Bahia
Ouro Negro: Bloco Afro Muzenza celebra 45 anos de história e resistência com desfile vibrante no Circuito Dodô do Carnaval de Salvador
Festa, Tradição e Luta no Coração do Carnaval Baiano O Carnaval de Salvador pulsou em cores, ritmos e história na noite de segunda-feira (16) com o desfile do Bloco Afro Muzenza do
Muzenza em Cena: Festa, Tradição e Luta no Coração do Carnaval Baiano
O Carnaval de Salvador pulsou em cores, ritmos e história na noite de segunda-feira (16) com o desfile do Bloco Afro Muzenza do Reggae no Circuito Dodô, em Barra-Ondina. Celebrou mais de 45 anos de trajetória, reafirmando a força da cultura negra e a importância da resistência em uma das maiores festas populares do planeta.
A presença do Muzenza na avenida é um reflexo direto do programa Ouro Negro, iniciativa da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (Secult-BA). Este ano, o programa alcança um investimento recorde de R$ 17 milhões, fundamental para a sustentação e visibilidade de blocos afro, afoxés, grupos de samba, reggae e blocos de índio, tanto na capital quanto no interior do estado.
O desfile não foi apenas uma celebração musical, mas um ato político e cultural. Centenas de foliões se uniram para exaltar a identidade, a ancestralidade e a luta da população negra, expressas em cada detalhe da estética, nas letras carregadas de significado e na energia contagiante que emanava do bloco. A artesã Maria da Conceição, presente há 30 anos, destacou a relevância do apoio: “O Ouro Negro é fundamental para que os blocos tenham oportunidade”.
Conforme informações divulgadas pela Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, o programa Ouro Negro tem um papel crucial no fortalecimento das manifestações populares e na preservação da ancestralidade, garantindo que a riqueza da cultura afro-brasileira continue a ecoar e a inspirar.
Muzenza: Raízes, Ritmos e Resistência que Moldam a Identidade Afro
Fundado em 5 de maio de 1981, no bairro da Liberdade, em Salvador, o Bloco Afro Muzenza do Reggae nasceu como uma homenagem à lenda jamaicana Bob Marley e à cultura do reggae. Desde sua concepção, o Muzenza se destacou pela sua proposta inovadora de fundir o samba, ritmo intrinsecamente brasileiro, com as batidas contagiantes do reggae e as profundas raízes africanas. Essa fusão rítmica não apenas criou um som único, mas também estabeleceu o bloco como um polo de expressão cultural de grande relevância, transcendo fronteiras e se tornando uma referência tanto no Brasil quanto internacionalmente.
Ao longo de mais de quatro décadas, o Muzenza tem sido um espelho da vivência e da luta da comunidade negra. Seus desfiles são verdadeiros atos de afirmação identitária, onde a estética cuidadosamente elaborada, com fantasias que remetem à realeza africana e símbolos de resistência, dialoga diretamente com as letras das músicas. Essas canções abordam temas sociais, históricos e espirituais, celebrando a herança africana e denunciando as injustiças.
O diretor-presidente do bloco, Jorge Santos, expressou a emoção de comandar o Muzenza em um ano especial, quando o bloco comemora 45 anos de fundação. “Mais um ano de Carnaval, nessa história de luta, resistência e, para esse Carnaval, estamos inspirados a praticar como sempre todo o brilhantismo e a força do Muzenza”, declarou. Essa declaração ressalta o compromisso contínuo do bloco em manter viva a chama da cultura negra e da luta por direitos, utilizando o Carnaval como plataforma para essa mensagem.
A trajetória do Muzenza é marcada por uma constante busca pela valorização da cultura afro-brasileira, promovendo não apenas a música, mas também o debate sobre questões raciais e sociais. O bloco se tornou um espaço de acolhimento e fortalecimento para a comunidade, onde a ancestralidade é reverenciada e a esperança em um futuro mais justo é renovada a cada desfile.
O Programa Ouro Negro: Um Pilar para a Cultura Afro-Brasileira
O programa Ouro Negro, idealizado e executado pela Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (Secult-BA), desempenha um papel fundamental na sustentação e no desenvolvimento de manifestações culturais afro-brasileiras. Este ano, o programa atingiu um marco expressivo com um investimento de R$ 17 milhões, um valor recorde que demonstra o compromisso do governo estadual em fortalecer a identidade cultural da Bahia e do Brasil.
O investimento se traduz em apoio concreto para 95 entidades culturais, incluindo blocos afro, afoxés, grupos de samba, reggae e blocos de índio. Essa abrangência garante que a diversidade de expressões culturais seja contemplada, desde os circuitos mais tradicionais da capital baiana até oito cidades do interior do estado. O objetivo é claro: viabilizar a realização de desfiles, apresentações e projetos que perpetuem saberes, fazeres e tradições.
