Bahia
Bienal do Livro da Bahia Revela Talentos da Rede Estadual em Evento Literário
Talentos da Rede Estadual em Destaque A Bienal do Livro da Bahia 2026 se tornou palco para a celebração do talento literário de estudantes e professores da rede estadual de ensino.
Bienal do Livro da Bahia: Talentos da Rede Estadual em Destaque
A Bienal do Livro da Bahia 2026 se tornou palco para a celebração do talento literário de estudantes e professores da rede estadual de ensino. O Espaço Deixa Eu Falar, localizado no estande do Governo do Estado, está repleto de produções autorais e apresentações poéticas que evidenciam o potencial criativo e intelectual dos jovens e educadores baianos.
A iniciativa, promovida pela Secretaria da Educação do Estado (SEC), reforça o protagonismo estudantil e valoriza a produção intelectual dos docentes, consolidando a escola estadual como um importante centro cultural. Ao todo, 36 alunos, representando os 27 Núcleos Territoriais de Educação, e 19 professores participam ativamente do evento.
A presença dessas produções na Bienal demonstra o compromisso da SEC em estimular a leitura, a escrita e a expressão artística dentro do ambiente escolar, abrindo portas para que novas vozes sejam ouvidas e reconhecidas no cenário literário e cultural da Bahia.
Conforme informações divulgadas pela Secretaria da Educação do Estado (SEC), esta participação na Bienal do Livro é uma oportunidade ímpar para mostrar a força da educação pública.
Projeto Tempos de Arte Literária (TAL) Amplifica Vozes Estudantis
Um dos pilares desta participação é o projeto Tempos de Arte Literária (TAL), que reúne produções de estudantes de diversas regiões da Bahia. As obras apresentadas abordam uma vasta gama de temas sociais e culturais, permitindo que os jovens expressem suas visões de mundo e reflexões sobre a realidade que os cerca.
Um exemplo marcante é a apresentação da estudante Thaline Silva Leandro, do Colégio Estadual Teotônio Vilela, em Feira de Santana. Ela declamou sua obra “Dor não contada, culpa mascarada”, um poema inspirado em profundas reflexões sobre a violência de gênero. Thaline compartilhou a emoção de sua performance:
“A sensação de declamar é sempre incrível. E hoje, na bienal, foi ainda mais especial. A ideia de performar uma apresentação poética sobre violência de gênero é emocionar quem me ouve. Meu poema nasce da resistência, contra a violência, a misoginia e o feminicídio. Estamos nos levantando de uma trajetória de dor para mostrar que temos espaço na sociedade e que não aceitaremos mais o silenciamento.”
Dando continuidade à programação do TAL, o estudante Felipe Brás dos Santos, do Centro Territorial de Educação Profissional do Médio Rio das Contas, apresentou sua obra que explora a história da população negra e os impactos da escravidão sob uma perspectiva crítica. Felipe destacou a importância de sua obra:
“Escrever sobre a trajetória do meu povo, que enfrentou tantas dificuldades, é uma experiência marcante. Minha obra é um protesto contra o racismo.”
Na sexta-feira, as estudantes Laila Nunes da Silva e Laina Torres apresentaram “Pátria amada”, uma obra que retrata o doloroso período da ditadura militar, evidenciando o sofrimento das vítimas do regime e reforçando a importância da memória histórica para evitar a repetição de erros passados.
Professores Escritores: Compartilhando Experiências e Conhecimento
A programação da Bienal do Livro da Bahia também celebra o talento literário dos professores da rede estadual. Esses educadores, além de suas funções pedagógicas, dedicam-se à escrita, produzindo obras que enriquecem o acervo literário e ampliam o diálogo entre a educação e a arte.
