Bahia
Decrin Celebra 1 Ano de Atuação Essencial Contra Intolerância Religiosa na Bahia
Decrin celebra 1 ano de combate à intolerância religiosa na Bahia com balanço positivo e planos de expansão. Conheça os resultados e o futuro da delegacia.
Decrin celebra um ano de atuação no combate à intolerância religiosa na Bahia
Em um marco significativo para a promoção da igualdade e o respeito à diversidade, a Delegacia Especializada de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa (Decrin) celebrou seu primeiro ano de atividades. A unidade, localizada no Centro Policial de Cidadania e Diversidade (CPCD), no Engenho Velho de Brotas, em Salvador, representa um avanço importante na proteção de vítimas e no enfrentamento a crimes que ferem a dignidade humana.
A criação da Decrin é resultado de uma colaboração estratégica entre a Secretaria de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais (Sepromi) e a Polícia Civil do Estado da Bahia. A delegacia opera diariamente, oferecendo um atendimento especializado e multiprofissional, com suporte psicossocial integrado, para aqueles que sofrem com racismo e intolerância religiosa.
Este primeiro ano de atuação demonstra a relevância e a necessidade da existência de um órgão dedicado a essas questões, que são intrinsecamente ligadas à segurança pública e às políticas de promoção da igualdade racial. A celebração coincide com o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, reforçando o compromisso do estado com a causa.
Conforme informações divulgadas pela Sepromi, a Decrin registrou, em 2025, cerca de 700 denúncias e instaurou aproximadamente 500 inquéritos. Esses números evidenciam a demanda reprimida e a importância da atuação especializada da delegacia.
Balanço do primeiro ano e números da atuação da Decrin
O primeiro ano de funcionamento da Decrin foi marcado por um aumento expressivo no registro de ocorrências e na instauração de inquéritos. O delegado titular da unidade, Ricardo Amorim, destacou o progresso das investigações. “Nesse primeiro ano, conseguimos ampliar o registro de ocorrências e de inquéritos. A maioria dos procedimentos está em fase avançada de investigação”, afirmou Amorim, ressaltando o trabalho dedicado da equipe.
Os dados apresentados pela delegacia indicam um cenário onde a intolerância religiosa e o racismo ainda são realidades presentes. O registro de 700 denúncias e a abertura de 500 inquéritos em um único ano demonstram a urgência e a efetividade da resposta estatal através da Decrin. Essa atuação transversal, que une segurança pública e políticas de igualdade racial, é fundamental para a construção de uma sociedade mais justa e respeitosa.
A estrutura da delegacia, que conta com atendimento especializado e suporte psicossocial, visa acolher as vítimas de forma integral, garantindo que não apenas a esfera criminal seja investigada, mas também o impacto psicológico e social causado pelos atos de intolerância. A integração desses serviços é um diferencial importante na abordagem dos casos.
O legado de Mãe Gilda, uma das figuras centrais na luta contra o racismo e a intolerância religiosa no Brasil, foi lembrado durante as celebrações. Sua trajetória de resistência e a mobilização social que ela inspirou são pilares para a existência e o fortalecimento de iniciativas como a Decrin.
Planos de expansão e fortalecimento da rede de proteção
Olhando para o futuro, a Decrin já delineia seus próximos passos com foco no fortalecimento da rede de proteção e na expansão de suas atividades para outras regiões do estado. A meta é aumentar o alcance e a capilaridade da delegacia, levando seu modelo de atuação especializada a mais cidades baianas.
O delegado-geral da Polícia Civil, André Viana, expressou o compromisso da instituição em ampliar o quadro de pessoal e as unidades especializadas. “A meta é ampliar o quadro de pessoal e as unidades especializadas, levando a estrutura do Estado a mais cidades baianas”, declarou Viana. Essa expansão é vista como crucial para garantir que mais cidadãos baianos tenham acesso a um atendimento especializado contra o racismo e a intolerância religiosa.
Para 2026, a expectativa é ainda mais ambiciosa. O delegado titular Ricardo Amorim projeta um crescimento significativo na capacidade de investigação. “Em 2026, planejamos triplicar o alcance das investigações a partir da confiança que estamos construindo com a população”, disse Amorim. Ele enfatizou a importância de combater a intolerância religiosa, especialmente na Bahia, estado com forte herança africana.
A declaração de Amorim ressalta a identidade cultural da Bahia e a necessidade de proteger as manifestações religiosas de matriz africana e outras diversidades de fé. “Não podemos permitir que a violência contra a fé do próximo prevaleça”, concluiu, reforçando o papel da delegacia na defesa dos direitos humanos e da liberdade religiosa.
Compromisso institucional e mobilização social
A secretária da Sepromi, Ângela Guimarães, ressaltou que o aniversário da Decrin simboliza um compromisso contínuo com a resistência histórica e a luta pela igualdade racial. “A Decrin é a continuidade de um caminho construído por muitas mãos e fruto de uma intensa mobilização social”, afirmou Guimarães.
Ela enfatizou que a delegacia é um instrumento essencial no enfrentamento ao racismo e à intolerância religiosa em toda a Bahia. A declaração reforça a visão da Sepromi de que a Decrin é mais do que uma unidade policial, é um pacto social para garantir o respeito e a dignidade a todos os cidadãos, independentemente de sua fé ou origem racial.
A cerimônia de celebração contou com a presença de diversas autoridades, representantes de movimentos sociais e lideranças religiosas, evidenciando a ampla rede de apoio à causa. Estiveram presentes membros do Ministério Público da Bahia (MPBA), da Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social, a reitora da Uneb, Adriana Marmori, a vereadora Marta Rodrigues e as deputadas Lídice da Mata e Olívia Santana.
A deputada Olívia Santana é autora da lei que instituiu o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, data que ganhou ainda mais significado com a celebração de um ano da Decrin. A presença de representantes de organizações como a União de Negras e Negros pela Igualdade (Unegro), o Conselho Inter-religioso da Bahia (Conirb) e o Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra (CDCN) demonstrou a força da articulação entre o poder público e a sociedade civil.
A importância do respeito à diversidade religiosa e humana
Durante o evento, o Padre Lázaro, da Igreja do Rosário dos Pretos, proferiu palavras de união e reforçou a necessidade de erradicar a intolerância. “Todos devem trabalhar para que a intolerância seja banida. Não é mais possível aceitar que a dignidade humana seja violada por questões de fé ou orientação sexual. O respeito deve ser o alicerce de todas as religiões”, declarou.
A fala do padre sintetiza o espírito da luta contra a intolerância religiosa: a defesa intransigente da dignidade humana e a promoção do respeito mútuo entre todas as crenças e orientações. A Bahia, com sua rica diversidade religiosa e cultural, se torna um palco fundamental para essas discussões e ações.
A Decrin, ao completar seu primeiro ano, não apenas celebra um marco operacional, mas reafirma o compromisso do estado em proteger seus cidadãos contra todas as formas de discriminação. Os planos de expansão e o fortalecimento da rede de proteção indicam um futuro promissor na consolidação de um ambiente mais seguro e inclusivo para todos na Bahia.


