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Jornalista que cobriu 40 guerras alerta: 2025 é o ano mais preocupante; Putin, China e Trump mudam o cenário global
Um veterano de guerra vê 2025 como um ponto de virada perigoso, com tensões globais escalando e a ordem mundial sob ameaça.
Com uma carreira que se estende desde os anos 1960, cobrindo mais de 40 conflitos, um renomado jornalista expressa um temor sem precedentes: 2025 se configura como o ano mais preocupante que ele já testemunhou. A escala e a natureza dos conflitos em curso, aliados a um rearranjo geopolítico significativo, pintam um quadro sombrio para a paz mundial.
A guerra na Ucrânia, a escalada em Gaza e a crise humanitária no Sudão são apenas alguns dos focos de instabilidade. Contudo, o alerta maior reside nas implicações de longo prazo, especialmente com a possível reconfiguração do papel dos Estados Unidos no cenário internacional e as ambições de potências como a Rússia e a China.
O jornalista aponta para uma nova dinâmica onde a autocracia ganha terreno e a coesão das alianças ocidentais é testada. A possibilidade de uma Terceira Guerra Mundial, diferentemente do imaginado, pode não ser um confronto nuclear direto, mas sim um jogo complexo de manobras diplomáticas e militares. As informações foram divulgadas por um jornalista veterano com vasta experiência em zonas de conflito.
Guerra na Ucrânia e a Ameaça de Escalada Global
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, já alertou sobre o risco de o conflito em seu país se transformar em uma guerra mundial. A Rússia, sob a liderança de Vladimir Putin, tem sido acusada de ações provocativas, como o corte de cabos submarinos e ataques cibernéticos contra países da OTAN. O temor é que a aparente retração dos EUA da Europa, sob a administração Trump, encoraje Moscou a buscar maior dominância regional.
A Rússia nega planos de guerra contra a Europa, mas Putin afirma estar pronto caso os europeus o desejem, condicionando a paz ao respeito aos interesses russos. O Tribunal Penal Internacional emitiu um mandado de prisão contra Putin por suposto envolvimento no sequestro de crianças ucranianas, acusação que Moscou refuta. A invasão, segundo o governo russo, é uma medida de autoproteção contra o avanço da OTAN, mas Putin também indicou o desejo de restaurar a esfera de influência russa.
Conflitos no Oriente Médio e África Exigem Atenção Urgente
Em Gaza, a situação permanece tensa após o ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023, que resultou na morte de cerca de 1.200 pessoas e 251 reféns. As ações militares israelenses subsequentes, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas, causaram mais de 70 mil mortes palestinas, incluindo mais de 30 mil mulheres e crianças, números considerados confiáveis pela ONU. A promessa de Netanyahu de “vingança poderosa” ainda ecoa, apesar de um cessar-fogo negociado.
No Sudão, uma violenta guerra civil entre facções militares já causou mais de 150 mil mortes nos últimos dois anos, forçando cerca de 12 milhões de pessoas a deixarem suas casas. A magnitude desses conflitos, embora trágicos, pode ter ofuscado a atenção internacional, especialmente diante da percepção de que a guerra na Ucrânia representa uma ameaça de maior escala global.
A Ascensão da China e o Futuro de Taiwan
O foco também se volta para a China, onde o presidente Xi Jinping tem demonstrado ambições em relação a Taiwan. Há dois anos, o então diretor da CIA, William Burns, afirmou que Xi havia instruído o Exército de Libertação Popular a estar pronto para invadir Taiwan até 2027. A falta de ação decisiva nesse sentido pode ser vista por Xi como um sinal de fraqueza, algo que ele busca evitar.
A liderança chinesa, marcada pela repressão aos protestos de 1989 na Praça da Paz Celestial, mantém um controle rigoroso sobre a dissidência. A memória do massacre, onde o exército reprimiu não apenas estudantes, mas um levante popular, reforça a vigilância constante contra qualquer forma de oposição. A insegurança de um governo não eleito é um fator crucial, como já foi apontado por figuras políticas chinesas.
O Cenário para 2026: Um Futuro Incerto para a Europa
O ano de 2026 é apontado como decisivo. A guerra na Ucrânia pode terminar com concessões territoriais significativas para a Rússia, e a Europa pode se ver isolada com um possível distanciamento dos Estados Unidos. A Europa, com economias dez vezes maiores que as da Rússia e uma população três vezes superior, tem demonstrado receio em arcar com os custos de sua própria defesa sem o apoio americano.
A retração dos EUA para uma postura mais isolacionista, comparada às décadas de 1920 e 1930, pode dificultar qualquer socorro futuro à Europa, mesmo que um presidente mais alinhado à OTAN assuma em 2028. A autocracia ganha espaço neste novo cenário, ameaçando a estabilidade global.


