Bahia

Onda Feminina na Uesb: Mulheres Redefinem Fronteiras e Lideram Transformações em Diversas Áreas do Conhecimento

Mulheres Redefinem Fronteiras e Lideram Transformações em Diversas Áreas do Conhecimento O estereótipo do cientista de jaleco branco ou do profissional das Ciências Agrárias enfren

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Onda Feminina na Uesb: Mulheres Redefinem Fronteiras e Lideram Transformações em Diversas Áreas do Conhecimento

O estereótipo do cientista de jaleco branco ou do profissional das Ciências Agrárias enfrentando a lida bruta do campo, historicamente associado ao universo masculino, está sendo desconstruído. A Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb) emerge como um palco vibrante dessa transformação, onde a presença feminina não apenas cresce, mas redefine fronteiras e ocupa espaços antes considerados intransponíveis.

Pelos corredores dos três campi da Uesb, a força feminina deixa de ser uma mera estatística para se tornar a força motriz da produção acadêmica e da transformação social. Essa crescente participação feminina em áreas diversas do conhecimento reflete um avanço significativo, impulsionando novas perspectivas e soluções para os desafios contemporâneos.

O protagonismo dessas mulheres é vital para a construção de uma ciência mais inclusiva, diversa e conectada com as necessidades da sociedade. Acompanhe como essa onda feminina está moldando o futuro da pesquisa e da formação profissional na Uesb.

Conforme informações divulgadas pela própria instituição, a Uesb tem se destacado como um reflexo vivo dessa mudança, incentivando o protagonismo feminino por meio de grupos de pesquisa e laboratórios estratégicos.

Mulheres na Ciência: Quebrando Barreiras e Ampliando Horizontes

A professora Simone Gualberto, do Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais da Uesb, enfatiza o papel transformador da presença feminina na ciência. Ela destaca que essa participação é um motor de transformação social, rompendo barreiras históricas de acesso ao Ensino Superior e ampliando significativamente a produção científica.

“Hoje, participamos de forma cada vez mais ativa da produção científica e contribuímos para ampliar os olhares e as soluções para os desafios da sociedade”, afirma Simone. A Universidade tem buscado reconhecer os desafios enfrentados pelas pesquisadoras para consolidar suas trajetórias, promovendo um ambiente científico mais inclusivo e valorizando suas contribuições.

A professora Simone ressalta que, ao dar visibilidade a essas contribuições, a Uesb ajuda a construir um ambiente científico mais diverso e justo. “Valorizar a presença das mulheres na produção do conhecimento é fundamental para fortalecer uma ciência mais diversa, mais justa e mais conectada com as necessidades da sociedade”, pontua.

Nesse sentido, a professora Mara Lúcia Albuquerque Pereira, do Programa de Pós-Graduação em Zootecnia, reforça que a inclusão feminina na ciência vai além da igualdade, sendo um fator crucial para a elevação da qualidade das descobertas. Embora as mulheres ainda ocupem uma minoria nos cargos de liderança em pesquisa globalmente, sua atuação é vital para a inovação e a quebra de paradigmas.

“A participação feminina traz novas metodologias e perspectivas, muitas vezes mais intuitivas e cuidadosas, enriquecendo o ambiente científico”, destaca Mara. Essa diversidade de abordagens é essencial para o avanço do conhecimento em todas as áreas.

Zootecnia na Uesb: Um Campo em Transformação com Liderança Feminina

A presença feminina na ciência não se limita a laboratórios tradicionais; ela se estende a áreas historicamente associadas ao universo masculino, como as Ciências Agrárias. Na Zootecnia da Uesb, por exemplo, a mudança é notável. Por muito tempo, o papel da mulher no campo foi visto apenas como “ajuda”, mas essa realidade está sendo reescrita.

No campus de Itapetinga, o curso de graduação em Zootecnia da Uesb exibe uma clara inversão de gênero. Atualmente, dos 179 alunos matriculados, 111 são mulheres, representando 62% do total. A predominância feminina é ainda mais acentuada em turmas específicas, como a do quarto semestre, que é composta inteiramente por mulheres.

Ana Vitória Nascimento, estudante de Zootecnia natural de Itapetinga, relata que seu interesse pela área surgiu no Ensino Médio. Ao ingressar na Uesb e encontrar uma turma majoritariamente feminina, a experiência se tornou ainda mais significativa. Ela descreve um ambiente de união e apoio mútuo entre as colegas.

“Estudar em uma sala cheia de mulheres é inspirador, pois nenhuma delas te deixa desmotivar. Não deixamos ninguém para trás”, relata Ana Vitória, evidenciando a força coletiva que impulsiona o percurso acadêmico.

Amanda Silva, outra estudante da turma e natural de Guanambi, compartilha experiências de questionamentos sobre sua escolha profissional, reflexo de um estereótipo que ainda persiste. Para ela, esse cenário está mudando rapidamente, com mulheres demonstrando crescente competência técnica e capacidade de liderança na Zootecnia e no agronegócio.

