Bahia

Festa de Olojá: Celebrando Exu na Feira de São Joaquim com Apoio da Setur-BA e Novos Horizontes para o Afroturismo

Festa de Olojá Inicia Celebrações na Feira de São Joaquim com Apoio da Setur-BA A Feira de São Joaquim, um dos corações pulsantes do comércio e da cultura soteropolitana, deu iníci

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Festa de Olojá Inicia Celebrações na Feira de São Joaquim com Apoio da Setur-BA

A Feira de São Joaquim, um dos corações pulsantes do comércio e da cultura soteropolitana, deu início às celebrações da Festa de Olojá neste último sábado (28). O evento, que reverencia Exu, o orixá das encruzilhadas e dos caminhos, promete movimentar a Cidade Baixa com uma programação diversificada que se estenderá até o dia 7 de março, quando ocorrerá o ponto alto das festividades nas instalações da própria feira.

O tradicional Bando Anunciador, com sua fanfarra vibrante e energia contagiante, desfilou pelas ruas da feira, anunciando a chegada da festa e divulgando a agenda para feirantes, clientes e turistas. Este ano, a celebração conta com o importante apoio da Secretaria de Turismo do Estado (Setur-BA), através do projeto Agô Bahia, que visa incentivar as manifestações culturais e religiosas de matriz africana, fortalecendo o afroturismo na Bahia.

A iniciativa da Setur-BA em apoiar o Olojá, que teve início em 2024, demonstra um compromisso crescente com a valorização do patrimônio cultural afro-brasileiro, reconhecendo a importância dessas manifestações não apenas como expressões de fé e tradição, mas também como atrativos turísticos com grande potencial econômico e social.

A Importância do Apoio Institucional para a Festa de Olojá

A parceria estabelecida entre a Festa de Olojá e a Secretaria de Turismo do Estado da Bahia (Setur-BA) tem se mostrado um divisor de águas para a consolidação e expansão das celebrações. Conforme relatado pela presidente da Associação Cultural e Social Olojá, Anane Simões, a Setur-BA foi o primeiro órgão público a firmar uma colaboração, garantindo um suporte fundamental para a realização do evento.

“A Setur-BA foi o primeiro órgão público a nos convidar para uma parceria e garantir apoio, que tem sido fundamental na realização da festa, a cada edição com um número maior de participantes”, afirmou Anane Simões. Ela destacou que o Bando Anunciador já está divulgando a programação de 2026, que promete ser marcada pelo acolhimento e pela celebração da ancestralidade, evidenciando a continuidade e o crescimento do evento.

O projeto Agô Bahia, sob a égide da Setur-BA, tem como objetivo primordial o incentivo às manifestações culturais e religiosas de matriz africana. Ao integrar a Festa de Olojá em suas ações, a secretaria busca não apenas fortalecer a tradição, mas também impulsionar o afroturismo, um segmento turístico que tem ganhado cada vez mais destaque e relevância, atraindo visitantes interessados em vivenciar a riqueza da cultura afro-brasileira.

Este apoio institucional é crucial para garantir a estrutura necessária para a festa, permitindo que ela alcance um público maior e se consolide como um evento de referência no calendário cultural de Salvador. A colaboração entre o poder público e as organizações culturais é um modelo promissor para a preservação e difusão do patrimônio imaterial do estado.

Olojá 2024: Um Olhar para a 5ª Edição e o Tema Central

A 5ª edição da Festa de Olojá chega com um tema potente e significativo: “Do mercado ao mundo: Exu no calendário da cidade”. Esta temática faz uma alusão direta à recente inclusão da festa no calendário oficial das celebrações populares de Salvador, um reconhecimento merecido da importância cultural e social do evento. A Feira de São Joaquim, palco histórico de trocas e encontros, torna-se assim um ponto de partida para a difusão da reverência a Exu.

A expectativa é que mais de 100 terreiros de candomblé participem das homenagens ao orixá guardião dos caminhos. Essa mobilização expressiva demonstra a força da comunidade religiosa e a relevância do Olojá como um momento de congregação e celebração coletiva. A presença de tantos terreiros enriquece a festa com a diversidade de suas tradições e rituais.

No âmbito cultural, um dos grandes destaques da programação é o Palco Nagô. Este espaço será palco para apresentações de grupos oriundos das casas de santo, incluindo afoxés, grupos de samba e diversas outras manifestações populares. A iniciativa visa dar visibilidade e valorizar os talentos artísticos que emergem diretamente das comunidades religiosas, fortalecendo a conexão entre a fé, a arte e a cultura.

A escolha do tema e a organização da programação refletem o desejo de posicionar o Olojá não apenas como uma festa religiosa, mas como um evento cultural de grande porte, com potencial para atrair tanto a comunidade local quanto turistas de outras partes do Brasil e do mundo. A meta é que Exu, através do Olojá, se torne uma figura ainda mais presente e compreendida no cotidiano e no imaginário da cidade.

