Política

Interação de Lula com a Choquei em 2021 reaparece após prisão do dono em operação da PF contra lavagem de dinheiro

A página Choquei, conhecida por seu conteúdo de humor, fofocas e notícias virais, voltou aos holofotes após a prisão de seu proprietário, Raphael Sousa, em uma operação da Polícia

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Interação de Lula com a Choquei em 2021 reaparece após prisão do dono em operação da PF contra lavagem de dinheiro

A página Choquei, conhecida por seu conteúdo de humor, fofocas e notícias virais, voltou aos holofotes após a prisão de seu proprietário, Raphael Sousa, em uma operação da Polícia Federal (PF) nesta quarta-feira (15). A ação investiga um esquema internacional bilionário de lavagem de dinheiro.

Em meio às notícias sobre a prisão e a operação, internautas resgataram uma antiga interação entre o perfil oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a página Choquei, datada de 2021. A publicação, que mostrava um agradecimento da Choquei por ter sido seguida de volta por Lula, com uma resposta do presidente usando um emoji de soco, ganhou nova repercussão.

A página Choquei, que acumula impressionantes 9,4 milhões de seguidores apenas no X (antigo Twitter), tem sido associada a um posicionamento político favorável à esquerda, com declarações de proximidade com figuras proeminentes do governo, incluindo a primeira-dama Janja. A relação da página com o universo político e sua posterior conexão com a investigação da PF geram debates e curiosidade.

Conforme informações divulgadas pela imprensa, Raphael Sousa foi detido como parte de uma operação que visa desarticular uma organização criminosa suspeita de movimentar mais de R$ 1,6 bilhão em lavagem de dinheiro, utilizando criptoativos. A investigação também levou à prisão de outros nomes conhecidos, como os funkeiros MC Ryan SP e Poze do Rodo.

Operação da Polícia Federal e o envolvimento do dono da Choquei

A Polícia Federal deflagrou uma operação de grande escala nesta quarta-feira (15) com o objetivo de combater um esquema internacional de lavagem de dinheiro. O foco da ação recaiu sobre um grupo acusado de movimentar cifras bilionárias através de transações ilegais e o uso de criptoativos.

Um dos alvos da operação foi Raphael Sousa Oliveira, proprietário da popular página Choquei. Segundo as investigações, Sousa estaria envolvido em um esquema que teria movimentado mais de R$ 1,6 bilhão. A prisão ocorreu em meio a uma série de buscas e apreensões realizadas pela PF em diferentes locais.

A operação não se limitou a Sousa, tendo como alvos também os funkeiros MC Ryan SP e Poze do Rodo, que também foram presos. A PF aponta que o grupo utilizava criptomoedas como meio para ocultar a origem ilícita dos recursos, caracterizando uma complexa teia de lavagem de dinheiro com ramificações internacionais.

A defesa de Raphael Sousa emitiu uma nota esclarecendo sua posição. Segundo o advogado Pedro Paulo de Medeiros, o vínculo de seu cliente com os fatos investigados se restringe à prestação de serviços publicitários por meio de sua empresa, a qual seria responsável pela comercialização de espaços de divulgação digital. A defesa afirma que os valores recebidos referem-se a serviços lícitos de publicidade e marketing, e que Raphael não integra organização criminosa nem participou de esquemas ilícitos.

A proximidade da Choquei com o universo político

A página Choquei, que se tornou um fenômeno nas redes sociais, especialmente no X, onde conta com mais de 9,4 milhões de seguidores, cultivou ao longo do tempo uma relação de proximidade com figuras políticas. Essa proximidade ficou evidenciada por diversas postagens e interações nas redes sociais.

Durante a pandemia da Covid-19, a página frequentemente se posicionou como um contraponto a notícias sobre a doença, alinhando-se a discursos que a esquerda classificava como “negacionistas da ciência”. Essa postura gerou controvérsias e debates sobre o papel da página na disseminação de informações.

