Saúde
Vacina contra Dengue no Rio: Começa a imunização para profissionais de saúde, prioridade da nova campanha do Butantan
Rio de Janeiro inicia vacinação contra a dengue com foco em profissionais de saúde A partir desta segunda-feira, 23 de outubro, a vacinação contra a dengue teve início em todos os
Rio de Janeiro inicia vacinação contra a dengue com foco em profissionais de saúde
A partir desta segunda-feira, 23 de outubro, a vacinação contra a dengue teve início em todos os 92 municípios do Rio de Janeiro. A campanha utiliza uma nova vacina produzida pelo Instituto Butantan e distribuída pela Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ), que já recebeu 33.364 doses. Deste total, 12.500 doses foram destinadas à capital fluminense.
A estratégia definida pelo Ministério da Saúde prioriza os profissionais que atuam na linha de frente do Sistema Único de Saúde (SUS), especificamente na Atenção Primária à Saúde (APS). O objetivo é garantir a proteção daqueles que estão em contato direto com a população, especialmente em um cenário de alerta para a proliferação do mosquito Aedes aegypti.
A notícia traz um alívio para as autoridades sanitárias e para a população, que vive um período de atenção devido ao aumento de casos de doenças transmitidas pelo mosquito. A vacinação é vista como uma ferramenta crucial para controlar a disseminação, mas medidas de prevenção ainda são essenciais.
Profissionais de Saúde são os Primeiros a Receber a Vacina
Nesta fase inicial, o público-alvo são os trabalhadores que atuam diretamente nas unidades básicas de saúde. Isso inclui uma ampla gama de profissionais, como médicos, enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem, dentistas, nutricionistas, psicólogos, fisioterapeutas, educadores físicos, assistentes sociais e farmacêuticos. Agentes comunitários de saúde, agentes de combate às endemias, além de trabalhadores administrativos e de apoio, também serão vacinados.
A nova vacina é de dose única e oferece proteção contra os quatro sorotipos da dengue. No Rio de Janeiro, os sorotipos 1 e 2 são os mais comuns. No entanto, há uma preocupação crescente com a possível reintrodução do sorotipo 3, que não circula no estado desde 2007. A ausência prolongada desse sorotipo pode tornar a população mais vulnerável, especialmente considerando sua presença em estados vizinhos.
Cenário Epidemiológico no Rio de Janeiro
Dados recentes da Secretaria de Saúde indicam que, até 20 de fevereiro de 2026, o estado registrou 1.198 casos prováveis de dengue e 56 internações, sem óbitos confirmados até o momento. Em relação a outras arboviroses, foram contabilizados 41 casos prováveis de chikungunya, com cinco internações. Casos de zika não foram confirmados no território fluminense.
O monitoramento contínuo é realizado através de um indicador composto que avalia atendimentos em UPAs, solicitações de leitos e a taxa de positividade dos exames. As informações estão disponíveis em tempo real na plataforma MonitoraRJ. Atualmente, todos os 92 municípios estão em situação de rotina quanto à dengue.
Alerta para o Período Pós-Carnaval e Chuvas de Verão
Apesar dos indicadores considerados baixos, a Secretaria de Saúde reforça o alerta, especialmente para o período pós-carnaval. As chuvas intensas que antecederam a folia, combinadas ao calor do verão, criam um ambiente propício para a reprodução do Aedes aegypti. A circulação de turistas também aumenta o risco de introdução de novos sorotipos do vírus.
O mosquito tem alta capacidade reprodutiva, e a recomendação é que cada morador dedique pelo menos dez minutos por semana para eliminar possíveis criadouros. Ações simples como verificar a vedação de caixas d’água, limpar calhas, colocar areia nos pratos de plantas e descartar água acumulada em recipientes são fundamentais.
Vacina Qdenga e Estratégias de Controle
É importante lembrar que desde 2023, o Ministério da Saúde também disponibiliza a vacina Qdenga, de fabricação japonesa. No Rio de Janeiro, mais de 758 mil doses já foram aplicadas. Deste total, mais de 360 mil crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos receberam a primeira dose, e 244 mil completaram o esquema vacinal.
A secretaria estadual tem investido na qualificação da rede assistencial, com treinamentos e ferramentas digitais para o manejo clínico da dengue. O Laboratório Central Noel Nutels (Lacen-RJ) foi ampliado para realizar até 40 mil exames por mês, aumentando a capacidade de diagnóstico para dengue, zika, chikungunya e febre do Oropouche.
Com a chegada da nova vacina do Butantan, o estado reforça sua estratégia integrada de imunização, vigilância e prevenção, visando evitar a sobrecarga da rede de saúde e manter os índices sob controle antes da chegada do outono.


