Bahia

Nasce Tayson Gael: o 500º bebê indígena no Hospital Materno-Infantil de Ilhéus, um marco de resistência e cuidado

Hospital Materno-Infantil de Ilhéus celebra marco histórico com o nascimento do 500º bebê indígena O choro de Tayson Gael, que ecoou na manhã desta sexta-feira (23) no Hospital Mat

Hospital Materno-Infantil de Ilhéus celebra marco histórico com o nascimento do 500º bebê indígena

O choro de Tayson Gael, que ecoou na manhã desta sexta-feira (23) no Hospital Materno-Infantil Dr. Joaquim Sampaio (HMIJS), em Ilhéus, na Bahia, transcende o som de um recém-nascido. Ele representa um símbolo de resistência e a celebração da ancestralidade indígena. Tayson Gael é o 500º bebê indígena a nascer nesta unidade de saúde desde sua inauguração em dezembro de 2021, um feito que reforça o papel crucial do hospital como referência no atendimento a Povos Originários.

Este marco significativo sublinha o compromisso do Governo da Bahia, por meio da Fundação Estatal Saúde da Família (FESF-SUS), em garantir um atendimento humanizado e culturalmente sensível para as comunidades indígenas. O HMIJS é o único hospital habilitado pelo Ministério da Saúde para o atendimento integral dos Povos Originários da Bahia, consolidando-se como um espaço onde a ciência moderna e as tradições ancestrais se encontram para proteger a vida desde o seu início.

O nascimento de Tayson Gael, filho de Tatiane de Jesus e Marivaldo, moradores da Aldeia Curupitanga, localizada a oito quilômetros da sede de Olivença, litoral sul de Ilhéus, é mais do que um número. Ele simboliza a garantia de que o Estado reconhece e protege a vida indígena, fortalecendo a identidade e a história dessas comunidades. O hospital, que atende cerca de 60 famílias da etnia Tupinambá na aldeia de origem dos pais, se torna um ponto de esperança e cuidado.

Conforme informações divulgadas pela Ascom/Sesab, o Hospital Materno-Infantil Dr. Joaquim Sampaio tem se destacado por sua abordagem humanizada, direitos da mulher e da criança e a consolidação do Sistema Único de Saúde (SUS).

Um Encontro entre Ciência e Ancestralidade: O Significado do Marco 500

O Hospital Materno-Infantil Dr. Joaquim Sampaio, uma maternidade 100% SUS na região, tornou-se um palco onde a ciência médica de ponta se entrelaça com o respeito às raízes e tradições dos povos originários. O nascimento do 500º bebê indígena é uma prova concreta de que o rigor da medicina moderna pode e deve coexistir com o sagrado e o ancestral, garantindo um cuidado completo e respeitoso.

A diretora-geral do HMIJS, Domilene Borges, ressalta a importância desse marco: “É o fortalecimento da identidade indígena da região. Cada um desses 500 nascimentos é uma vitória contra o apagamento histórico, um marco na história da Bahia”. Ela complementa, enfatizando o papel social da unidade: “Esse bebê é a prova viva de que a saúde pública pode e deve ser um instrumento de reparação e amor”.

Tayson Gael nasceu com 3.295 Kg e 49 centímetros. A escolha do nome, segundo a mãe Tatiane, foi uma homenagem à tia Thaís, “A gente escolheu um nome parecido para homenagear ela”, justificou. Os pais, Tatiane, de 29 anos, e Marivaldo, de 35, residem na Aldeia Curupitanga, onde cerca de 60 famílias da etnia Tupinambá mantêm suas tradições vivas.

A unidade de saúde não apenas celebra a vida em sua forma mais pura, mas também atua ativamente na preservação e valorização da cultura indígena. A interação entre profissionais de saúde, parteiras tradicionais e equipes da Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI) garante um atendimento que respeita e incorpora os saberes ancestrais, promovendo um cuidado integral e culturalmente adequado.

O Hospital Materno-Infantil de Ilhéus: Referência em Saúde Indígena na Bahia

O Hospital Materno-Infantil Dr. Joaquim Sampaio se estabeleceu como um polo de referência no atendimento à saúde das mulheres e crianças indígenas na Bahia. Sendo o único hospital habilitado pelo Ministério da Saúde para essa finalidade no estado, sua atuação vai além do atendimento emergencial, abrangendo um cuidado contínuo e especializado.

