Bahia
Ilê Aiyê 2026: ‘Turbantes e Cocares’ celebram resistência afro e indígena na Bahia
Ilê Aiyê 2026: 'Turbantes e Cocares' celebram resistência afro e indígena na Bahia O Ilê Aiyê, um dos mais tradicionais e emblemáticos blocos afro do Carnaval de Salvador, anunciou
Ilê Aiyê 2026: ‘Turbantes e Cocares’ celebram resistência afro e indígena na Bahia
O Ilê Aiyê, um dos mais tradicionais e emblemáticos blocos afro do Carnaval de Salvador, anunciou que seu tema para 2026 será “Turbantes e Cocares: a história de resistência do povo afro e indígena de Maricá”. A escolha ressalta a profunda conexão entre as culturas africana e indígena, celebrando a luta e a ancestralidade de ambos os povos. O anúncio foi feito durante a tradicional saída do bloco na Ladeira do Curuzu, em Salvador, um evento que reuniu admiradores e autoridades.
O vice-governador e coordenador-geral do Carnaval, Geraldo Júnior, esteve presente na cerimônia e destacou a importância do Ilê Aiyê para a identidade cultural da Bahia e do Brasil. Ele ressaltou que o bloco não é apenas uma manifestação artística, mas também um veículo de inclusão, políticas sociais e valorização da história e ancestralidade afro-brasileira e, agora, indígena.
O apoio do Governo da Bahia, por meio do programa Ouro Negro, gerenciado pela Secretaria de Cultura, é fundamental para a realização do desfile. O programa, que em 2026 alcançou um investimento recorde de R$ 17 milhões, fortalece entidades de matriz africana, incluindo blocos afro, afoxés, grupos de samba e reggae, além de grupos indígenas, garantindo a diversidade e a riqueza cultural do Carnaval baiano.
Conforme informações divulgadas pelo Governo da Bahia, o tema “Turbantes e Cocares” simboliza a união de lutas e narrativas que atravessam séculos de resistência. Os turbantes, símbolos fortes da cultura africana e da identidade negra, encontram nos cocares um elo com as tradições dos povos originários, que também lutam por reconhecimento e preservação de suas culturas e territórios.
A Força da Ancestralidade e Resistência Afro-Indígena
A escolha do tema “Turbantes e Cocares: a história de resistência do povo afro e indígena de Maricá” pelo Ilê Aiyê para o Carnaval de 2026 é um marco na celebração da diversidade cultural brasileira. O bloco, que completa 52 anos de história, reafirma seu compromisso em dar visibilidade às lutas e à riqueza das culturas de matriz africana e, nesta edição, estende esse reconhecimento aos povos indígenas. A iniciativa visa promover um diálogo profundo sobre as conexões históricas e culturais entre esses dois grupos, muitas vezes marginalizados e silenciados ao longo da história.
A secretária de Promoção da Igualdade Racial, Angela Guimarães, enfatizou o papel do Ilê Aiyê como um agente de conscientização. “O Ilê Aiyê leva às ruas a força da cultura de matriz africana, com sua musicalidade, ancestralidade e produção cultural, reunindo pessoas da Bahia, do Brasil e do mundo que valorizam a nossa história contada pelo nosso próprio olhar e que nos reconecta à África”, afirmou Guimarães. A inclusão do elemento indígena no tema reforça a visão ampliada de ancestralidade e resistência que o bloco busca promover.
O vice-governador Geraldo Júnior, ao acompanhar a saída do bloco, celebrou a escolha temática. Ele destacou que o Ilê Aiyê representa “a força do nosso povo e símbolo da resistência da cultura popular”. A inclusão de elementos indígenas na narrativa do bloco é vista como um passo importante para a construção de uma memória coletiva mais completa e representativa da formação do Brasil, reconhecendo a contribuição e a luta dos povos originários.
A representação de Maricá no tema sugere uma conexão com comunidades específicas onde essa interseção cultural afro-indígena é particularmente forte. Essa escolha não apenas honra a história local, mas também projeta para o cenário nacional a importância de reconhecer e valorizar as diversas manifestações culturais que compõem a identidade brasileira, muitas vezes invisibilizadas pela narrativa hegemônica.
Programa Ouro Negro: Investimento Recorde em Cultura Afro e Indígena
O Governo da Bahia, por meio do programa Ouro Negro da Secretaria de Cultura (Secult-BA), demonstra um compromisso robusto com o fortalecimento das manifestações culturais de matriz africana e indígena. Em 2026, o programa alcançou um investimento recorde de R$ 17 milhões, destinado a apoiar 95 projetos de entidades de matriz africana em Salvador e outros oito no interior do estado. Este montante significativo visa não apenas garantir a realização dos desfiles, mas também fortalecer a estrutura e a sustentabilidade desses grupos culturais.
