Política

Gleisi Hoffmann culpa Selic por dívida pública e ignora gastos, enquanto juros altos drenam R$ 1,8 trilhão do orçamento

Gleisi Hoffmann aponta Selic como principal vilã da dívida pública, minimizando impacto dos gastos governamentais

A ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, lançou uma crítica contundente contra a taxa básica de juros, a Selic, atribuindo a ela a maior responsabilidade pelo crescimento da dívida pública no Brasil. Em sua visão, os juros elevados são os verdadeiros drenos do orçamento, e não as despesas do governo.

Hoffmann utilizou suas redes sociais para expressar seu descontentamento com o patamar atual da Selic, fixada em 15% ao ano, o mais alto desde 2006. Segundo ela, essa taxa exorbitante “suga” recursos que deveriam ser destinados a investimentos cruciais para o desenvolvimento do país, além de comprometer a prestação de serviços públicos e programas sociais.

A ministra contestou narrativas que apontam o crescimento de 5% acima da inflação nas despesas governamentais como causa principal da dívida pública. Ela argumenta que essas análises ignoram o fato de que os juros da dívida estão significativamente mais altos que a inflação, criando um ciclo vicioso de endividamento. Conforme informação divulgada pela ministra, “Esses juros estratosfóricos, que encarecem o crédito e limitam o crescimento, é que fazem crescer a dívida pública”.

Juros da Dívida Pública Consomem Quase 30% do Orçamento da União

A crítica de Gleisi Hoffmann ganha ainda mais peso ao analisar a Proposta de Lei Orçamentária de 2026 (Ploa), aprovada pelo Congresso Nacional. O texto prevê um total de R$ 6,5 trilhões em despesas. Desse montante, um valor expressivo de R$ 1,82 trilhão, o que representa 28% do total, será destinado exclusivamente ao pagamento de juros da dívida pública.

Este cenário revela o impacto direto dos juros altos no planejamento financeiro do país. Os recursos que poderiam ser aplicados em áreas como saúde, educação e infraestrutura acabam sendo direcionados para o serviço da dívida, perpetuando um ciclo de restrição fiscal e limitando o potencial de crescimento econômico.

Copom Mantém Selic em 15% e Mercado Projeta Queda Gradual

As declarações da ministra ocorrem em um contexto onde o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, pela quarta vez consecutiva, manter a taxa Selic em 15% ao ano. Essa decisão, embora esperada pelo mercado financeiro, reforça a preocupação com os altos custos de juros para o governo e para a economia em geral.

Apesar da manutenção da taxa, o boletim Focus do Banco Central projeta uma queda gradual da Selic nos próximos anos. A expectativa dos analistas de mercado é que a taxa caia para 12,25% ao ano até o final de 2026, e continue em declínio para 10,5% em 2027 e 9,75% em 2028. Essa projeção, no entanto, ainda indica um período prolongado com juros em patamares elevados.

Inflação em Queda, Mas Selic Permanece Alta por Cautela

Paralelamente, as projeções para a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), têm sido revisadas para baixo. O boletim Focus reduziu a estimativa de inflação para este ano de 4,36% para 4,33%, marcando a sexta semana consecutiva de queda na previsão. Para 2026, a projeção também caiu, de 4,1% para 4,06%.

Apesar da tendência de queda na inflação, que se encontra dentro do intervalo da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (de 1,5% a 4,5%), o Banco Central tem mantido uma postura cautelosa. Em seu último comunicado, o Copom reiterou que o cenário atual é de grande incerteza e que a estratégia de manter a Selic elevada por um período prolongado é necessária para garantir a convergência da inflação à meta.

O Banco Central enfatiza que seguirá vigilante e que os próximos passos da política monetária poderão ser ajustados, sem hesitar em retomar o ciclo de aperto caso julgue apropriado. Essa cautela, contudo, contribui para a manutenção de juros altos que, segundo Gleisi Hoffmann, são os principais responsáveis pelo endividamento público do Brasil.