Política

CPMI do INSS busca prorrogação de 60 dias e cogita STF diante de impasses

CPMI do INSS pode ter trabalhos estendidos por mais 60 dias; STF é alternativa A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS enfrenta um possível impasse em seus trabalh

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CPMI do INSS pode ter trabalhos estendidos por mais 60 dias; STF é alternativa

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS enfrenta um possível impasse em seus trabalhos, com o presidente do colegiado, senador Carlos Viana (Podemos-MG), buscando ativamente a prorrogação do prazo de atuação por pelo menos 60 dias.

Diante da ausência de uma decisão formal sobre o pedido de extensão protocolado na Casa, o senador cogita a possibilidade de recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para garantir a continuidade das investigações.

A iniciativa visa aprofundar a apuração de fatos que, segundo Viana, demandam mais tempo para serem devidamente esclarecidos, impactando diretamente a capacidade da comissão de coletar evidências e concluir suas diligências.

Conforme informações divulgadas pelo próprio senador, já foram coletadas assinaturas de parlamentares que apoiam a extensão dos trabalhos, cujo encerramento está previsto para o dia 28 de março. A legislação atual permite a prorrogação do prazo de uma CPMI.

Desdobramentos e Recurso ao STF

O presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana, expressou sua intenção de buscar o Supremo Tribunal Federal caso o pedido de prorrogação não seja formalmente atendido pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). A medida visa assegurar que a comissão tenha tempo hábil para concluir suas investigações.

“Como não recebi uma resposta formal do presidente do Senado com relação à prorrogação da CPMI do INSS, eu, juntamente com outros parlamentares, recorreremos ao Supremo Tribunal Federal para que a CPMI seja prorrogada no prazo estipulado das assinaturas que nós temos, já que por legislação nós temos o direito de que ela permaneça por pelo menos mais 60 dias”, declarou Viana.

O senador argumenta que o prazo adicional é crucial para o aprofundamento nas investigações em curso. A necessidade de estender o período de atuação reflete a complexidade dos temas em apuração e a quantidade de informações a serem processadas.

A decisão de recorrer ao STF demonstra a urgência da situação e a determinação do colegiado em não ter suas atividades encerradas prematuramente. O objetivo é garantir que todas as pontas soltas sejam devidamente investigadas.

Reunião Deliberativa e Próximos Passos

Diante do cenário de possível encerramento dos trabalhos, uma reunião deliberativa da CPMI do INSS foi marcada para a quinta-feira (26). O encontro terá como pauta principal a discussão sobre os rumos das investigações e a definição de próximos passos, incluindo a convocação de novas testemunhas e a solicitação de documentos.

O senador Carlos Viana adiantou que serão apresentados requerimentos importantes, com destaque para solicitações de informações junto a instituições financeiras. A participação de representantes de bancos é vista como essencial para o avanço das apurações.

“Na quinta-feira, nós faremos uma reunião deliberativa em que eu vou trazer os requerimentos, especialmente de nomes que nós já colocamos, de bancos, porque essas pessoas têm de vir”, informou o senador.

A urgência em deliberar sobre quebras de sigilo e convocações é justificada pela iminência do fim do prazo. Caso a prorrogação não seja concedida, o tempo disponível para tais ações será drasticamente reduzido, comprometendo a coleta de provas essenciais.

“De certa forma, é a nossa última grande possibilidade de deliberar quebras de sigilo e convocações, porque se nós não conseguirmos prorrogar a CPMI, nosso prazo terá ficado muito curto em relação aos documentos que nós estamos solicitando”, alertou Viana.

Impasses com Daniel Vorcaro e Quebras de Sigilo

O senador Carlos Viana também relatou a falta de recebimento de informações cruciais relativas às quebras de sigilo bancário, fiscal e telemático do ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. O depoimento de Vorcaro, originalmente previsto para esta segunda-feira, encontra-se em suspenso.

A entrega das informações foi determinada na semana passada pelo ministro André Mendonça, novo relator do caso Master no STF. Anteriormente, o ministro Dias Toffoli, que era o relator, havia determinado que as provas fossem mantidas sob a guarda da Presidência do Senado.

A CPMI recorreu dessa decisão, argumentando que a medida restringia a prerrogativa constitucional de investigar do parlamento, ao atribuir a guarda dos elementos a uma autoridade externa à comissão. A intervenção do STF tem gerado controvérsia.

Viana criticou a decisão de André Mendonça de conceder habeas corpus ao banqueiro, o que o liberou da obrigação de comparecer à CPMI. Essa decisão é vista como um obstáculo significativo para o andamento das investigações.

“O país olha estarrecido o que está acontecendo com essa interferência constante no trabalho do parlamento e de uma CPMI. Já pedi uma agenda com o ministro André Mendonça, quero pessoalmente levar a ele os nossos argumentos. Entendo a posição dele, mas ela tem nos prejudicado e espero que a gente consiga reverter isso no menor prazo possível”, argumentou o senador.

Daniel Vorcaro, que está em prisão domiciliar, foi convocado para prestar esclarecimentos sobre irregularidades envolvendo empréstimos consignados e os prejuízos causados a aposentados, pensionistas e beneficiários do INSS. O Banco Master mantinha um acordo de cooperação técnica com o instituto para a oferta de crédito consignado.

O senador também manifestou descontentamento com a proposta da defesa de Vorcaro de que o depoimento fosse realizado em São Paulo, com a participação restrita de alguns membros da CPMI. Para Viana, essa solicitação configura uma “blindagem absurda” ao banqueiro.

“Eu não considero essa hipótese. Entendo que toda e qualquer pessoa tem a obrigação de vir a essa comissão como outras já vieram. É uma blindagem absurda para que Vorcaro não responda pelos crimes que está envolvido. Temos visto uma série de tentativa de se fazer com que o senhor Vorcaro receba uma proteção sobre o que aconteceu”, afirmou Viana, reforçando a necessidade de o investigado prestar depoimento perante o colegiado.

A situação envolvendo Daniel Vorcaro e as dificuldades em obter informações e depoimentos destacam os desafios enfrentados pela CPMI do INSS na condução de suas investigações, reforçando a necessidade de uma extensão de prazo para aprofundar as apurações e garantir que os responsáveis por eventuais irregularidades sejam identificados.