O projeto do hospital é fundamentado na humanização do cuidado, no respeito aos direitos da mulher e da criança e na consolidação dos princípios do Sistema Único de Saúde (SUS). Essa abordagem garante que cada paciente receba um tratamento digno e individualizado, considerando suas particularidades culturais e sociais. A administração pela FESF-SUS assegura a gestão eficiente e o compromisso com a qualidade dos serviços oferecidos.

Na Bahia, a diversidade de Povos Originários é vasta, com 33 etnias distribuídas em 245 comunidades, totalizando quase 230 mil pessoas declaradas indígenas. Diante desse cenário, o HMIJS desempenha um papel vital ao oferecer um ambiente seguro e acolhedor, onde as tradições e os costumes são respeitados e integrados ao processo de cuidado em saúde. O aprimoramento contínuo das equipes, por meio da colaboração entre médicos, parteiras tradicionais e a SESAI, é um pilar fundamental para o sucesso dessa missão.

Além da realização de partos e internações, o hospital disponibiliza atendimento ambulatorial especializado em pré-natal de alto risco, consultas em obstetrícia, cardiologia, enfermagem, nutrição e psicologia. Essa gama de serviços especializados demonstra o compromisso do HMIJS em oferecer um cuidado completo, desde a gestação até o puerpério, com foco na saúde materno-infantil.

Formação, Pesquisa e o Futuro da Saúde Indígena

O Hospital Materno-Infantil Dr. Joaquim Sampaio não se limita a ser um centro de atendimento; ele também funciona como um polo de desenvolvimento de ensino e pesquisa. A unidade reúne formação acadêmica, pesquisa científica e produção de conhecimento tecnológico em saúde, contribuindo significativamente para o avanço da medicina e para a melhoria contínua dos serviços oferecidos aos Povos Originários.

Essa vertente acadêmica e científica é crucial para aprofundar o entendimento das necessidades específicas das comunidades indígenas e desenvolver estratégias de saúde mais eficazes e culturalmente apropriadas. A colaboração entre profissionais de saúde, pesquisadores e representantes das comunidades permite a criação de soluções inovadoras que honram a sabedoria ancestral e incorporam os avanços científicos.

O aprimoramento constante das equipes, através de programas de capacitação e intercâmbio de conhecimentos, garante que o hospital esteja sempre na vanguarda do cuidado em saúde indígena. A troca de experiências entre parteiras tradicionais e profissionais da medicina moderna, por exemplo, enriquece o atendimento, combinando técnicas milenares com práticas médicas baseadas em evidências.

O marco dos 500 nascimentos indígenas no HMIJS é, portanto, um testemunho do sucesso de um modelo de saúde pública que valoriza a diversidade, a equidade e o respeito. É a prova de que a união entre o cuidado humanizado, a excelência técnica e o reconhecimento da importância cultural pode gerar resultados transformadores para as comunidades mais vulneráveis.

Um Legado de Cuidado e Reconhecimento para os Povos Originários

O nascimento de Tayson Gael e a celebração dos 500 bebês indígenas no Hospital Materno-Infantil de Ilhéus representam um legado de cuidado, reconhecimento e esperança para os Povos Originários da Bahia. O hospital, administrado pela FESF-SUS e um projeto do Governo da Bahia, consolidou-se como um espaço vital para a saúde materno-infantil indígena.

A unidade se destaca por ser o único hospital habilitado pelo Ministério da Saúde ao atendimento dos Povos Originários do estado, o que lhe confere uma responsabilidade e um protagonismo únicos. A abordagem humanizada, que integra a ciência médica com o respeito às tradições culturais, tem sido fundamental para o sucesso e a confiança depositada pelas comunidades.

A diretora-geral do HMIJS, Domilene Borges, enfatiza que cada nascimento é uma vitória contra o apagamento histórico e um marco para a Bahia. “Esse bebê é a prova viva de que a saúde pública pode e deve ser um instrumento de reparação e amor”, declarou, reforçando o compromisso social da unidade.

O hospital oferece uma gama completa de serviços, incluindo atendimento ambulatorial especializado em pré-natal de alto risco, consultas com diversas especialidades e um forte programa de formação e pesquisa. Essa estrutura robusta garante que as mulheres e crianças indígenas recebam o melhor cuidado possível, desde o acompanhamento gestacional até o pós-parto, sempre com sensibilidade cultural.

O trabalho em parceria com as parteiras tradicionais e as equipes da SESAI é um diferencial que assegura a continuidade das práticas culturais e a confiança das comunidades. O HMIJS não é apenas um hospital, mas um símbolo de que o SUS, quando bem gerido e focado nas necessidades de seus usuários, pode ser um poderoso agente de transformação social e um instrumento de justiça para os povos que historicamente foram marginalizados.