A influência da Choquei no cenário político também foi notada durante a campanha presidencial de 2022. A primeira-dama Rosângela Silva, conhecida como Janja, manteve contato com a página, chegando a enviar fotos exclusivas dos bastidores de um debate para serem publicadas pela Choquei. Essa demonstração de confiança sugere um canal de comunicação e colaboração entre a equipe de campanha e o influenciador.

Janja também participou de momentos significativos, como o convite para que Raphael Sousa subisse no carro de som oficial da equipe de Lula para acompanhar o discurso de vitória do petista após as eleições de 2022. Essa participação em eventos de grande visibilidade reforça a ideia de uma relação próxima.

Em entrevistas, o próprio criador da Choquei reconheceu a possibilidade de ter contribuído para a eleição do atual presidente. Ele declarou que todos os seus colaboradores eram pró-Lula e que o apoio ao petista se dava, em grande parte, por ser contra a candidatura de Jair Bolsonaro. Essa declaração explicita o viés político da página e seus colaboradores.

Disseminação de boatos e o caso Damares Alves

Além de seu conteúdo voltado para o entretenimento, como fofocas sobre reality shows e subcelebridades, a página Choquei também se notabilizou pela disseminação de boatos e informações com viés político, especialmente em favor de Lula. Essa estratégia contribuiu para moldar a opinião pública em determinados temas.

Um dos alvos dessas postagens foi a senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que ocupou o cargo de ministra dos Direitos Humanos durante a gestão de Jair Bolsonaro. A Choquei veiculou informações falsas sobre a ex-ministra, com o intuito de prejudicar sua imagem e reputação.

Em uma das publicações que alcançou uma audiência expressiva, com mais de 2 milhões de seguidores, a Choquei afirmou inverdadeiramente que, em sua gestão como ministra, Damares teria solicitado a Bolsonaro que vetasse a entrega de leitos de UTI e de água potável para comunidades indígenas. Essa alegação falsa gerou grande repercussão e críticas.

A veiculação de boatos e notícias falsas por páginas com grande alcance como a Choquei levanta preocupações sobre o impacto da desinformação na sociedade e na política. A capacidade de influenciar a opinião pública através de narrativas distorcidas é um desafio constante para a democracia e para o jornalismo.

A reação do público e a repercussão da prisão

A notícia da prisão de Raphael Sousa, dono da Choquei, e a subsequente recuperação de interações antigas com o perfil do presidente Lula geraram uma onda de comentários e debates nas redes sociais. A coincidência temporal entre a operação da PF e a divulgação dessa interação antiga chamou a atenção de muitos usuários.

O fato de um perfil com milhões de seguidores, que demonstrou proximidade com o governo e se envolveu em polêmicas de desinformação, ter um proprietário investigado por um esquema bilionário de lavagem de dinheiro, criou um cenário complexo. A repercussão se espalhou por diversas plataformas digitais, com análises e opiniões variadas sobre o caso.

Enquanto alguns usuários expressaram surpresa com a conexão entre a Choquei e a operação policial, outros apontaram para o histórico da página e suas postagens como indícios de comportamentos que poderiam levar a investigações. A discussão também abordou a responsabilidade das plataformas digitais na disseminação de conteúdo e a importância da verificação de fatos.

A nota da defesa de Raphael Sousa, que tenta desvincular o influenciador de qualquer atividade criminosa e focar na atuação publicitária de sua empresa, também foi amplamente divulgada e comentada. A forma como o caso será conduzido e as conclusões da investigação da Polícia Federal serão determinantes para o desfecho dessa história.

A repercussão da prisão e das interações passadas evidencia a forte influência que páginas de grande alcance nas redes sociais exercem sobre o debate público e a importância de se manter um olhar crítico sobre as informações que circulam no ambiente digital. O caso Choquei serve como um lembrete sobre a necessidade de transparência e responsabilidade por parte de influenciadores e criadores de conteúdo.