Política
Flávio Bolsonaro alinha discurso de “guerra” ao crime organizado com Douglas Ruas no Rio de Janeiro
Flávio Bolsonaro e Douglas Ruas unem forças no Rio e prometem "guerra" contra o crime organizado O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, participo
Flávio Bolsonaro e Douglas Ruas unem forças no Rio e prometem “guerra” contra o crime organizado
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, participou de um ato de campanha na Ilha Itanhangá, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro. Ao lado do deputado estadual Douglas Ruas (PL-RJ), que concorre ao governo do estado, Flávio Bolsonaro declarou que ambos estão alinhados em “declarar guerra” ao crime organizado.
A declaração foi feita em um evento que reuniu apoiadores e políticos. Flávio Bolsonaro direcionou suas palavras aos “narcoterroristas de Comando Vermelho, PCC e milícias que estão aqui no Rio, estão em São Paulo, estão em todo o Brasil”. A aliança política e o discurso de combate à criminalidade ganham destaque em meio a questionamentos sobre o passado de ambos os políticos.
Enquanto Flávio Bolsonaro busca reforçar sua imagem de defensor da segurança pública, seu histórico, especialmente em relação a figuras ligadas a milícias, tem sido alvo de escrutínio. Da mesma forma, Douglas Ruas, filho do prefeito de São Gonçalo, Capitão Nelson (PL), também enfrenta questionamentos sobre seu envolvimento familiar com grupos investigados pela CPI das Milícias.
Histórico de Flávio Bolsonaro sob os holofotes
O passado de Flávio Bolsonaro levanta pontos de atenção quando o tema é combate ao crime. Em 2003, quando era deputado estadual, o senador propôs uma moção de louvor ao miliciano Adriano da Nóbrega. Dois anos depois, em 2005, Adriano da Nóbrega foi agraciado com a Medalha Tiradentes, também por iniciativa de Flávio Bolsonaro.
Além disso, o gabinete do senador chegou a ter a mãe e a esposa de Adriano da Nóbrega como funcionárias. Outra acusação envolvendo Flávio Bolsonaro diz respeito a uma emenda parlamentar de quase R$ 200 mil destinada a um projeto esportivo. A emenda teria sido solicitada por Robson Calixto, conhecido como “Peixe”, um miliciano condenado por seu envolvimento na morte da vereadora Marielle Franco.
Esses fatos trazem um contraponto à retórica de “guerra” ao crime organizado apresentada pelo senador, gerando debates sobre a coerência de suas declarações com suas ações passadas. A proximidade com figuras e situações ligadas a grupos criminosos levanta questionamentos sobre a profundidade de seu compromisso com o combate à criminalidade organizada.
Douglas Ruas e as sombras da CPI das Milícias
Douglas Ruas, ao lado de Flávio Bolsonaro no evento, também tem seu histórico sob análise. Ele é filho de Capitão Nelson (PL), prefeito de São Gonçalo. Em 2008, o relatório final da CPI das Milícias da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) citou o pai de Douglas Ruas como um dos líderes da milícia na região. Capitão Nelson sempre negou as acusações.
A associação de Douglas Ruas a um pai investigado e apontado como líder de milícias lança uma sombra sobre sua candidatura ao governo do estado. A aliança com Flávio Bolsonaro, que também enfrenta questionamentos semelhantes, pode ser vista como uma estratégia para fortalecer ambos os candidatos em um discurso comum de segurança, mas também os expõe a críticas por suas conexões.
A presença de Douglas Ruas em um palanque com Flávio Bolsonaro, ambos defendendo o combate ao crime, evidencia uma articulação política que busca capitalizar o tema da segurança pública. Contudo, as investigações passadas e as conexões familiares de ambos os políticos podem ser exploradas por seus adversários.
Flávio Bolsonaro nega cortes em programas sociais e ataca “boatos”
Durante o evento, Flávio Bolsonaro abordou outras pautas de sua campanha, negando veementemente boatos sobre o fim de programas sociais. Ele classificou como “boatos” a informação de que ele privatizaria a Petrobras, buscando tranquilizar eleitores que temem descontinuidade de políticas públicas.
O candidato agradeceu o apoio de Augusto Cury, ex-candidato à Presidência, e revelou que está em conversas com outros partidos para ampliar seu arco de alianças. Flávio Bolsonaro reafirmou seu compromisso em manter os programas sociais existentes, como o Bolsa Família, e se disse vítima de campanhas de desinformação.
“Há várias mentiras circulando. Uma delas é que eu acabaria com o Bolsa Família. Isso é mentira”, declarou o senador, em uma tentativa de desconstruir narrativas negativas sobre suas propostas. Essa postura visa a blindar sua candidatura contra ataques que possam minar sua popularidade entre os beneficiários de programas sociais.
Críticas sobre cortes em programas sociais e orçamento da saúde
Apesar das negativas de Flávio Bolsonaro, seu histórico e o do governo de seu pai, Jair Bolsonaro, são frequentemente associados a propostas de cortes em gastos públicos. Uma crítica recorrente se refere ao Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2023, enviado ao Congresso em 2022. Na proposta, o governo de Jair Bolsonaro sugeriu uma redução de 59% nos recursos destinados à Farmácia Popular.
A verba prevista para o programa caiu de R$ 2,04 bilhões para aproximadamente R$ 804 milhões, o que representa um corte de cerca de R$ 1,2 bilhão. Essa medida gerou forte repercussão negativa e foi interpretada por muitos como um sinal de enfraquecimento das políticas de acesso a medicamentos.
Adicionalmente, a coordenadora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro, Daniella Marques, tem mencionado em entrevistas a intenção de reduzir o número de ministérios e promover cortes em gastos públicos. Em outubro, uma reportagem da Folha de S.Paulo indicou que a equipe econômica de Flávio Bolsonaro estudava medidas para economizar até R$ 250 bilhões, incluindo alterações na correção de aposentadorias e do Benefício de Prestação Continuada (BPC), além de cortes nos pisos de saúde e educação.
A campanha de Flávio Bolsonaro nega que tais medidas representem posições oficiais do candidato, mas as informações divulgadas alimentam o debate sobre a sustentabilidade e a ampliação de programas sociais sob uma eventual gestão do senador. A dicotomia entre o discurso de manutenção de programas sociais e as propostas de austeridade fiscal continua sendo um ponto sensível na campanha.