A professora Silmara Carvalho, coordenadora do curso de Zootecnia, atribui essa expansão da presença feminina à própria diversidade de atuação da profissão. Ela explica que o trabalho do zootecnista transcende o manejo animal, abrangendo ciência, produção de alimentos, sustentabilidade e bem-estar animal.

“A Zootecnia envolve ciência, produção de alimentos, sustentabilidade e cuidado com os animais. As mulheres têm mostrado, cada vez mais, que têm muito a contribuir nesse campo”, ressalta Silmara. Ela incentiva as jovens a não se limitarem por estereótipos de gênero.

Apesar de algumas atividades práticas poderem parecer desafiadoras inicialmente, especialmente o manejo direto com animais, as alunas da Uesb demonstram segurança e competência. “Se existe interesse, curiosidade e vontade de aprender, já é um ótimo começo”, completa a coordenadora, encorajando novas vocações.

Violência Contra a Mulher na Bahia: Dados e Combate em Foco

Em paralelo à celebração do protagonismo feminino, a data de 8 de março também convida à reflexão sobre a dura realidade da violência contra a mulher no Brasil. A professora Zoraide Cruz, diretora do Departamento de Ciências Humanas, Educação e Linguagens (Dchel) da Uesb, tem dedicado sua pesquisa à análise de dados sobre a violência contra a mulher na Bahia.

Seus estudos revelam que a faixa etária de 20 a 40 anos concentra 61% das vítimas de feminicídio no estado. Um dado alarmante é que 82,5% dessas vítimas são mulheres negras ou pardas, evidenciando a interseccionalidade de gênero e raça no contexto da violência.

Adicionalmente, a pesquisa aponta que 91,7% dos casos são classificados como feminicídio íntimo, indicando que o agressor possui um vínculo afetivo ou familiar com a vítima. Essa realidade sublinha a urgência de ações de prevenção e proteção.

Para Zoraide Cruz, a persistência da violência contra a mulher está intrinsecamente ligada a fatores sociais e culturais que perpetuam relações desiguais de poder. “Esses fatores não atuam isoladamente, mas se inter-relacionam, reforçando estruturas de desigualdade e dificultando a ruptura de ciclos abusivos”, explica a professora.

A superação desse cenário, segundo a diretora do Dchel, exige ações multifacetadas. O fortalecimento de políticas de proteção às vítimas, a promoção da autonomia econômica das mulheres e a ampliação da educação para a igualdade de gênero são passos cruciais.

Espaços formativos como as universidades desempenham um papel fundamental nesse processo, não apenas na produção de conhecimento, mas também no enfrentamento direto desse grave problema social. A pesquisa científica, como a desenvolvida por Zoraide, permite quantificar a violência, compreender suas causas estruturais e subsidiar a formulação de políticas públicas eficazes.

“Sem produção sistemática de conhecimento, a violência tende a permanecer invisível, naturalizada e subnotificada”, alerta Zoraide, reforçando a importância do trabalho acadêmico para a visibilidade e o combate à violência de gênero.

O Papel da Uesb na Promoção da Igualdade e do Conhecimento

A Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb) tem se posicionado como um centro de excelência na produção de conhecimento e na formação de profissionais qualificados, demonstrando um compromisso crescente com a inclusão e a igualdade de gênero. A presença feminina em cursos como Zootecnia, antes dominados por homens, é um reflexo direto das políticas e do ambiente acadêmico que a instituição tem cultivado.

Ao incentivar grupos de pesquisa e laboratórios que integram docentes e discentes em áreas estratégicas, a Uesb cria um ecossistema propício para o desenvolvimento e a consolidação das carreiras científicas das mulheres. Essa iniciativa é fundamental para desmistificar profissões e encorajar jovens a seguirem seus interesses, independentemente de estereótipos.

A atuação da Uesb na pesquisa sobre violência contra a mulher, liderada por professoras como Zoraide Cruz, demonstra o compromisso da instituição em abordar questões sociais relevantes e complexas. O conhecimento gerado por essas pesquisas é essencial para subsidiar políticas públicas e para promover uma sociedade mais justa e segura para todas.

A universidade, ao se tornar um espaço onde a diversidade é celebrada e a igualdade é promovida, contribui significativamente para a formação de cidadãos mais conscientes e engajados. Essa abordagem integral, que une excelência acadêmica à responsabilidade social, posiciona a Uesb como um agente transformador na Bahia e no Brasil.

O avanço contínuo da participação feminina em todas as esferas da universidade, desde a graduação até a pesquisa de ponta, é um testemunho do potencial transformador da inclusão. A força feminina na Uesb não é apenas uma estatística, mas uma realidade que impulsiona o conhecimento, a inovação e a busca por um futuro mais equitativo.