Bahia
Bloco da Capoeira Celebra Ancestralidade e Resistência com “Roda de Mandinga” no Carnaval de Salvador
Bloco da Capoeira leva "Roda de Mandinga" ao Campo Grande e reafirma ancestralidade e resistência no Carnaval O Carnaval de Salvador foi palco, na noite de quinta-feira (12), para
Bloco da Capoeira leva “Roda de Mandinga” ao Campo Grande e reafirma ancestralidade e resistência no Carnaval
O Carnaval de Salvador foi palco, na noite de quinta-feira (12), para o desfile vibrante do Bloco da Capoeira. Com o tema “Roda de Mandinga: Ancestralidade e Resistência na Arte de Sambar”, a agremiação celebrou a capoeira como uma tecnologia cultural ancestral e um poderoso instrumento de resistência do povo negro.
A apresentação no Circuito Osmar, popularmente conhecido como Campo Grande, destacou a importância das rodas de capoeira como espaços de transmissão de saberes, preservação da memória e fortalecimento da identidade brasileira. A energia contagiante do bloco ecoou entre gingas, cantos e os sons inconfundíveis do berimbau.
O cortejo contou com a presença marcante da ala das baianas, dos malungos, da berimbalada, dos n’gomas e de diversas expressões corporais que conferiram plasticidade e força à manifestação cultural. O Bloco da Capoeira, fundado em 2001, é uma iniciativa da Associação Sócio-Cultural e de Capoeira Bloco Carnavalesco Afro Mangangá, sediada no bairro do Pau Miúdo.
Conforme informações divulgadas pelos organizadores, a associação atua ativamente na promoção e preservação das manifestações culturais de matriz africana. Suas ações socioculturais, socioeducativas e produtivas são voltadas para comunidades em situação de vulnerabilidade social.
A Capoeira Como Tecnologia Cultural e Ferramenta de Inclusão
Tonho Matéria, renomado cantor, compositor e gestor da Mangangá, ressaltou a importância do trabalho contínuo que fundamenta a participação do bloco no Carnaval. “A política pública, através do Ouro Negro, nos dá a possibilidade de avançarmos nas nossas ações. São iniciativas que permitem levar a nossa cultura adiante, mostrar através do corpo e da plasticidade da capoeira quem somos”, afirmou.
Ele explicou que a associação estende sua atuação a 13 comunidades, oferecendo cursos profissionalizantes em diversas áreas, como maquiagem e fotografia. O objetivo é oportunizar e empregar jovens em situação de vulnerabilidade. “São mais de 600 pessoas empregadas. O bloco é o reflexo de tudo isso”, destacou Matéria, evidenciando o impacto social do projeto.
O desfile também prestou homenagem a locais de grande significado para a capoeira e a cultura popular baiana. Espaços como a Roda da Gengibirra, no bairro da Liberdade, a Rampa do Mercado Modelo, Fazenda Grande do Retiro, Ribeira, Terreiro de Jesus e Itapuã foram lembrados, reafirmando a capoeira como uma prática comunitária que mantém viva a tradição.
Carnaval Como Palco de Pertencimento e Oportunidade
Para os integrantes do bloco, o Carnaval transcende a festa, tornando-se um espaço fundamental de pertencimento e fortalecimento de laços. Carolina Cardeal Matos, 35 anos, colaboradora há quatro anos, compartilhou sua experiência de envolvimento com o bloco.
“Venho para trabalhar, mas me divirto muito e conheço muitas pessoas. Fui muito bem acolhida. Meu irmão é professor de capoeira e também está como colaborador”, relatou, evidenciando o acolhimento e a oportunidade de integração proporcionada pela iniciativa.
A estudante Alana de Assis, 14 anos, que participa pela primeira vez do desfile como integrante de um dos grupos da Mangangá, expressou sua gratidão pela oportunidade. “Está sendo incrível. O mestre Tonho Matéria nos dá oportunidade. É a minha primeira vez no bloco e está sendo maravilhoso”, afirmou a jovem, demonstrando o impacto positivo da participação para a juventude.
Mobilização por Políticas Públicas e Alcance Internacional
A mobilização do Bloco da Capoeira também se alinha a movimentos que lutam por políticas públicas mais efetivas para a capoeira. Glenda Lima, coordenadora do coletivo Capoeira em Movimento Bahia (CMB), enfatizou a relevância da união durante o período carnavalesco.
“Somos vários grupos e movimentos lutando por políticas públicas efetivas para a capoeira. Uma delas é que ela se torne componente curricular nas escolas. No Carnaval, unimos forças para celebrar e também para mobilizar, para que as pessoas conheçam mais a influência que a capoeira exerce no Brasil e no mundo”, explicou Lima.
A influência global da capoeira foi representada pelo mestre Luciano Souza, 52 anos, morador da França e professor de percussão. Ele trouxe alunos franceses para vivenciar a experiência do Carnaval de Salvador e da manifestação cultural brasileira. “Essa junção de culturas é muito importante para o nosso Carnaval”, declarou Souza, sublinhando a importância da troca cultural.
O desfile do Bloco da Capoeira no Circuito Osmar não foi apenas uma celebração artística, mas um manifesto vivo da força, da história e da resiliência da cultura afro-brasileira, reafirmando a capoeira como um pilar fundamental da identidade nacional e um símbolo de resistência que ecoa globalmente.


