Bahia
Edital Ouro Negro 2026 Impulsiona a Lavagem da Purificação em Santo Amaro, Fortalecendo a Presença do Povo de Axé
A Lavagem da Purificação de Santo Amaro, na Bahia, foi palco de uma vibrante demonstração de fé e cultura afro-brasileira, impulsionada significativamente pelo Edital Ouro Negro 20
Edital Ouro Negro 2026 Impulsiona a Lavagem da Purificação em Santo Amaro, Fortalecendo a Presença do Povo de Axé
A Lavagem da Purificação de Santo Amaro, na Bahia, foi palco de uma vibrante demonstração de fé e cultura afro-brasileira, impulsionada significativamente pelo Edital Ouro Negro 2026. O programa, com investimento recorde neste ano, viabilizou a participação e a estrutura de três importantes grupos: Samba Creoula, Charanga da Cobrac e Afoxé Tumbá Lá e Cá, garantindo transporte, indumentárias e condições de trabalho essenciais para seus desfiles.
A celebração, marcada pelo aroma de alfazema, o som dos atabaques e a multidão vestida de branco, reafirmou a importância do povo de axé na identidade da festa. O fomento do Edital Ouro Negro não apenas fortaleceu a presença desses grupos, mas também celebrou a liberdade religiosa e a ancestralidade, temas centrais para a comunidade.
Segundo informações divulgadas, o Edital Ouro Negro, criado em 2008, é uma iniciativa do Governo da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura (Secult-BA) e da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais (Sepromi), visando o fortalecimento das manifestações da cultura afro-brasileira.
Liberdade Religiosa e Fé no Cortejo Afro-Brasileiro
O cortejo da Lavagem da Purificação teve início com o Samba Creoula, bloco fundado em 2015 no Ilê Axé Omorodé Loni Oluaye. O grupo, que une samba de roda, samba de caboclo e a participação de baianas, tem uma ligação intrínseca com a festa e a comunidade. Antes de adentrar o circuito, o ritual do padê para Exu, gesto fundamental para o povo de santo, marcou o início das celebrações, demonstrando a forte conexão entre o sagrado e o profano.
Pai Gilson, Babalorixá do terreiro e líder do Samba Creoula, descreveu a lavagem como um momento de profunda purificação espiritual e unificação de povos e crenças. “Representa para a gente muita fé, momento de unificar os povos e suas crenças”, afirmou. Com mais de 40 anos de participação na festa, ele ressaltou a importância da celebração como expressão de liberdade religiosa. “Enxergo a lavagem como uma liberdade de culto e crença, onde vejo o povo de axé usando suas indumentárias sem nenhum tipo de preconceito religioso”, declarou.
O apoio do Edital Ouro Negro foi crucial para a ocupação do espaço público, conforme relatou Pai Gilson. “O edital é mais uma ferramenta do governo que nos dá oportunidade de levar nossa cultura para a rua, não se sentir excluído e mostrar o que realmente sabemos fazer, seja nas indumentárias ou no corpo livre para dança e arte”, explicou. A dimensão comunitária da festa também foi destacada por Camila Mota, filha de Pai Gilson e integrante do Samba Creoula, que enfatizou a alegria e o engajamento da comunidade no preparo para o evento, especialmente das baianas que buscam a impecabilidade em suas vestimentas.
Ancestralidade e Memória na Charanga da Cobrac
Dando sequência ao cortejo, em frente à Casa de Dona Canô, a Charanga da Cobrac se apresentou como bloco de chão, prestando uma emocionante homenagem a duas figuras emblemáticas de Santo Amaro: Dona Nicinha do Samba e Pai Pote, referências negras da cidade. Leonardo Vinícius, coordenador geral do grupo, salientou a longa trajetória da Charanga na lavagem, que remonta ao início dos anos 90, e o impacto direto do Edital Ouro Negro na qualidade do trabalho apresentado.
“A Charanga da Cobrac participa da lavagem de Santo Amaro desde o início dos anos 90 e o Ouro Negro nos fortalece no sentido de nos dar condição para levar um trabalho melhor, mais organizado, de conseguir colocar na rua um maior número de músicos negros”, comentou Vinícius. Ele também sublinhou a importância do fomento para a preservação da cultura negra fora da capital baiana, ressaltando o caráter genuinamente negro do grupo.
“Nosso grupo é genuinamente negro, então leva a cultura negra. A importância do Edital Ouro Negro é pelo fomento. Para manter as tradições culturais vivas e fortes, não só nos eventos da capital, mas também no interior da Bahia”, afirmou o coordenador, evidenciando o alcance do programa para o fortalecimento cultural em toda a região.
Coletividade e Espiritualidade no Afoxé Tumbá Lá e Cá
Na parte da tarde, o Afoxé Tumbá Lá e Cá, ligado ao terreiro Caboclo Mata Virgem, conduziu um mini trio, com o som dos atabaques ecoando pelo percurso da lavagem. Heloá Ramaiane, à frente do projeto, explicou o sentido coletivo e espiritual da celebração. “A lavagem da purificação significa, além de um ato sagrado de renovação, um ato de coletividade”, disse. “É o momento que a gente utiliza para limpar nossos caminhos, fortalecer a nossa fé e honrar nossos ancestrais”.
Ramaiane enfatizou que a presença do povo de axé é imprescindível para a realização da festa, definindo-os como “o coração pulsante da lavagem”. “Cada corpo presente carrega a história, os saberes e a fé”, complementou. O apoio do Edital Ouro Negro foi fundamental para a transição do terreiro para a rua, garantindo as condições materiais necessárias para que o sagrado se manifestasse.
“O apoio do edital foi fundamental porque garante as condições materiais para que o sagrado esteja nessa manifestação. Viabilizou transporte, vestimentas, materiais e a estrutura necessária para o terreiro estar na rua”, detalhou Heloá Ramaiane, destacando o papel do programa em viabilizar a expressão cultural e religiosa em larga escala.
O Papel Transformador do Programa Ouro Negro
O Programa Ouro Negro, instituído em 2008, representa o compromisso do Governo da Bahia em fortalecer as manifestações da cultura afro-brasileira. Através da Secretaria de Cultura (Secult-BA) e da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais (Sepromi), o programa apoia blocos afro, afoxés, grupos de samba, reggae e blocos de índio.
O edital concede apoio financeiro para a realização de desfiles e participação em festas populares, sendo um reconhecimento e ampliação da Lei nº 13.182/2014, que instituiu o Estatuto da Igualdade Racial e de Combate à Intolerância Religiosa do Estado da Bahia. A iniciativa é vital para manter viva a ancestralidade e para o trabalho sociocultural desenvolvido por essas comunidades.
O investimento recorde em 2026 no Edital Ouro Negro demonstra o crescente reconhecimento da importância dessas manifestações culturais e religiosas. Ao garantir estrutura e visibilidade, o programa não apenas fortalece a presença do povo de axé em eventos como a Lavagem da Purificação de Santo Amaro, mas também contribui para a preservação da identidade, a promoção da igualdade racial e o combate à intolerância religiosa no estado.


