Bahia

Professores do CPM de Candeias Levam Projetos Inovadores sobre Culturas Indígenas ao Congresso Internacional em Salvador

Duas professoras do Colégio da Polícia Militar (CPM) Francisco Pedro de Oliveira, em Candeias, na Região Metropolitana de Salvador (RMS), estão representando a instituição em um do

Professores do CPM de Candeias Levam Projetos Inovadores sobre Culturas Indígenas ao Congresso Internacional em Salvador

Duas professoras do Colégio da Polícia Militar (CPM) Francisco Pedro de Oliveira, em Candeias, na Região Metropolitana de Salvador (RMS), estão representando a instituição em um dos mais importantes eventos acadêmicos sobre povos originários do país. Marta Maria Gomes e Juliane do Rosário Melo participam do 6º Congresso Internacional Mundos Indígenas (COIMI) – Abya Yala, que acontece em Salvador. O evento, iniciado nesta quarta-feira (25) e que segue até sábado (28) na Universidade do Estado da Bahia (Uneb), tem como tema central “Histórias, territorialidades e saberes indígenas”.

A participação das docentes no COIMI é uma oportunidade única para compartilhar as práticas pedagógicas desenvolvidas na unidade escolar, que buscam valorizar e integrar o conhecimento e a cultura dos povos indígenas no currículo. Os projetos apresentados focam em aspectos cruciais como a relação intrínseca com a natureza, a sustentabilidade e a necessidade de uma educação que promova a consciência crítica e o respeito pelos direitos e pela diversidade cultural.

A iniciativa reforça o compromisso do CPM de Candeias com uma educação mais inclusiva e decolonial, que reconhece a importância dos saberes ancestrais e de suas contribuições para a sociedade contemporânea. A presença das professoras no congresso demonstra o potencial da educação pública em gerar conhecimento relevante e em promover o diálogo intercultural.

Conforme informações divulgadas pela Ascom/SEC, as professoras Marta Maria Gomes, de Língua Portuguesa, e Juliane do Rosário Melo, de Artes, estão apresentando, respectivamente, os projetos “As interfaces entre artes e literatura: um estudo lexicológico da expressão cultural indígena a partir de uma prática pedagógica interdisciplinar” e “Experiências decoloniais no ensino de artes e literatura: matrizes indígenas no Ensino Médio”.

Projetos que Conectam Arte, Literatura e Saberes Indígenas

Os trabalhos apresentados pelas professoras Marta Maria Gomes e Juliane do Rosário Melo no 6º COIMI são frutos de um profundo mergulho na cultura e nos saberes dos povos originários, buscando estabelecer conexões interdisciplinares que enriqueçam o processo de ensino-aprendizagem. O projeto de Marta Maria Gomes, com foco em Língua Portuguesa, investiga as “interfaces entre artes e literatura”, utilizando uma abordagem lexicológica para desvendar a riqueza da expressão cultural indígena. A pesquisa se aprofunda em uma “prática pedagógica interdisciplinar”, evidenciando como a linguagem e a arte podem ser ferramentas poderosas para a compreensão e valorização dessas culturas.

Por sua vez, o projeto de Juliane do Rosário Melo, voltado para o ensino de Artes, explora as “experiências decoloniais no ensino de artes e literatura”, com ênfase nas “matrizes indígenas no Ensino Médio”. Essa iniciativa busca romper com visões eurocêntricas e valorizar as contribuições dos povos originários para a produção artística e literária, promovendo uma educação mais crítica e representativa. Ambas as propostas compartilham o objetivo de despertar nos estudantes a “consciência crítica” e o “engajamento em defesa dos direitos e da cultura desses povos”.

Da Mostra Científica à Arena Internacional: A Jornada dos Projetos

Os projetos que agora ganham destaque no cenário internacional tiveram suas origens em experiências práticas vivenciadas dentro do próprio CPM de Candeias. A Mostra Científica e Cultural 2025, realizada na unidade escolar, serviu como palco inicial para a apresentação desses trabalhos. Conforme explica a professora Juliane do Rosário Melo, o evento interno teve como objetivo “valorizar as manifestações artísticas e culturais desenvolvidas pelos estudantes, fortalecendo o vínculo entre educação e cultura, além de promover experiências voltadas ao repertório cultural dos participantes”.

