Bahia

Seagri Impulsiona Produtores de Mandioca no Piemonte do Paraguaçu com Capacitação e Novas Técnicas

Seagri Capacita Produtores de Mandioca no Piemonte do Paraguaçu com Técnicas Inovadoras A Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura da Bahia (Seagri) tem

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Seagri Capacita Produtores de Mandioca no Piemonte do Paraguaçu com Técnicas Inovadoras

A Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura da Bahia (Seagri) tem intensificado seus esforços para impulsionar a cadeia produtiva da mandioca na região do Piemonte do Paraguaçu. Através de seminários voltados para agricultores, técnicos e gestores municipais, a pasta busca disseminar conhecimentos e práticas que visam aumentar a produtividade e a qualidade do cultivo, além de fortalecer a economia local.

Os encontros, realizados nos municípios de Piritiba e Tapiramutá, integram um plano mais amplo de revitalização das Câmaras Setoriais da Agropecuária da Bahia. Essa iniciativa ambiciosa prevê a realização de 76 reuniões até 2026, resultado de um convênio entre a Seagri e a Fundação Luís Eduardo Magalhães (FLEM), com o objetivo de promover o desenvolvimento sustentável do setor agropecuário no estado.

A mandioca, base alimentar para milhões de brasileiros e importante fonte de renda para agricultores familiares, movimenta diversos segmentos da indústria. Ao focar em sua cadeia produtiva, a Seagri reconhece o potencial econômico e social da cultura, buscando, com essas ações, ampliar as oportunidades de geração de renda no campo e garantir a segurança alimentar.

Conforme informações divulgadas pela Seagri, os seminários contaram com a expertise do professor Marco Silva, da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). O docente ministrou palestras com orientações técnicas focadas em manejo do solo, diversificação de variedades e estratégias para o aumento da produtividade.

Foco em Manejo e Diversificação para Aumento da Produtividade

As capacitações abordaram temas cruciais para o sucesso do cultivo da mandioca, com ênfase em práticas que podem ser facilmente implementadas pelos agricultores. Entre os principais tópicos discutidos, destacam-se a seleção e diversificação das manivas, que são as mudas utilizadas no plantio, o manejo adequado do solo e a importância da adubação equilibrada. Essas técnicas são consideradas essenciais para superar desafios comuns enfrentados pela agricultura familiar e para elevar a qualidade das lavouras.

O professor Marco Silva ressaltou a simplicidade e a eficácia dessas práticas. “São práticas simples, mas essenciais para superar dificuldades comuns enfrentadas pela agricultura familiar e melhorar diretamente a qualidade das lavouras”, explicou o docente, enfatizando que o conhecimento técnico aplicado pode fazer uma grande diferença no resultado final da colheita. A escolha correta das manivas, por exemplo, pode garantir maior resistência a pragas e doenças, além de otimizar o tempo de colheita.

A diversificação de variedades também foi um ponto chave, pois permite ao produtor adaptar seu cultivo às condições específicas de solo e clima de sua região, além de atender a diferentes demandas do mercado. A UFRB, por meio de suas pesquisas, tem contribuído para o desenvolvimento de novas variedades de mandioca mais produtivas e resistentes. A Seagri busca levar esse conhecimento científico diretamente para o campo.

O manejo do solo envolve desde a preparação adequada da terra até práticas de conservação que evitam a erosão e mantêm a fertilidade. A adubação equilibrada, por sua vez, garante que a planta receba os nutrientes necessários em cada etapa de seu desenvolvimento, impactando diretamente no tamanho e na qualidade das raízes. Essas orientações visam garantir a sustentabilidade da produção a longo prazo.

Mandioca: Pilar da Alimentação e Renda no Piemonte do Paraguaçu

Em Piritiba, a importância da iniciativa foi amplamente reconhecida pelos produtores locais. Nivaldo Querino, presidente da Associação de Pequenos Produtores da Comunidade Nazeozeno, destacou como essas atividades são fundamentais para quem vive da mandiocultura. Ele explicou que o acesso a novos conhecimentos sobre práticas agrícolas melhora significativamente a produção.

Querino compartilhou uma observação comum entre os agricultores: a dificuldade em entender as variações de colheita entre propriedades próximas. “Muitas vezes não entendemos por que uma propriedade tem uma boa colheita e outra, bem próxima, não. Pode ser algo simples, como a forma de preparo e limpeza do solo”, relatou o agricultor, evidenciando a necessidade de capacitação contínua.

