Economia

Dólar Dispara Perto de R$ 5,60: Empresas Correm para Enviar Lucros ao Exterior Antes de Imposto Mais Alto

Dólar sobe e se aproxima de R$ 5,60 com saída de recursos de empresas, bolsa tem leve queda

O mercado financeiro brasileiro vivenciou um dia de **turbulência**, com o dólar comercial alcançando R$ 5,584, uma alta de 0,99% no fechamento desta segunda-feira (22). Essa cotação representa o **maior nível desde o final de julho**, quando a moeda americana foi negociada a R$ 5,60.

Apesar de ter iniciado o dia em queda, o dólar **inverteu o movimento** logo após a abertura dos mercados nos Estados Unidos. A divisa acumula uma alta de 4,67% em dezembro, embora ainda apresente uma desvalorização de 9,64% no acumulado de 2025.

Conforme informações divulgadas pela Reuters, o aumento nas **remessas de lucros e dividendos de empresas para o exterior** tem sido um dos principais fatores de pressão sobre o dólar. Grandes companhias estariam antecipando o envio de recursos para aproveitar a legislação atual, que garante isenção de Imposto de Renda sobre essas operações.

Fuga de capitais antecipa novo imposto

A partir de 1º de janeiro, as **remessas ao exterior e o envio de dividendos acima de R$ 50 mil por mês passarão a ser tributados em 10% de Imposto de Renda**. Diante dessa mudança, as grandes empresas estão acelerando o envio de lucros e dividendos para fora do país, utilizando os últimos dias do ano para evitar a nova taxação.

Essa movimentação de capital para o exterior **aumenta a demanda por dólares**, o que, consequentemente, pressiona a cotação da moeda americana em relação ao real. A saída de recursos representa uma drenagem de moeda estrangeira do mercado brasileiro.

Bolsa em baixa com juros futuros em alta

Em contrapartida à alta do dólar, o **mercado de ações brasileiro registrou um dia de perdas**. O Ibovespa, principal índice da B3, fechou em queda de 0,21%, aos 158.142 pontos, interrompendo uma sequência de duas altas consecutivas.

A pressão sobre a bolsa se deve, em grande parte, à **alta nos juros futuros**. A incerteza sobre quando o Banco Central (BC) iniciará o ciclo de corte da Taxa Selic, se em janeiro ou março, tem levado os investidores a buscarem a **renda fixa**, que se torna mais atrativa com taxas de juros mais elevadas.

Essa migração de investimentos da bolsa para a renda fixa **reduz a liquidez e o volume negociado no mercado acionário**, contribuindo para as quedas observadas. Apesar da aprovação do Orçamento de 2026 e da arrecadação recorde do governo em novembro, os fatores externos e as expectativas futuras moldam o comportamento do mercado.