Política

EUA expulsam delegado da PF que atuava nos EUA após envolvimento na detenção de Ramagem

Um delegado da Polícia Federal (PF) que prestava serviços junto ao Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE) nos Estados Unidos foi expulso do país.

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EUA expulsam delegado da PF que atuava nos EUA após envolvimento na detenção de Ramagem

Um delegado da Polícia Federal (PF) que prestava serviços junto ao Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE) nos Estados Unidos foi expulso do país. A decisão, divulgada pelo Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental do governo americano, indica que o servidor brasileiro é acusado de tentar manipular o sistema de imigração dos EUA para fins políticos.

A medida foi comunicada pela Embaixada dos Estados Unidos no Brasil por meio de uma nota oficial publicada na rede social X. A expulsão ocorre após o delegado ter estado envolvido na recente detenção do ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) em solo americano.

As autoridades americanas afirmam que nenhum estrangeiro pode utilizar o sistema de imigração do país para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas para o território dos Estados Unidos. O delegado em questão teria tentado justamente burlar essas regras, o que levou à sua expulsão.

Conforme informações divulgadas pela TV Globo, o funcionário expulso é o delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo de Carvalho. A emissora teria confirmado a identidade do delegado com a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, e outros veículos de imprensa também identificaram o servidor com auxílio de autoridades.

Delegado da PF é identificado e motivo da expulsão é detalhado

O delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo de Carvalho, que atuava como adido junto ao ICE nos Estados Unidos, foi identificado como o servidor brasileiro expulso do país. A decisão foi confirmada por veículos de imprensa com base em informações da Embaixada dos EUA no Brasil.

A Embaixada americana em Brasília comunicou a expulsão através da rede social X, afirmando: “Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos”.

A nota prosseguiu: “Hoje, pedimos que o funcionário brasileiro envolvido deixe o nosso país por tentar fazer isso”. A alegação central é que o delegado teria tentado utilizar sua posição para interferir em processos migratórios e de extradição, possivelmente visando perseguições políticas.

O Itamaraty, Ministério das Relações Exteriores do Brasil, informou que não comentaria o caso. A Polícia Federal, por sua vez, declarou que não foi oficialmente comunicada sobre a expulsão de seu delegado.

Alexandre Ramagem foi detido na Flórida e liberado após intervenção

A expulsão do delegado da PF ocorre em um contexto marcado pela recente detenção do ex-deputado federal Alexandre Ramagem. Ramagem foi detido pelo ICE na Flórida na semana passada, permanecendo por dois dias em um centro de detenção.

A detenção ocorreu em Orlando, na Flórida, após uma abordagem policial supostamente por infração de trânsito. Durante a checagem de sua documentação, teria sido constatada a invalidade de seu passaporte diplomático, que havia sido anulado pela Câmara dos Deputados em dezembro de 2025, logo após a cassação de seu mandato.

No entanto, Ramagem foi liberado após dois dias. Em suas redes sociais, ele agradeceu o apoio de aliados e, de forma notória, de membros da “alta cúpula da administração Trump”, que teriam auxiliado no esclarecimento de sua situação junto aos órgãos de imigração americanos.

O ex-parlamentar também contestou a versão oficial da Polícia Federal sobre os motivos de sua abordagem. Ele criticou o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, chamando-o de “vergonha”. Ramagem negou que a abordagem tenha sido por infração de trânsito, versão que circulava entre seus aliados, e sustentou que o procedimento foi estritamente migratório.

Ramagem afirmou que entrou nos Estados Unidos em setembro de 2025 de forma regular, com visto e passaporte válidos na ocasião, e que aguarda a análise de seu pedido de asilo político. Essa alegação contrasta com a informação sobre a anulação de seu passaporte diplomático.

Quem é Alexandre Ramagem e seu histórico judicial

Alexandre Ramagem é uma figura conhecida na política brasileira, tendo ocupado o cargo de diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Seu nome ganhou destaque nacional e internacional em decorrência de processos judiciais.

Recentemente, Ramagem foi condenado a 16 anos de prisão pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito de investigações sobre um suposto plano de golpe de Estado. Antes do trânsito em julgado da ação penal, ele deixou o Brasil, saindo pela fronteira entre Roraima e a Guiana.

Desde setembro de 2025, o ex-deputado é considerado oficialmente um foragido da justiça brasileira. Essa condição levou à inclusão de seu nome na lista da Interpol e ao pedido de sua extradição pelas autoridades brasileiras.

A situação de Ramagem nos Estados Unidos, incluindo sua detenção e o pedido de asilo, adiciona uma nova camada de complexidade ao seu caso, envolvendo agora a diplomacia e as relações bilaterais entre Brasil e EUA, especialmente no que diz respeito a cooperação policial e migratória.

Implicações da expulsão do delegado brasileiro

A expulsão de um delegado da Polícia Federal que atuava nos Estados Unidos, especialmente sob a acusação de manipulação do sistema de imigração para fins políticos, levanta sérias questões sobre a cooperação entre as agências de segurança dos dois países.

A declaração da Embaixada dos EUA foi enfática ao afirmar que o país não permitirá que seu sistema seja usado para perseguições políticas. Isso sinaliza uma postura firme por parte das autoridades americanas em relação à soberania e à integridade de seus processos migratórios e de cooperação internacional.

A atuação do delegado brasileiro estaria diretamente ligada à detenção de Alexandre Ramagem, que é considerado foragido da justiça brasileira e enfrenta condenação por crimes graves. A ligação entre a expulsão do servidor e o caso Ramagem sugere que a presença do ex-deputado nos EUA e os esforços para sua extradição podem ter sido um fator determinante.

A falta de comunicação oficial da Polícia Federal sobre a expulsão de seu delegado pode indicar um desconhecimento interno ou uma tentativa de gerenciar a crise diplomática de forma discreta. A situação pode gerar atritos entre as instituições brasileiras e americanas, afetando futuras colaborações em investigações e extradições.

A alegação de que o delegado tentou “contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas” é particularmente grave. Isso sugere que as ações do servidor brasileiro poderiam ter ultrapassado os limites da cooperação policial e entrado no campo da interferência política indevida, segundo a perspectiva dos EUA.

A expulsão de um oficial de polícia estrangeiro de seu posto em território americano é um evento raro e significativo, indicando a gravidade das ações atribuídas ao delegado. As consequências para a carreira de Marcelo Ivo de Carvalho e para a reputação da Polícia Federal no exterior ainda são incertas.

Este incidente sublinha a complexidade das relações internacionais em matéria de justiça e segurança, onde as leis e os interesses nacionais de cada país podem entrar em conflito. A forma como Brasil e EUA lidarão com as repercussões desta expulsão será crucial para o futuro da cooperação bilateral.