A Perspectiva da Comunidade e a Continuidade Religiosa

A Festa de Olojá transcende o caráter meramente festivo, representando um momento de profunda conexão espiritual e comunitária para os adeptos do candomblé. A importância da celebração para a comunidade religiosa foi ressaltada por Tatiane Assis, iakekerê (mãe pequena) do terreiro Casa do Ferreiro.

“O Olojá é importantíssimo para o povo do candomblé. É uma oportunidade para celebrarmos Exu, festejarmos a diversidade e promovermos um encontro comunitário”, declarou Tatiane Assis. Sua fala evidencia o papel do evento como um espaço de reafirmação da identidade religiosa e de fortalecimento dos laços sociais entre os praticantes da fé.

A preocupação com a transmissão dos saberes e tradições para as novas gerações foi um ponto chave em seu depoimento. Tatiane Assis fez questão de levar sua filha para presenciar o Bando Anunciador, sublinhando a importância de envolver os mais jovens nestes momentos significativos. “Fiz questão de trazer a minha filha para ver o Bando Anunciador, porque ela é a continuidade da minha família, da nossa religião, e nós precisamos incluir os mais novos nesses momentos”, ressaltou.

Essa perspectiva de continuidade é vital para a preservação da cultura afro-brasileira. Ao incluir as crianças e jovens nas celebrações, garante-se que os valores, as crenças e as práticas religiosas sejam passados adiante, assegurando a vitalidade e a longevidade dessas tradições ancestrais. O Olojá, nesse sentido, atua como um elo entre o passado, o presente e o futuro.

O Impacto Econômico e a Requalificação da Feira de São Joaquim

A Festa de Olojá não apenas enriquece o cenário cultural e religioso de Salvador, mas também se configura como um importante motor de desenvolvimento econômico, especialmente para a região da Feira de São Joaquim. O evento tem se transformado em um novo atrativo para a feira, que está passando por um processo de requalificação com obras realizadas pelo Governo do Estado.

Nilton Ávila, conhecido como Gago da Feira e presidente do Sindicato dos Feirantes de São Joaquim, destacou o impacto positivo do evento. “É um evento do afroturismo que se transformou no novo atrativo da feira, que vive um momento de requalificação, com as obras realizadas pelo Governo do Estado, que também garante apoio à nossa programação cultural e religiosa, atraindo baianos e turistas”, afirmou.

A requalificação da Feira de São Joaquim, aliada ao fortalecimento de eventos como o Olojá, visa modernizar a infraestrutura do local, tornando-o mais acolhedor e acessível para feirantes e consumidores. A expectativa é que essas melhorias, combinadas com a atração turística gerada pela festa, impulsionem as vendas e gerem novas oportunidades de negócio para os trabalhadores da feira.

O afroturismo, como mencionado por Gago da Feira, emerge como um segmento promissor, capaz de atrair um público específico interessado em vivenciar a autenticidade da cultura afro-brasileira. A Festa de Olojá, ao integrar a programação religiosa e cultural com o ambiente vibrante da feira, oferece uma experiência única que combina comércio, fé, arte e história, beneficiando toda a cadeia produtiva local.

Programação Detalhada e Eventos Complementares

A Festa de Olojá se desdobra em uma série de eventos que antecedem e complementam seu ápice no dia 7 de março. Nos dias 4 e 6 de março, a programação conta com a Feira de Saúde e o Mercado da Memória Ancestral, respectivamente. Essas iniciativas buscam oferecer serviços e produtos que dialogam com a ancestralidade e o bem-estar da comunidade.

A Feira de Saúde, por exemplo, pode oferecer serviços de saúde preventiva, orientação sobre bem-estar e acesso a informações relevantes para a comunidade, integrando o cuidado com o corpo e a mente às celebrações espirituais. Já o Mercado da Memória Ancestral tem o potencial de expor e comercializar produtos artesanais, alimentos tradicionais e artefatos que remetem à história e às raízes africanas, fortalecendo a economia criativa e a valorização do saber ancestral.

A programação completa, com horários e locais específicos das atividades, será amplamente divulgada pela organização do evento e pela Setur-BA, garantindo que o público possa se planejar e participar ativamente das celebrações. A diversidade de atividades visa contemplar diferentes públicos e interesses, consolidando o Olojá como um evento plural e inclusivo.

A colaboração entre a Associação Cultural e Social Olojá, a Setur-BA e as demais entidades envolvidas, como o Sindicato dos Feirantes, é fundamental para o sucesso e a sustentabilidade da festa. Essa união de esforços fortalece o compromisso com a preservação da cultura, a promoção do turismo e o desenvolvimento socioeconômico de Salvador, projetando a Festa de Olojá como um marco no calendário cultural baiano.