Bahia
Lavagem do Bonfim: Ouro Negro Revitaliza Tradição Afro-Brasileira e Fortalece Blocos Culturais em Salvador
Lavagem do Bonfim Celebra Raízes Afro-Brasileiras com Apoio Fundamental do Edital Ouro Negro A tradicional Lavagem do Bonfim, em Salvador, mais uma vez se consolidou como um vibran
Lavagem do Bonfim Celebra Raízes Afro-Brasileiras com Apoio Fundamental do Edital Ouro Negro
A tradicional Lavagem do Bonfim, em Salvador, mais uma vez se consolidou como um vibrante palco de fé, cultura e identidade afro-brasileira. A caminhada, que percorre o trajeto da Igreja da Conceição da Praia até a Basílica do Senhor do Bonfim, foi marcada pela forte presença de blocos de matriz africana, reafirmando a importância histórica e simbólica da festividade. O Programa Ouro Negro, uma iniciativa do Governo da Bahia, desempenhou um papel crucial ao assegurar o financiamento e a participação de 11 importantes entidades culturais na celebração de 2026, garantindo a continuidade e o fortalecimento dessas manifestações.
Reconhecida como patrimônio imaterial do Brasil, a Lavagem do Bonfim é um evento que exibe com orgulho o sincretismo religioso e a expressividade cultural do povo negro. Ao som envolvente dos tambores e cânticos ancestrais, os blocos afros imprimiram ritmo, resistência e uma profunda conexão com as origens ao cortejo. Essa participação ativa ressalta o papel central dessas agremiações na construção e manutenção da festa ao longo das décadas, celebrando a ancestralidade e a resiliência cultural.
A presença e o apoio do Programa Ouro Negro foram essenciais para viabilizar a participação de diversas agremiações, muitas das quais enfrentam desafios financeiros para manter suas atividades. O edital se tornou um instrumento vital para a preservação dessas expressões culturais, permitindo que a rica tapeçaria da cultura afro-brasileira continue a brilhar e a inspirar novas gerações, assegurando que a voz e a arte do povo negro sejam sempre protagonistas nas celebrações baianas.
Conforme informações divulgadas pela Secult-BA, o Programa Ouro Negro tem um impacto direto na preservação dessas manifestações culturais.
O Retorno Triunfal do Olodum e o Impacto do Ouro Negro
Um dos momentos mais aguardados e simbólicos de 2026 foi o retorno do icônico bloco Olodum à Lavagem do Bonfim, após um hiato de 25 anos. A volta do grupo, que desfilou com um cortejo impressionante de 120 percussionistas, dançarinos e alegorias, marcou um capítulo significativo na história da celebração. A apresentação foi viabilizada graças ao apoio estratégico do Programa Ouro Negro, conforme destacou Marcelo Gentil, presidente Institucional do Olodum.
“É o retorno a uma antiga tradição. Milton Nascimento disse que o artista tem que ir aonde o povo está, e o povo está na Lavagem do Bonfim. Essa volta se deve exclusivamente ao importante apoio estratégico do Programa Ouro Negro. Sem esse apoio, ficaríamos mais uma vez de fora”, afirmou Gentil, ressaltando a importância vital do edital para a participação do bloco.
A entrada do Olodum no circuito transformou as ruas do Comércio em um mar de gente, embalado pelo ritmo contagiante do samba-reggae. A energia contagiou a multidão, com foliões como a assistente social Jéssica Nascimento, de 40 anos, expressando a emoção de ver o bloco de volta. “O Olodum faz parte da minha história e da história da cidade. Ver o bloco de volta ao Bonfim depois de tanto tempo é emocionante. A gente sente orgulho e alegria de estar aqui vivendo isso”, compartilhou Nascimento.
Ouro Negro como Pilar da Preservação Cultural e Afirmação Negra
Para muitos envolvidos diretamente nos desfiles, o apoio do Programa Ouro Negro é sinônimo de sobrevivência e fortalecimento para as manifestações culturais de matriz africana. Murilo Câmara, responsável pelos blocos Ki Beleza e Samba & Folia, enfatizou que a Lavagem do Bonfim é historicamente um espaço de afirmação negra, que tem sido mantido vivo graças ao suporte do Governo da Bahia.