A importância do Ouro Negro vai além do aspecto financeiro. Ele representa o reconhecimento oficial da relevância dessas manifestações para o patrimônio cultural brasileiro. Ao garantir recursos, o programa permite que os artistas e produtores culturais possam planejar seus trabalhos com mais segurança, investir em figurinos, alegorias, infraestrutura e na formação de novos talentos. Isso assegura a continuidade de uma rica herança cultural que é um dos pilares da identidade baiana.
A fala da artesã Maria da Conceição, ao afirmar que “O Ouro Negro é fundamental para que os blocos tenham oportunidade”, ecoa o sentimento de muitos artistas e membros de comunidades culturais. Essa oportunidade se manifesta na possibilidade de ocupar os principais espaços da festa, como o Circuito Dodô, e de levar para um público amplo a mensagem e a beleza de suas tradições. Sem esse suporte, muitas dessas manifestações teriam dificuldades em se manter ativas e visíveis.
O Circuito Dodô: Palco de Celebração e Afirmação Cultural
O Circuito Dodô, conhecido como Barra-Ondina, é um dos palcos mais emblemáticos do Carnaval de Salvador, atraindo multidões e servindo como vitrine para a diversidade de atrações que compõem a folia baiana. Para o Bloco Afro Muzenza, desfilar neste circuito representa não apenas uma oportunidade de apresentar sua arte a um público gigantesco, mas também um ato de ocupação e afirmação da cultura negra em um espaço de grande visibilidade.
A presença de blocos afro como o Muzenza no Circuito Dodô é um contraponto importante à diversidade de ritmos e estilos que caracterizam o Carnaval. Eles trazem para a avenida uma narrativa ancestral, uma estética poderosa e uma mensagem de resistência que dialoga com as origens da própria festa, que tem fortes influências africanas. A energia emanada pelo Muzenza, com sua mistura de samba e reggae, contagia os foliões e convida à reflexão sobre a importância da cultura negra na formação da identidade brasileira.
O desfile do Muzenza no Circuito Dodô é um testemunho vivo da força e da resiliência da cultura afro-brasileira. As centenas de foliões que acompanham o bloco celebram não apenas a música vibrante e a dança contagiante, mas também a identidade, a história e a luta de um povo. A estética elaborada, as letras que narram a ancestralidade e os temas sociais, e a energia inconfundível do bloco criam uma atmosfera de celebração consciente e de profunda conexão com as raízes africanas.
A artesã Maria da Conceição, que acompanha o bloco há três décadas, ressalta a importância de ver os blocos afro ocupando os principais corredores da folia. “Eu sou suspeita de falar, esse é um dos blocos mais apaixonantes de Salvador”, declarou, evidenciando o carinho e a devoção que o Muzenza desperta em seus admiradores. A sua presença no Circuito Dodô, impulsionada pelo programa Ouro Negro, consolida o papel do bloco como um agente cultural indispensável no cenário do Carnaval baiano.
45 Anos de História: A Força Inabalável do Muzenza no Carnaval
A comemoração dos 45 anos de fundação do Bloco Afro Muzenza do Reggae é um marco significativo que transcende a celebração de um aniversário. Representa 45 anos de dedicação à preservação e difusão da cultura afro-brasileira, 45 anos de luta por reconhecimento e respeito, e 45 anos de contribuição inestimável para a riqueza do Carnaval de Salvador e para a identidade cultural do país.
Desde sua criação em 1981, o Muzenza tem trilhado um caminho de perseverança e inovação. A fusão ousada do samba com os ritmos jamaicanos e as sonoridades africanas estabeleceu um padrão de originalidade que o diferencia e o consolida como uma referência. Essa mistura não é apenas musical, mas também reflete a própria miscigenação cultural brasileira, onde diversas influências se entrelaçam para criar algo novo e potente.
O diretor-presidente Jorge Santos enfatiza a inspiração para o Carnaval atual: “estamos inspirados a praticar como sempre todo o brilhantismo e a força do Muzenza”. Essa declaração resume o espírito do bloco: uma busca incessante pela excelência artística aliada a um compromisso inabalável com suas origens e com a mensagem de resistência. Cada desfile é uma performance que busca não apenas entreter, mas também educar e inspirar, celebrando a beleza e a força da cultura negra.
O apoio do programa Ouro Negro é crucial para que o Muzenza, e tantos outros blocos afro, possam continuar sua missão. Ao garantir a presença dessas entidades nos circuitos da folia e em diversas cidades, o programa fortalece a economia criativa, gera empregos e, o mais importante, assegura que a ancestralidade e a história do povo negro continuem a ser contadas e celebradas. Os 45 anos do Muzenza são, portanto, um testemunho da resiliência e da vitalidade da cultura afro-brasileira, uma força que pulsa e se renova a cada Carnaval.


