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Governo Trump em 2026: Doutrina Donroe, Portas Fechadas para Imigrantes e Campanha Agressiva

Governo Trump em 2026: Doutrina Donroe, Portas Fechadas para Imigrantes e Campanha Agressiva

Após um primeiro ano de mandato marcado por ações previsíveis e alinhadas à sua campanha, o segundo ano do segundo mandato de Donald Trump nos Estados Unidos, em 2026, promete ser mais incerto e repleto de desafios. Analistas preveem um fechamento ainda maior nas políticas de imigração, uma reconfiguração da política externa com foco na América Latina sob uma nova interpretação da Doutrina Monroe, e uma disputa acirrada para recompor a base fragmentada do Partido Republicano de olho nas eleições de meio de mandato.

A agenda de Trump para 2026, segundo especialistas ouvidos pelo g1, deve priorizar o endurecimento das políticas anti-imigração, buscando fechar as portas para novas chegadas e intensificar restrições na concessão de vistos. Paralelamente, espera-se uma expansão de operações na América Latina, inspirada na chamada “Doutrina Donroe”, com o objetivo de consolidar a influência dos EUA na região e conter o avanço de China e Rússia.

O cenário político interno também será turbulento, com Trump buscando reagrupar um Partido Republicano fragmentado e lançando uma campanha agressiva para as eleições de meio de mandato. Além disso, uma batalha significativa se desenha em torno da regulamentação da Inteligência Artificial, onde o governo Trump tende a intervir minimamente, cedendo à pressão das gigantes da tecnologia. Conforme informação divulgada pelo g1, a imprevisibilidade, marca registrada do estilo de governo de Trump, deve continuar sendo um fator determinante para o desenrolar dos acontecimentos em 2026.

Endurecimento nas Políticas de Imigração e “Doutrina Donroe”

A política de combate à imigração ilegal, que já se mostrou agressiva em 2025 com operações intensivas do ICE, deve ganhar novos contornos em 2026. A expectativa é de um foco maior na restrição de entrada de estrangeiros e na limitação da concessão de vistos. Essa mudança se alinha com a queda na aprovação da política de imigração de Trump, que caiu de 49% para 38% no último semestre de 2025, segundo pesquisa do Centro de Pesquisa de Assuntos Públicos da Associated Press e do Instituto Norc. A suspensão de vistos para cidadãos de 19 países, incluindo Afeganistão, Irã, Cuba e Venezuela, já sinaliza essa nova direção.

Em paralelo, a política externa de Trump mira a América Latina com a releitura da Doutrina Monroe, apelidada de “Doutrina Donroe”. Essa abordagem visa expandir a influência e as operações militares dos EUA na região, como a operação em curso perto da costa da Venezuela, e fortalecer um protecionismo ocidental contra China e Rússia. A assinatura de um acordo de cooperação com o Paraguai, prevendo atuação de militares dos EUA, reforça essa estratégia de maior presença americana no continente.

Eleições de Meio de Mandato e a Busca por Reagrupamento Político

Novembro de 2026 será crucial com as eleições de meio de mandato, que renovarão a Câmara dos Deputados e um terço do Senado. O Partido Republicano, atualmente fragmentado e com recentes derrotas em eleições locais, como em Miami, enfrenta o desafio de se reestruturar. Trump prometeu uma campanha agressiva para garantir o apoio republicano, buscando mitigar as perdas históricas que o partido do presidente em exercício costuma sofrer nesse tipo de eleição.

A Batalha pela Regulamentação da Inteligência Artificial

Outro ponto de atenção em 2026 será a regulamentação da Inteligência Artificial. Diante da pressão de gigantes da tecnologia, como a Nvidia, que argumentam contra excesso de regulamentação para não frear a inovação, Trump tende a adotar uma postura de mínima intervenção. Sua ordem executiva de dezembro busca unificar a legislação em torno de uma estrutura nacional “minimamente onerosa”, apesar de 38 estados já terem implementado leis próprias sobre o uso da IA.

Imprevisibilidade como Ferramenta de Governo

Apesar das agendas delineadas, a imprevisibilidade continuará sendo uma marca do governo Trump. Analistas como Sam Logan, da Washington Southern Pulse, destacam que essa incerteza, assim como no caso do ex-presidente Richard Nixon, pode ser a ferramenta mais poderosa de Trump na política externa, permitindo-lhe navegar por conflitos internacionais e negociações complexas com uma abordagem única e, por vezes, surpreendente.