O alinhamento temático da Mostra Científica e Cultural com a “Sustentabilidade” não foi por acaso. Essa escolha dialogou diretamente com a demanda da Secretaria de Educação do Estado (SEC) para a Jornada Pedagógica de 2025, que teve como temática “Educação sustentável, inovadora e que cuida das aprendizagens”. Essa sinergia demonstra a capacidade da escola em conectar suas atividades pedagógicas com as diretrizes educacionais mais amplas, promovendo uma educação contextualizada e relevante.

A transição da Mostra Científica interna para a participação em um congresso internacional como o COIMI representa um marco importante na trajetória desses projetos. Evidencia a qualidade do trabalho desenvolvido pelos educadores e estudantes do CPM de Candeias, além de projetar a escola em um circuito acadêmico de grande relevância para a discussão sobre os povos indígenas e suas culturas.

A Importância da Participação em Eventos como o COIMI

A participação no 6º Congresso Internacional Mundos Indígenas é considerada de “extrema importância” pelas educadoras, especialmente para os docentes da rede pública estadual. A professora Juliane do Rosário Melo ressalta que o evento oferece uma “oportunidade para ampliarmos o alcance de práticas pedagógicas que reconhecem a diversidade cultural brasileira e a urgência de uma educação inclusiva e decolonial”. Essa perspectiva é fundamental em um país com a riqueza e a complexidade cultural do Brasil.

O COIMI se destaca por promover um ambiente de troca e diálogo intenso entre diferentes atores sociais. O congresso “possibilita o diálogo entre educadores, pesquisadores e representantes de povos originários, fortalecendo a troca de saberes e impulsionando ações que defendem os direitos e a preservação das culturas indígenas”. Essa interação é vista como essencial para a construção de um futuro mais justo e sustentável, onde os saberes ancestrais sejam devidamente valorizados e integrados às práticas contemporâneas.

A professora Juliane enfatiza que o COIMI traz propostas pedagógicas inovadoras, que “fazem um recorte sobre a questão indígena, estabelecendo diálogo entre docentes dos componentes curriculares Artes e Literatura e Movimentos Sociais na Bahia, no Ensino Médio”. Essa abordagem interdisciplinar e regionalizada fortalece o ensino e a pesquisa sobre temas relevantes para a identidade e a história do Brasil, incentivando a reflexão crítica e a valorização das culturas locais e originárias.

Um Olhar para o Futuro: Educação, Sustentabilidade e Direitos Indígenas

Os projetos apresentados no congresso internacional não se limitam à esfera acadêmica; eles possuem um forte apelo para a ação e a transformação social. Ao focar na relação com a natureza e a sustentabilidade, as professoras do CPM de Candeias buscam incutir nos estudantes um senso de responsabilidade ambiental e um profundo respeito pelos ecossistemas, temas intrinsecamente ligados aos modos de vida dos povos indígenas.

A abordagem decolonial presente nos trabalhos é outro ponto crucial. Ela visa desconstruir narrativas históricas hegemônicas e promover uma visão mais plural e crítica sobre o desenvolvimento e a ocupação territorial do Brasil. Ao trazer as “matrizes indígenas” para o centro do debate no ensino de artes e literatura, o projeto contribui para a reparação histórica e para a valorização da identidade cultural brasileira em sua totalidade.

A participação em eventos como o COIMI é, portanto, um passo estratégico para que essas iniciativas pedagógicas transcendam os muros da escola e alcancem um público mais amplo, influenciando políticas educacionais e promovendo um debate público mais qualificado sobre os direitos e as culturas indígenas. A troca de experiências com outros educadores, pesquisadores e lideranças indígenas presentes no congresso certamente enriquecerá ainda mais as práticas desenvolvidas no CPM de Candeias, fortalecendo o compromisso da instituição com uma educação que celebra a diversidade e constrói um futuro mais equitativo.