capitalizar qualquer fragilidade na articulação governista para barrar indicações que considerem ideologicamente desfavoráveis. A figura de Davi Alcolumbre, com sua experiência em negociações e liderança dentro do Senado, torna-se um ponto focal para esses esforços. A sua influência pode ser determinante para converter votos ou para manter senadores indecisos em uma posição contrária.
A participação do senador Plínio Valério nesse debate evidencia a polarização política que cerca as indicações para o STF. Suas críticas à atuação da Corte e a defesa de um papel mais ativo do Senado refletem uma corrente de pensamento que busca maior controle sobre o poder judiciário. A estratégia de focar em Alcolumbre como um possível aliado para barrar Messias demonstra a complexidade das relações de poder e a importância das alianças políticas no cenário brasileiro.
O que esperar do futuro da indicação de Messias
O caminho de Jorge Messias rumo ao STF, embora pareça pavimentado, ainda enfrenta obstáculos significativos. A articulação liderada pela oposição, com a possível participação ativa de Davi Alcolumbre, pode criar um ambiente de incerteza para a aprovação. A contagem de votos no Senado é sempre dinâmica e sujeita a reviravoltas, especialmente quando há interesses políticos em jogo.
O desfecho dessa indicação dependerá, em grande parte, da capacidade de negociação do governo e da oposição, bem como da postura dos senadores indecisos. A declaração do senador Valério lança luz sobre uma estratégia que visa explorar as divergências internas e as relações de poder dentro do Senado para influenciar o resultado da votação.
A atuação do STF e a sua relação com os outros poderes da República são temas de constante debate público. A possibilidade de um senador influente como Alcolumbre atuar para barrar uma indicação presidencial para a Corte demonstra a importância do equilíbrio entre os poderes e a necessidade de um Senado atuante e independente. A população acompanha de perto esses desdobramentos, que moldam o futuro do judiciário brasileiro.


