Bahia
Bloco Os Negões Celebra o Legado Afro-Brasileiro no Carnaval da Bahia 2026 com Tema “Congo: Império Invisível da Bahia”
O protagonismo afro-brasileiro tomou conta das ruas de Salvador no último dia de Carnaval, com o desfile emblemático do Bloco Os Negões.
No encerramento da folia em 2026, o Bloco Os Negões celebrou a rica herança africana no Circuito Batatinha, localizado no histórico Pelourinho. Com o tema “Congo: Império Invisível da Bahia”, o cortejo levou para as ruas do Centro Histórico referências diretas ao Império do Congo e às manifestações culturais que moldaram a identidade baiana.
A apresentação do bloco não foi apenas uma celebração, mas também um ato de reafirmação da importância da cultura afro-brasileira no Carnaval e na sociedade. A escolha do tema reflete um esforço contínuo de resgate e valorização de raízes que muitas vezes são negligenciadas ou invisibilizadas.
O desfile culminou a participação do bloco na festa, deixando uma marca de resistência e orgulho. A iniciativa reforça o papel crucial dos blocos afros como guardiões da memória e promotores da diversidade cultural, especialmente em um contexto onde o fomento a essas manifestações tem se mostrado cada vez mais relevante.
Conforme informações divulgadas pelos organizadores do evento, a participação do Bloco Os Negões em 2026 foi marcada pela profundidade de seu tema e pela energia contagiante de seus componentes e foliões.
Aprofundando Raízes: O Significado do Tema “Congo: Império Invisível da Bahia”
A vice-presidente do Bloco Os Negões, Luma Nascimento, detalhou a concepção do tema. Segundo ela, a escolha partiu do presidente do bloco e foi enriquecida por uma cuidadosa pesquisa histórica e por uma direção criativa que buscou trazer à luz elementos essenciais da cultura afro-brasileira. O objetivo principal foi evidenciar manifestações culturais presentes no cotidiano, mas que frequentemente não são reconhecidas como legados diretos da África.
Nascimento destacou exemplos como o Congado, o Reisado e o Samba de Caboclo, que possuem fortes ligações com o Império do Congo e sua influência na formação cultural da Bahia. “Todo tema que a gente traz para a avenida é para aprofundar algum tipo de informação”, afirmou Luma Nascimento, ressaltando o caráter educativo e de conscientização do bloco.
Essa abordagem temática demonstra o compromisso do Bloco Os Negões em ir além do entretenimento, promovendo um diálogo sobre história e identidade. Ao trazer o “Império Invisível da Bahia” para o centro das atenções, o bloco convida o público a uma reflexão sobre as origens e as influências africanas que permeiam a cultura brasileira.
A Força Crescente dos Blocos Afros no Carnaval Baiano
A professora Isaiana Santos, integrante da ala de dança do bloco, celebrou o notável aumento no número de blocos afros presentes no Carnaval de Salvador. Ela atribui essa expansão, em parte, ao significativo apoio do programa de fomento Ouro Negro. “Estamos fazendo parte do Carnaval. Tanto no Pelourinho como na Avenida, dizendo ‘ei, nós estamos aqui. E somos bonitos de se ver sim'”, declarou Santos.
Ela ressaltou a diversidade e a vitalidade dos cortejos que animam o Circuito Batatinha, mencionando a presença de diversos afoxés e blocos afro. “São vários afoxés e afro. Cada um com a sua etnia, com o seu respeito, com sua dança e, o principal, o seu ijexá”, explicou, evidenciando a riqueza de expressões culturais que coexistem e se complementam na festa.
A fala de Isaiana Santos reflete o sentimento de inclusão e reconhecimento que tem crescido entre os participantes e apoiadores dos blocos afros. A presença marcante dessas agremiações no Carnaval não só enriquece a festa, mas também fortalece a identidade e a autoestima das comunidades afro-brasileiras.
O Circuito Batatinha como Espaço de Resistência e Renovação
A advogada Fernanda Magalhães, residente em Salvador há 15 anos, vivenciou pela primeira vez o Carnaval no Pelourinho, especificamente acompanhando o Bloco Os Negões. Ela descreveu a experiência como “maravilhosa” e destacou a importância do Circuito Batatinha como um espaço de resistência para os blocos afros e afoxés.
Magalhães elogiou a energia e a organização do circuito, considerando-o uma “tendência” e um “alívio” em comparação com os circuitos tradicionais. Sua percepção aponta para o potencial do Pelourinho como um palco vibrante e autêntico para as manifestações culturais afro-brasileiras, oferecendo uma alternativa enriquecedora para a folia soteropolitana.
A valorização de circuitos como o Batatinha é fundamental para garantir a permanência e o desenvolvimento de blocos que carregam consigo um legado histórico e cultural profundo. Esses espaços permitem que a essência do Carnaval, com suas raízes africanas, seja celebrada de forma autêntica e acessível a um público cada vez maior.
Ouro Negro: Impulsionando o Protagonismo Afro no Carnaval
O Bloco Os Negões é um dos 95 projetos apoiados pelo programa Ouro Negro, uma iniciativa que tem se mostrado crucial para o fortalecimento dos blocos afros e afoxés. O programa alcançou um investimento recorde de R$ 17 milhões, demonstrando um compromisso significativo com o fomento à cultura afro-brasileira.
Esse investimento direto tem um impacto visível no Carnaval da Bahia, promovendo um crescimento contínuo nos desfiles de blocos afros e afoxés em todos os circuitos da festa. O aumento do apoio financeiro permite que esses blocos invistam em produção, pesquisa, figurinos e estrutura, elevando o nível de suas apresentações e ampliando seu alcance.
O sucesso de iniciativas como o programa Ouro Negro é um indicativo claro da importância de se investir em cultura como ferramenta de desenvolvimento social, econômico e de afirmação identitária. O protagonismo afro no Carnaval da Bahia, impulsionado por tais programas, é um testemunho da força e da resiliência da cultura negra no Brasil.