“A Lavagem do Bonfim sempre foi um desfile étnico feito pelo povo preto. Isso foi se perdendo ao longo do tempo, mas começou a mudar quando o Ouro Negro passou a apoiar. Muitos grupos voltaram a existir e a ocupar esse espaço”, explicou Câmara. Essa percepção é compartilhada pelo público, como a comerciante Maria da Conceição Santos, 57 anos, que celebra a energia que os blocos trazem à festa.
“A Lavagem do Bonfim sem os blocos não é a mesma coisa. Quando eles passam, a gente sente a energia mudar. É música, é dança, é fé, é tudo junto”, declarou Santos, evidenciando a conexão intrínseca entre os blocos e a essência da celebração. O Ouro Negro, portanto, não apenas financia, mas também valida e fortalece a identidade cultural afro-brasileira.
Legado e Resistência: A Memória das Lutas Afro nas Manifestações
O Programa Ouro Negro também atua como um guardião da memória das lutas travadas pelos blocos afro ao longo dos anos. Tonho Matéria, à frente do bloco afro Mangangá Capoeira, descreve o Ouro Negro como um marco na relação entre o poder público e as manifestações de matriz africana, uma vez que, historicamente, esses grupos careciam de instrumentos de fomento.
“O Ouro Negro nasce da luta e traz uma política de igualdade, que entende os blocos para além do Carnaval. É um trabalho contínuo, pensado ao longo do ano, que ajuda a garantir a preservação dessas expressões culturais”, pontuou Matéria. Essa visão é corroborada por Edmilson Lopes, diretor da associação Ilê Aiyê, que destaca como o programa possibilita o retorno de grupos à cena cultural.
“O programa possibilita que grupos que ficaram muito tempo afastados da festa voltem a ocupar esse espaço, fortalecendo uma ação cultural que também promove desenvolvimento social”, afirmou Lopes. O Ilê Aiyê, com sua trajetória marcada pela resistência e afirmação do povo negro, encontra no Ouro Negro um parceiro fundamental para a continuidade de sua missão e impacto social.
O Programa Ouro Negro: Um Investimento na Cultura e Identidade Baiana
O Programa Ouro Negro, uma iniciativa do Governo da Bahia, dedica-se a valorizar e fomentar blocos afro, afoxés, grupos de samba, reggae e blocos de índio. Através deste apoio, a tradição, a ancestralidade e a identidade cultural tornam-se protagonistas não apenas no Carnaval, mas em diversas festas populares ao longo do ano. Em 2026, o programa registrou um investimento recorde de R$ 17 milhões, demonstrando seu compromisso crescente com o setor cultural.
Na Lavagem do Bonfim, o Ouro Negro reafirmou seu papel como uma política pública essencial. Seu objetivo é a valorização, preservação e continuidade das manifestações culturais de matriz africana, fortalecendo a identidade e a memória do povo baiano. A lista de 11 blocos apoiados em 2026 inclui nomes como Afrodescendentes da Bahia, Bloco da Saudade, Ilê Aiyê, Ki Beleza, Leva Eu, Malê Debalê, Mangangá Capoeira, Mundo Negro, Olodum, Proibido Proibir e Samba & Folia, todos essenciais para a riqueza da festa.
A continuidade desse tipo de fomento é vital para que a Lavagem do Bonfim e outras celebrações populares continuem a ser espaços de expressão, resistência e celebração da cultura afro-brasileira, garantindo que as raízes e a história do povo negro sejam sempre honradas e perpetuadas.
Lista de Blocos Apoiados pelo Ouro Negro na Lavagem do Bonfim de 2026:
- Afrodescendentes da Bahia
- Bloco da Saudade
- Ilê Aiyê
- Ki Beleza
- Leva Eu
- Malê Debalê
- Mangangá Capoeira
- Mundo Negro
- Olodum
- Proibido Proibir
- Samba & Folia


