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Seminário “Março das Mulheres” em Salvador Discute Educação, Equidade e Combate à Violência no Ambiente Escolar

Seminário "Março das Mulheres" em Salvador Discute Educação, Equidade e Combate à Violência no Ambiente Escolar Estudantes, professores e equipes técnicas da rede estadual de ensin

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Seminário “Março das Mulheres” em Salvador Discute Educação, Equidade e Combate à Violência no Ambiente Escolar

Estudantes, professores e equipes técnicas da rede estadual de ensino participaram, em Salvador, do Seminário Março das Mulheres – Educação, Equidade e Enfrentamento às Violências. A iniciativa, realizada no Instituto Anísio Teixeira (IAT), integrou a programação do Março Mulher do Governo do Estado, promovida pela Secretaria da Educação em parceria com a Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM).

O evento teve como principal objetivo estimular a reflexão crítica, a formação prática e o fortalecimento das redes de apoio, ressaltando a importância de considerar o enfrentamento às violências contra mulheres e meninas como uma pauta contínua ao longo de todo o ano letivo. A discussão abrangeu desde a importância histórica das lutas femininas até a necessidade de políticas públicas efetivas.

A iniciativa buscou criar um espaço de aprendizado e diálogo, onde os participantes pudessem aprofundar seus conhecimentos sobre equidade de gênero, os desafios enfrentados pelas mulheres e as estratégias para combater a violência, especialmente no contexto educacional. A participação de diferentes secretarias e a inclusão de atividades formativas e oficinas demonstram o compromisso em integrar esforços para a proteção e o empoderamento feminino.

Educação como Ferramenta de Transformação e Combate às Desigualdades Históricas

A chefe de gabinete da SPM e professora de História, Neia Bastos, enfatizou o papel crucial da educação na desconstrução de desigualdades históricas. Ela destacou a relevância de relembrar as lutas das mulheres que precederam a geração atual, sublinhando que o seminário faz parte de uma agenda integrada do Governo do Estado. Segundo Bastos, a educação é vista como um ambiente plural e transformador, ideal para repensar e redirecionar modelos sociais historicamente construídos.

“Precisamos pensar uma educação que liberta, como dizia Paulo Freire, formando sujeitos políticos que não aceitem o patriarcado como modelo e que questionem estruturas opressoras que historicamente foram impostas às mulheres e às minorias”, afirmou Neia Bastos. Essa visão ressalta a necessidade de formar indivíduos conscientes e críticos, capazes de desafiar normas e estruturas que perpetuam a opressão.

Para a diretora do Instituto Anísio Teixeira, Vânia Almeida, o seminário se alinha às ações formativas do instituto voltadas ao fortalecimento da rede estadual de ensino. Ela ressaltou que o mês de março é um período de reafirmação de lutas e direitos, onde conquistas são celebradas e bandeiras são reforçadas. O aumento da violência contra a mulher exige posturas mais efetivas e políticas públicas concretas.

Fortalecendo Redes de Proteção e Enfrentamento à Violência

Vânia Almeida também ressaltou a importância da educação como porta para a autonomia, independência e firmeza das mulheres em suas lutas. A reunião de diferentes secretarias no evento teve como objetivo discutir como cada área pode contribuir para o fortalecimento da rede de acolhimento, proteção e enfrentamento às violências. A colaboração intersetorial é fundamental para criar um ambiente mais seguro e igualitário.

O seminário incluiu a participação ativa de estudantes em oficinas e atividades formativas. Micaella Vitória, 17 anos, integrante da Agência de Notícias Voz Ativa Ceclar, do Colégio Clarice Santiago dos Santos, no bairro Arenoso, considerou o evento uma oportunidade valiosa de diálogo e reflexão. “Gostei muito do evento, da participação dos alunos e também foi importante falar sobre a mulher, sobre esses fatores que muitas das vezes não são falados”, destacou a estudante.

Micaella Vitória acrescentou a importância de discutir esses temas no contexto da comunicação. “Para nós, que também somos da área de notícia, é importante falar sobre isso porque precisamos desse espaço de mulheres também na comunicação. Assim podemos comunicar umas às outras e também não ter rivalidade feminina, mas nos unir como pessoas e como mulheres”, ressaltou. Essa perspectiva evidencia o papel da comunicação na promoção da sororidade e na luta contra estereótipos.

Programação Diversificada e Oficinas Temáticas para Formação Contínua

A programação do seminário foi composta por momentos de debate, formação e oficinas temáticas ao longo do dia. Pela manhã, os participantes assistiram à conferência “O Papel da Escola no Enfrentamento às Violências”, que abordou as responsabilidades e os mecanismos de atuação do ambiente educacional nesse contexto. Foram realizadas também oficinas voltadas para a formação de educadores e estudantes.

Entre as oficinas oferecidas, destacam-se “Protagonismo Feminino e Liderança na Escola” e “Redes sociais, cultura digital e estereótipos de gênero”. Essas atividades visaram capacitar os participantes com ferramentas para promover a liderança feminina e para analisar criticamente o impacto das mídias sociais e da cultura digital nas percepções de gênero.

No período da tarde, a programação incluiu a Mesa Redonda – Rede de Proteção: como a Escola pode atuar de Forma Articulada? Este debate reuniu representantes de diferentes áreas para discutir a importância da atuação integrada entre a educação e as políticas públicas de proteção social. Novas oficinas temáticas foram ministradas, como “Educação sexual, respeito e equidade de gênero” e “Gênero e saúde”, ampliando o escopo das discussões.

Expo do Cuidado: Prevenção e Promoção de Relacionamentos Saudáveis

Como parte integrante da programação, os estudantes tiveram a oportunidade de participar de atividades práticas, como a Oficina 1 – Agência de Notícias e a Oficina 2 – Expocuidado. A Expo do Cuidado, uma exposição imersiva, foi montada no Instituto Anísio Teixeira com o objetivo de apresentar a adolescentes de 12 a 19 anos, estudantes do 6º ao 9º ano e do Ensino Médio, experiências sobre prevenção da gravidez não intencional na adolescência, relacionamentos respeitosos e masculinidade positiva.

Esta iniciativa, vinculada ao projeto “Oxe, Me Respeite – nas Escolas”, busca promover um diálogo aberto e informativo sobre temas cruciais para o desenvolvimento saudável e o bem-estar dos jovens. A abordagem imersiva visa engajar os adolescentes de maneira mais profunda, incentivando a reflexão e a adoção de comportamentos conscientes e responsáveis em suas vidas e relacionamentos.

O seminário “Março das Mulheres” reforça a importância de integrar as discussões sobre equidade de gênero e enfrentamento à violência em todas as esferas da sociedade, com um foco especial no ambiente educacional como agente transformador. A continuidade dessas ações é fundamental para a construção de um futuro mais justo e igualitário para todas as mulheres e meninas.