Política
Lula: Itália pede adiamento para acordo Mercosul-UE; Meloni busca convencer agricultores
Itália pede mais tempo para acordo Mercosul-UE, afirma Lula; veja detalhes
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva revelou nesta quinta-feira (18) que a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, pediu um prazo adicional para tentar resolver impasses internos e viabilizar a aprovação do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul. A negociação, que se arrasta por mais de 25 anos, enfrenta desafios significativos, especialmente de setores agrícolas europeus.
O tratado tinha previsão de ser assinado durante a Cúpula de Líderes do Mercosul, em Foz do Iguaçu, mas a França já manifestava preocupações, e agora a Itália também sinaliza dificuldades. Segundo Lula, Meloni afirmou não ser contra o acordo, mas enfrenta “embaraço político” devido à resistência dos agricultores italianos.
“Ela pediu para mim que se a gente tiver paciência de uma semana, de 10 dias, de máximo um mês, a Itália estará junto com o acordo”, declarou Lula em entrevista à imprensa. A solicitação será debatida entre os presidentes do Mercosul, em um momento crucial para o bloco. Conforme informação divulgada pelo presidente, o acordo é considerado mais vantajoso para a União Europeia, mas sua aprovação é vista como um marco político para o multilateralismo.
Resistências internas e o apelo de Lula
Lula explicou que Giorgia Meloni está empenhada em convencer os agricultores italianos a aceitarem os termos do acordo. A primeira-ministra italiana acredita ser capaz de superar essa oposição, pedindo um tempo estimado de até um mês para obter o consenso interno necessário. O presidente brasileiro ressaltou a importância política do acordo, destacando que ele envolve “722 milhões de seres humanos” e “22 trilhões de dólares”, representando uma resposta em favor do multilateralismo.
Otimismo cauteloso e a busca por consenso
Apesar do pedido de adiamento, Lula demonstrou um otimismo cauteloso. Ele afirmou que o pedido será levado para discussão com os demais líderes do Mercosul. O Brasil, que ocupa a presidência do bloco neste semestre, tem o acordo como uma de suas prioridades. No entanto, a aprovação final depende do Parlamento Europeu, o que ainda não ocorreu.
O presidente chegou a mencionar que apelou até para a primeira-dama da França, Brigitte Macron, na tentativa de “amolecer o coração” do presidente Emmanuel Macron, demonstrando a complexidade das negociações. Lula reiterou que as salvaguardas previstas no acordo visam garantir a proteção do mercado agrícola europeu.
Posição oficial da Itália e próximos passos
Em nota oficial, o governo italiano confirmou o teor da conversa entre Meloni e Lula. Embora não tenha especificado prazos, o comunicado indicou que a Itália aguarda “esclarecimentos sobre aspectos do acordo comercial” para que ele possa avançar. A nota reforça que o governo italiano está pronto para assinar o acordo assim que as “respostas necessárias forem fornecidas aos agricultores”, dependendo de decisões da Comissão Europeia.
A expectativa agora é observar como os líderes do Mercosul reagirão ao pedido de adiamento e se será possível encontrar um consenso para a assinatura do acordo em um futuro próximo. Lula encerrou suas declarações com uma nota de esperança, dizendo que “a esperança é a última que morre”, mas reconhecendo que, se o acordo não estiver pronto, ele não poderá fazer nada além de aguardar.