Entre os professores escritores presentes, destaca-se Jandaira Fernandes da Silva, do Colégio Estadual de Tempo Integral de Gandu. Ela compartilha seu livro “Lilica: a princesa que engoliu o choro”, que aborda temas sensíveis como racismo e bullying no ambiente escolar. Jandaira ressaltou a importância de sua participação no evento:
“Ao participar da bienal, coloco o bullying e o racismo no centro da conversa. Meu livro fala sobre resistência e sobre a importância de as crianças se reconhecerem nas histórias.”
A docente também enfatizou a relevância de sua trajetória na educação pública, compartilhando uma mensagem de inspiração para seus alunos:
“Fui aluna da rede pública e, hoje, leciono em uma escola estadual. Posso dizer aos meus alunos que, por meio da Educação, conseguimos romper barreiras.”
A presença desses professores na Bienal não apenas valoriza suas produções individuais, mas também serve como um poderoso exemplo para os estudantes, demonstrando que a paixão pela literatura e a capacidade de expressão podem florescer no ambiente escolar público.
Iniciativas de Incentivo à Leitura e Formação de Novos Leitores
Além das apresentações literárias, a Secretaria da Educação do Estado (SEC) está promovendo a visitação de aproximadamente dez mil estudantes de 250 escolas à Bienal do Livro da Bahia, entre os dias 15 e 18. Esta ação visa ampliar o acesso dos alunos ao universo dos livros e da cultura.
Como parte integrante dessa iniciativa, está sendo distribuído um vale-livro no valor de R$ 100 para cada estudante. O objetivo é incentivar a aquisição de obras literárias e estimular a formação de novos leitores, consolidando o hábito da leitura desde cedo.
Essa medida reforça o compromisso da SEC com a democratização do conhecimento e o fortalecimento da educação pública de qualidade. Ao facilitar o acesso a livros e eventos culturais como a Bienal, a secretaria busca não apenas enriquecer o repertório dos estudantes, mas também despertar neles o interesse pela leitura como ferramenta de aprendizado, desenvolvimento pessoal e exercício da cidadania.
A presença massiva de estudantes e a distribuição de vales-livros são estratégias importantes para combater as desigualdades no acesso à cultura e garantir que todos os alunos, independentemente de sua condição socioeconômica, tenham a oportunidade de explorar o fascinante mundo da literatura.
A Escola como Espaço Cultural e de Protagonismo
A participação expressiva de estudantes e professores na Bienal do Livro da Bahia reafirma o papel da escola estadual como um vibrante espaço cultural e de formação integral. O Espaço Deixa Eu Falar se tornou um microcosmo da riqueza literária produzida dentro das instituições de ensino.
Ao dar voz e visibilidade às produções dos alunos e professores, a SEC não apenas reconhece seus talentos, mas também incentiva um ciclo virtuoso de aprendizado e criação. Os estudantes que veem suas obras expostas e reconhecidas sentem-se motivados a continuar escrevendo e explorando seu potencial criativo.
Da mesma forma, os professores escritores se tornam modelos inspiradores, demonstrando que a paixão pela literatura pode ser integrada à prática pedagógica, enriquecendo o processo de ensino-aprendizagem. A troca de experiências entre educadores e alunos no ambiente da Bienal fortalece os laços e promove um intercâmbio cultural valioso.
A iniciativa de destacar essas produções na Bienal do Livro é uma demonstração clara de que a educação pública vai além da sala de aula, abrangendo a formação de cidadãos críticos, criativos e culturalmente engajados. O protagonismo estudantil é incentivado quando seus trabalhos são valorizados e apresentados em grandes eventos, como este.
A Secretaria da Educação do Estado, por meio dessa e de outras ações, consolida seu compromisso em promover uma educação que não apenas transmite conhecimento, mas que também cultiva a sensibilidade, a expressão e a capacidade de transformação social por meio da arte e da literatura.
A Bienal do Livro da Bahia, neste contexto, transcende a simples venda e exposição de livros, tornando-se um palco para o reconhecimento do potencial humano e a celebração da cultura produzida no cotidiano das escolas baianas, mostrando que o futuro da literatura também se escreve nas salas de aula.


