Política
Oposição no DF pede impeachment de Ibaneis Rocha após citação de banqueiro em investigação sobre BRB e Banco Master
Partidos de oposição no Distrito Federal apresentaram um pedido de impeachment contra o governador Ibaneis Rocha.
Partidos de oposição no Distrito Federal apresentaram um pedido de impeachment contra o governador Ibaneis Rocha. A ação foi motivada pela citação do nome do governador pelo banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, em investigações sobre uma tentativa de venda da instituição financeira ao Banco de Brasília (BRB).
Os partidos PSB-DF, Cidadania-DF e PSOL protocolaram os documentos, alegando supostos crimes de responsabilidade na atuação do governo local em operações que envolveram o banco público. As legendas argumentam que houve uma “atuação temerária” por parte do Executivo, colocando em risco o erário e violando princípios fundamentais da administração pública.
Entre as acusações levantadas pelos partidos estão a compra de títulos de baixa qualidade e de origem duvidosa, a criação de dívidas fora do orçamento oficial, negociações consideradas pouco transparentes com o banqueiro e a suspeita de influência indevida do governador em decisões internas do BRB. A situação gerou grande repercussão e intensificou o debate político na capital federal.
Oposição aponta “atuação temerária” e pede afastamento do governador Ibaneis Rocha
As legendas de oposição no Distrito Federal baseiam seu pedido de impeachment em supostos crimes de responsabilidade cometidos pelo governador Ibaneis Rocha. Conforme os documentos protocolados pelo PSB-DF, Cidadania-DF e PSOL, a atuação do governo local em operações envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master teria sido “temerária”, configurando risco ao erário público e desrespeito aos princípios da administração pública.
Os partidos citam, entre os pontos de preocupação, a aquisição pelo BRB de títulos classificados como de baixa qualidade e com origens questionáveis. Além disso, apontam para a criação de dívidas que teriam sido feitas sem o devido registro orçamentário, e negociações com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que teriam ocorrido sem a devida transparência. Há também a suspeita de que o governador Ibaneis Rocha possa ter exercido influência indevida sobre decisões internas do BRB.
A oposição alega que essas ações podem ter prejudicado financeiramente o Distrito Federal e que a conduta do governador necessita de investigação aprofundada. A citação de Ibaneis Rocha pelo banqueiro Daniel Vorcaro, em depoimento à Polícia Federal, sobre as negociações envolvendo o Banco Master e o BRB, foi o estopim para a apresentação formal do pedido de impeachment.
Ibaneis Rocha nega irregularidades e atribui responsabilidade ao ex-presidente do BRB
Em sua defesa, o governador Ibaneis Rocha negou veementemente qualquer irregularidade em sua participação nas negociações entre o BRB e o Banco Master. Em declarações à imprensa, Ibaneis afirmou que nunca tratou diretamente da operação com Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Segundo o governador, todas as tratativas foram conduzidas por Paulo Henrique Costa, então presidente do BRB.
Ibaneis Rocha confirmou ter participado de encontros sociais com o banqueiro, incluindo um almoço na residência de Vorcaro, que teria sido organizado por um amigo em comum. No entanto, o governador ressaltou que, nesses encontros, não discutiu assuntos relacionados às operações bancárias em questão. Ele enfatizou que a responsabilidade pelas negociações era integralmente do ex-presidente do BRB.
O governador declarou que “em momento algum nas quatro vezes que o encontrei tratei de assuntos relacionados ao BRB–Master. Entrei mudo e saí calado. O único erro meu foi ter confiado demais no Paulo Henrique [Costa]”, disse Ibaneis Rocha. Paulo Henrique Costa foi posteriormente demitido após a deflagração de operações pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal, que investigam as transações.
Investigações apontam rombo bilionário e venda de carteiras inexistentes
As investigações conduzidas pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal indicam que o Banco Master teria vendido ao BRB cerca de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito que, segundo as apurações, seriam inexistentes. Essa manobra teria sido uma tentativa de evitar a quebra da instituição financeira privada, que enfrentava uma grave crise de liquidez.
O caso culminou com a liquidação do Banco Master pelo Banco Central em novembro. Estima-se que o rombo financeiro causado no BRB pelas operações suspeitas chegue a R$ 4 bilhões. Jornais como a Folha de S.Paulo e o Valor Econômico noticiaram que o Banco Central teria determinado que o BRB realize um provisionamento, ou seja, uma reserva para cobrir prejuízos, de pelo menos R$ 2,6 bilhões. No entanto, o Banco Central não confirmou oficialmente esses valores.
Ex-executivos de ambas as instituições foram intimados a prestar depoimento no final de janeiro e início de fevereiro. As apurações preliminares apontam para falhas graves na governança corporativa e possíveis ilícitos administrativos nas transações realizadas. A situação levanta sérias preocupações sobre a solidez do sistema financeiro e a fiscalização dos órgãos competentes.
Daniel Vorcaro teria conversado com Ibaneis sobre negociações, segundo jornal
A informação de que Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, teria conversado com o governador Ibaneis Rocha sobre as negociações com o BRB veio à tona através de uma reportagem do jornal O Estado de S. Paulo. Segundo a publicação, Vorcaro teria afirmado à Polícia Federal ter dialogado “algumas vezes” com o governador a respeito das transações.
Essa revelação ocorreu após o jornal ter acesso ao depoimento prestado pelo banqueiro à Polícia Federal no dia 30 de dezembro. A oitiva de Vorcaro foi realizada por determinação do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF). O teor do depoimento levanta novas questões sobre o envolvimento do governador nas operações financeiras sob investigação.
As apurações indicam que, ao longo de 2025, o BRB tentou adquirir uma parte significativa do Banco Master, com o apoio do governo do Distrito Federal, que é o acionista controlador do banco público. No entanto, essa iniciativa foi barrada pelo Banco Central. Paralelamente, a Polícia Federal investiga se o BRB comprou carteiras de crédito de alto risco do Banco Master, avaliando possíveis falhas nos processos internos de análise, aprovação e governança.
BRB injetou R$ 16,7 bilhões no Banco Master sob investigação
As transações financeiras entre o BRB e o Banco Master, que totalizam R$ 16,7 bilhões injetados pelo banco público na instituição privada entre 2024 e 2025, estão sob escrutínio das autoridades. Essas transferências são alvo de investigação por suspeita de gestão fraudulenta e podem ter causado um prejuízo significativo aos cofres do BRB.
Em novembro, uma operação conjunta da Polícia Federal e do Ministério Público Federal resultou no afastamento do então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, que foi posteriormente demitido. Além das apurações conduzidas por esses órgãos e pelo Banco Central, a nova gestão do BRB e uma auditoria independente também estão analisando as transações. Contudo, até o momento, não foram divulgadas conclusões oficiais sobre essas análises internas.
A complexidade das operações e o volume de recursos envolvidos levantam preocupações sobre a transparência e a legalidade dos procedimentos. A investigação busca esclarecer a responsabilidade de cada parte envolvida e os reais motivos por trás das injeções bilionárias de recursos do BRB no Banco Master, especialmente diante da iminente liquidação desta última.