O secretário municipal de Agricultura de Piritiba, Alex Luz, reforçou o valor histórico e cultural da mandioca para o município. Ele relembrou que Piritiba já foi um dos maiores produtores de mandioca do estado, e vê na iniciativa da Seagri um caminho para resgatar essa tradição e fortalecer a economia regional. “A mandioca faz parte da história e da cultura local. Já fomos um dos maiores produtores do estado. Por isso, agradecemos à equipe da Seagri por essa parceria e por iniciar esse processo de revitalização da cadeia produtiva da mandioca, que representa um verdadeiro resgate cultural para nossa região”, afirmou Luz.

A parceria entre a Seagri e os municípios é vista como um passo importante para o desenvolvimento do setor. A revitalização das Câmaras Setoriais visa criar um canal de diálogo constante entre o poder público, os produtores e os demais elos da cadeia produtiva, garantindo que as políticas públicas atendam às reais necessidades do campo.

Expansão das Oportunidades com Derivados da Mandioca em Tapiramutá

A comitiva da Seagri e da FLEM seguiu para o município de Tapiramutá, onde realizou um novo encontro com produtores e estudantes. A programação de capacitação estava prevista para ser encerrada no dia seguinte, na cidade de Mundo Novo, consolidando o alcance regional das ações.

Em Tapiramutá, o secretário de Agricultura local, Euclides Gomes, destacou a importância de incentivar a diversificação dos produtos derivados da mandioca. Segundo ele, essa estratégia amplia as oportunidades de comercialização para as famílias produtoras, agregando valor ao produto final. “Aqui não trabalhamos apenas com farinha. Também incentivamos a produção de derivados como beiju, sequilhos e bolos, que são vendidos nas feiras, mercados e festas da região”, explicou Gomes.

A diversificação vai além da simples produção de farinha, abraçando a criação de produtos que atendem a diferentes nichos de mercado e preferências dos consumidores. Ao agregar novos sabores e formas de preparo, os produtores conseguem “valorizar ainda mais o produto”, conforme destacou o secretário. Isso pode significar um aumento na renda familiar e a criação de novas oportunidades de negócios.

A produção de derivados como beijus, bolos e sequilhos, utilizando a mandioca como ingrediente principal, abre portas para a participação em feiras gastronômicas, eventos culturais e até mesmo para o fornecimento a estabelecimentos comerciais. A criatividade na elaboração de receitas e a qualidade dos produtos são fatores determinantes para o sucesso dessa diversificação. A Seagri apoia essas iniciativas, buscando fomentar o empreendedorismo rural.

A Mandioca: Cultura Estratégica para o Brasil e a Bahia

A mandioca é uma cultura de grande importância estratégica para o Brasil, sendo cultivada em todos os estados e figurando entre os principais produtos agrícolas do país. Sua fácil adaptação a diferentes condições de solo e clima a torna uma cultura resiliente e fundamental para a segurança alimentar e o desenvolvimento econômico de diversas regiões.

A versatilidade da mandioca se reflete na diversidade de seus usos. Aproximadamente 40% das raízes são destinadas à produção de farinha, um alimento básico na culinária brasileira. Cerca de 20% são utilizados na fabricação de amido, um insumo importante para a indústria alimentícia e farmacêutica. O restante é consumido in natura ou utilizado na alimentação animal, demonstrando a ampla gama de aplicações da cultura.

Além de sua relevância na alimentação humana e animal, a mandioca possui um vasto potencial industrial. Ela é utilizada como insumo em setores como o têxtil, farmacêutico, de panificação, de alimentos processados, embalagens, produção de colas, mineração e até mesmo na fabricação de cosméticos. Essa diversidade de aplicações garante um mercado consumidor amplo e diversificado para o produto.

Com uma forte presença na agricultura familiar, a mandioca desempenha um papel estratégico na segurança alimentar e no desenvolvimento econômico de inúmeras regiões da Bahia. As ações da Seagri, como os seminários realizados no Piemonte do Paraguaçu, são fundamentais para garantir que os produtores tenham acesso ao conhecimento e às ferramentas necessárias para otimizar sua produção e agregar valor aos seus produtos, fortalecendo, assim, a economia rural e a soberania alimentar do país.