O secretário de Cultura, Bruno Monteiro, ressaltou a honra do governo em apoiar essa tradição. “O Governo da Bahia tem a honra, a satisfação de valorizar essa tradição do Ilê Aiyê, por meio do edital Ouro Negro e por meio de uma série de políticas públicas de apoio, de diálogo permanente com os blocos afros da Bahia”, declarou Monteiro. A inclusão de grupos indígenas no escopo de apoio do programa Ouro Negro é uma novidade que reflete um avanço nas políticas culturais do estado, buscando uma reparação histórica e um reconhecimento mais amplo da diversidade cultural.
O programa Ouro Negro tem sido um pilar fundamental para a manutenção e o desenvolvimento dos blocos afro, afoxés, grupos de samba, reggae e, agora, de comunidades indígenas. Ao destinar recursos expressivos, o governo assegura que a identidade cultural do Carnaval de Salvador seja preservada e enriquecida, promovendo a inclusão social, a geração de emprego e renda, e a valorização do patrimônio imaterial da Bahia. A edição de 2026 promete ser uma das mais expressivas em termos de investimento e alcance.
A ampliação do apoio para incluir grupos indígenas no programa Ouro Negro é uma resposta às demandas históricas por representatividade e reconhecimento. Essa política pública busca fortalecer a diversidade dentro das próprias manifestações culturais, promovendo intercâmbios e a construção de narrativas conjuntas que reflitam a complexidade da formação social e cultural brasileira. A parceria entre o governo e as entidades culturais é essencial para o sucesso dessas iniciativas.
Ilê Aiyê: Mais de Cinco Décadas de Luta e Afirmação Cultural
Com 52 anos de trajetória, o Ilê Aiyê se consolidou como um dos pilares da cultura afro-brasileira e um símbolo de resistência. Fundado em 1974, o bloco “a casa mais original do universo” tem sido palco para a exaltação da negritude, da ancestralidade africana e da luta contra o racismo. A cada ano, o Ilê Aiyê traz para a avenida temas que dialogam com a história, a política e a cultura afro-brasileira, promovendo reflexão e orgulho identitário.
A saída do bloco na Ladeira do Curuzu, tradicionalmente realizada em um sábado à noite, é um dos momentos mais aguardados pelos foliões e pela imprensa especializada. A energia contagiante, as cores vibrantes dos figurinos e a percussão marcante embalam a comunidade e os visitantes, que celebram a força e a beleza da cultura afro. A presença de autoridades e lideranças culturais reforça o reconhecimento da importância do Ilê Aiyê no cenário nacional.
A secretária Angela Guimarães destacou a capacidade do bloco em conectar pessoas de diversas partes do mundo à história e cultura afro. “O Ilê Aiyê […] nos reconecta à África”, afirmou. Esta capacidade de transcender fronteiras e criar laços com a ancestralidade africana é um dos grandes legados do bloco, que inspira e fortalece a identidade de afrodescendentes em todo o planeta. A celebração de 2026, com a inclusão da perspectiva indígena, promete expandir ainda mais esse alcance.
A longevidade do Ilê Aiyê é um testemunho de sua relevância e capacidade de adaptação. Ao longo de mais de cinco décadas, o bloco enfrentou desafios, mas manteve-se firme em seu propósito de valorizar a cultura negra e promover a autoestima da comunidade. A cada novo tema, o Ilê Aiyê renova seu compromisso com a arte, a história e a resistência, consolidando-se como um patrimônio cultural vivo da Bahia e do Brasil.
Carnaval 2026: Um Palco de Inclusão e Valorização da Diversidade
O Carnaval de Salvador de 2026 se anuncia como um evento de grande relevância para a celebração da diversidade e a promoção da inclusão social e cultural. Com o tema “Turbantes e Cocares: a história de resistência do povo afro e indígena de Maricá”, o Ilê Aiyê se posiciona na vanguarda dessa celebração, promovendo um diálogo interétnico e intertextual inédito no circuito oficial.
O vice-governador Geraldo Júnior enfatizou que o desfile do Ilê Aiyê representa “um Carnaval com inclusão, políticas sociais, geração de emprego e valorização da nossa história e ancestralidade”. Essa visão reflete o compromisso do governo em utilizar o Carnaval como uma plataforma para o desenvolvimento social e a promoção da igualdade, reconhecendo a importância dos blocos afro e de matriz africana nesse processo.
A participação do Ilê Aiyê se estenderá pelas madrugadas de domingo (15), segunda-feira (16) e terça-feira (17) de fevereiro de 2026, proporcionando ao público a oportunidade de vivenciar essa celebração de resistência e ancestralidade em diferentes momentos da festa. A expectativa é de que o tema atraia um público diversificado, interessado em conhecer e celebrar as riquezas culturais que moldam a identidade brasileira.
A articulação entre o Governo da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura e do programa Ouro Negro, e entidades como o Ilê Aiyê é crucial para a manutenção da identidade cultural do Carnaval baiano. Essa parceria fortalece não apenas os blocos e grupos culturais, mas também a economia criativa e o turismo, gerando impacto positivo em toda a sociedade. O tema de 2026 promete ser um dos mais marcantes e significativos dos últimos anos.


